Economia

2 de julho de 2020 08:20

Lojistas de Maceió se preparam para retorno às atividades nesta sexta (3)

Lojas de rua de até 400 m² reabrem na capital tendo que seguir protocolos

↑ Após 102 dias com atividades interrompidas, as lojas de rua em Maceió são preparadas para o retorno das operações nesta sexta-feira (Foto: Edilson Omena)

Após 102 dias com as atividades interrompidas devido às medidas de isolamento social para conter a contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19), as lojas de rua em Maceió, com até 400 m², se preparam para o retorno das operações nesta sexta-feira (3). Os empresários estão confiantes na reabertura e nos estabelecimentos adotam medidas preventivas para evitar a disseminação do vírus e resguardar a saúde de funcionários e clientes.

De acordo com Guido Júnior, presidente da Aliança Comercial de Maceió, os lojistas estão preparados para reabrir, mas ele explica que nessa fase não serão todas as lojas que vão retomar as atividades. “A Aliança Comercial tem acompanhado todo esse processo. As lojas estão preparadas, são em torno de 60% que vão poder abrir. A expectativa é grande, e a preparação também. Na verdade, essa preparação já vem sendo feita desde maio. Os funcionários irão atender com máscara, terá álcool em gel disponibilizado, não poderá ter aglomeração entre outros itens’’, comenta pontuando que as estratégias para atrair o cliente é variável de acordo com cada lojista.

DIFICULDADES

Apesar da reabertura na sexta, Guido diz que a retomada da economia para o setor não será de imediato. “Sabemos que o retorno não vai gerar tumulto de pessoas. Vamos conseguir recuperar o período de vendas que perdemos de outubro para frente – antes disso, não. Acredito que só no próximo ano mesmo. Então,  estamos em uma situação complicada ainda, e fato que vai haver demissões porque tem loja que não vai voltar. São cerca de 300 lojas entre shoppings, galerias e lojas de centro – que não irão retomar pois foram muitos dias sem entrada de recursos, além delas as lojas âncoras e de sapatos também não vão reabrir agora’’, ressalta.

Para a empresária Andreia Geraldo, proprietária de loja no Centro de Maceió, o bem maior é a saúde e o maior patrimônio são os clientes. Por isso, ela disse que investiu no espaço para esse retorno das atividades.

A empresária Walkisa Alves, que tem um estabelecimento na Jatiúca, cita as mudanças como o uso de máscaras e álcool em gel, além de uma tela de proteção de acrílico colocada no caixa para evitar um contato maior. E também acredita que o retorno será lento. “Essa retomada será lenta. Muitas pessoas ainda estão com medo e nem tudo voltou ao normal. Acredito que as vendas on-line ainda é o foco – e, por isso, estamos apostando nessa estratégia ainda. Mas, nos readaptamos para atender também o cliente presencial. Inclusive estamos lançando promoções até na coleção nova para receber todos. Apesar de não acreditar que será no mesmo ritmo de antes. Até porque o mês de junho, seria um movimento bom por conta dos shows das festas juninas, e como esse ano não teve, consequentemente caiu as vendas. Mas, vamos bolando estratégias de vendas, inclusive com tabela de preço máximo. Vamos pedir a Deus que tudo dê certo”.

EXIGÊNCIAS

A reabertura, segundo o Governo do Estado vem acompanhada da exigência do cumprimento de regras gerais e específicas previstas no Protocolo Sanitário, publicado no Diário Oficial do Estado (DOU) no último dia 15 de junho. O documento segue orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), da Organização Internacional do Trabalho (OTI) e evidências científicas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC).

Entre as recomendações gerais que devem ser adotadas pelos estabelecimentos estão o uso obrigatório de máscaras, disponibilização de álcool em gel 70%, distância de dois metros entre as estações de trabalho, anteparo de proteção nos caixas e intensificação de limpeza dos ambientes a cada duas horas. Ficam também determinados a limpeza de sapatos, uso de marcadores de pisos respeitando a distância de 1,5 m entre os clientes, higienização de maquinetas e telefones, prioridade de métodos eletrônicos de pagamento, controle de fluxo de pessoas e instrução dos funcionários para troca de roupas no início e fim do expediente.

Salões de beleza, barbearias e igrejas também voltam

 

O retorno da atividade econômica na capital alagoana será possível com a involução dos casos de Covid-19, apresentada a partir da avaliação dos dados das últimas cinco semanas epidemiológicas em Alagoas. Maceió avança de fase do Protocolo de Distanciamento Social Controlado nesta sexta-feira (3). Com a entrada na fase Laranja, Além das lojas, salões de beleza e barbearias (com 50% da capacidade de atendimento), templos, igrejas e demais instituições religiosas (com 30% da sua capacidade) passam a ter seu funcionamento permitido, junto aos estabelecimentos que já estavam liberados durante a fase Vermelha.

O presidente do Sindicato das Empresas de Beleza e Estética do Estado de Alagoas (Sindibeleza), Ariel Fernandes diz que a expectativa do setor é grande. “Já estávamos esperando esse momento e nos preparando muito além do que se exige a OMS [Organização Mundial de Saúde] atendendo a protocolos. Em Maceió são quase 5 mil salões, mas especialmente os médios e grandes que não conseguiram trabalhar – os pequenos de periferia conseguiram. Estamos animados com a reabertura mesmo com percentual pequeno. Os protocolos seguimos os recomendados como o uso de álcool em gel, tapetes umedecidos, atendimento totalmente agendado – que já era, mas agora estamos mais incisivos nisso, a higienização dos aparelhos, uso de máscara, luvas e o termômetro – seja digital ou analógico. É uma exigência para os colaboradores e em casos específicos para os clientes”, diz.

Fecomércio diz ser positiva reabertura do comércio

 

Apesar de permitir a reabertura apenas na capital, a iniciativa foi considerada positiva por Gilton Lima, presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Alagoas (Fecomércio AL). “A expectativa era de que a reabertura alcançasse todo o Estado, o que não aconteceu. Mesmo assim, a permissão para o retorno das atividades não essenciais em Maceió já é um bom começo e demonstra que estamos no caminho certo no enfrentamento à pandemia. Esperamos, em breve, estender essa permissão às empresas do interior”, avalia. Para ele, falar em reabertura não significa defender somente a economia, mas os interesses da sociedade por meio do desenvolvimento do Estado.

Ainda de acordo com o a Federação, dados da Receita Federal do Brasil (RFB) indicam que Alagoas possui 166.223 empresas em atividade, das quais 76.407 situam-se em Maceió. Do volume geral do Estado, o Comércio detém 77.146 empresas, seguido por Serviços (66.270), Indústria (13.852), Construção Civil (8.057) e Agropecuária (898). Considerando apenas a capital, são 35.608 empresas no setor de Serviços, 29.937 no Comércio, 6.776 na Indústria, 3.944 na Construção Civil e 142 na Agropecuária. Os números de Maceió representam um aporte anual de R$ 21 bilhões no Produto Interno Bruto (PIB) do Estado – ou R$ 1,818 bilhão mensais -, demonstrando que a reabertura das atividades não essenciais, ainda que somente na capital, trará novo ânimo à economia. “Atuamos frente ao governo para que essa retomada se concretizasse. Agora, cabe às empresas cumprirem todas as exigências e orientarem seus consumidores. A responsabilidade é de todos nós”, reforça Lima.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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