Economia

6 de junho de 2020 10:50

Números de vendas de veículos caem mais de 70% em Alagoas

Setor de carros novos e seminovos amarga prejuízos ainda considerados incalculáveis, segundo as entidades do setor

↑ Cada concessionária faz sua divulgação, mas sem alarde, até porque decreto impede feirões de carros (Foto: Edilson Omena)

O varejo de veículos novos e seminovos registrou perda média de mais de 70% no volume de vendas no mês maio em comparação com o mesmo período do ano anterior segundo o Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos de Alagoas (Sincodiv-AL). Em março e abril, quando as concessionárias foram fechadas por conta da pandemia do Covid-19, a redução foi maior ainda.

“A queda no Estado na relação de vendas dos novos é na faixa de 70%. Não temos um controle maior sobre os carros seminovos, controlamos os novos por conta do emplacamento. Mas, acreditamos que os seminovos estejam nesse mesmo percentual, porque via de regra em 80% a 90% das negociações sempre entram os seminovos. Como ficou parada as vendas de novos automaticamente inibiu as vendas de seminovos’’, explica Luiz Pires, presidente do Sincodiv-AL.

A revenda de veículos em Alagoas ficou parada em março – foi fechada no primeiro decreto do Governo Estadual. E foi reaberta em 20 de abril. “Ou seja, nesse intervalo foram cerca de 40 dias fechados. Tivemos os dez dias finais de abril abertos e maio pleno. E agora estamos entrando junho pleno em relação as vendas. Nesse intervalo a queda foi grande. Em valores não temos como estimar. Mas, vendíamos em média no estado em torno de 2.000 a 2.200 veículos mensal, e agora caiu para cerca de 500, 550 e no máximo 600 carros novos – isso a nível de estado tomando como base o mês de maio com os estabelecimentos abertos’’, pontua Pires ressaltando que a queda está entre 70% à 72%.

Pires, diz que essa queda, é a projeção dada também pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), entidade representativa do setor de Distribuição de Veículos no Brasil.

Em relação ao perdas e prejuízos e dinheiro, o sindicalista e gerente de concessionária, diz que não há como mensurar porque cada empresa tem seu porte. “A diversificação é grande – são de grande, médio e pequeno porte. E cada uma tem seus custos e suas variáveis que não são fornecidas. Mas, o prejuízo é real e não sabemos os desdobramentos disso, pois estamos vivendo as causas. Só futuramente é que teremos as consequências. Certamente teremos um restante de ano conturbado na recuperação da economia, principalmente neste seguimento. Ficamos em uma situação de muita expectativa’’.

De acordo com análise na plataforma da Auto Avaliar, que congrega mais de 75% do mercado de repasse de seminovos e usados entre os distribuidores e as lojas de rua no País, Sergipe registra maior perda entre os estados, com 88,9% de queda, seguido por Alagoas, com 83,3%, e Tocantins, com 80%.

A análise foi feita com base nas transações de seminovos e usados entre concessionárias e lojistas no Brasil nas datas de 1 a 19 de abril deste ano, auge da pandemia e isolamento social no País, em comparação com o mesmo período do exercício anterior. No total, foram avaliadas cerca de 7,4 mil negociações no varejo brasileiro de automóveis.

Média acima da registra a nível nacional já que no período foram registrados em média perda de 62,58%.  Já os estados de Roraima e Espírito Santo registraram aumento no volume de transações no período, com 200% e 14,6% de crescimento, respectivamente.

“Fluxo de clientes é pequeno, é tímido ainda”

Luiz Pires, presidente do Sincodiv-AL e gerente de concessionária, afirma que o fluxo de clientes após a reabertura dos estabelecimentos ainda é muito pequeno e na maioria das vezes o atendimento é feito de forma remota.

Desde que abrimos, temos noticiado nas redes sociais, cada concessionária faz sua divulgação, mas sem alarde, até porque o decreto prevê que não façamos feirões, para evitar aglomerações. Então é tudo por meio remoto. O fluxo é pequeno, bem tímido, os últimos dez dias de abril operamos muito via telefone e rede social, fazendo contatos, oferecendo carros a domicílio – teste drive, para despertar o interesse do consumidor’’, explica Pires.

Ele conta ainda que em maio, a primeira quinzena seguiu a mesma linha dos dias trabalhados em abril. E que só no semestre que deu uma melhorada e mesmo assim, ressalta que as pessoas estão mais receosas para sair de casa. “Embora as lojas estejam seguindo os protocolos de segurança, higienização, distanciamento enfim…’’.

Pires também atribui as quedas nas vendas as perdas gerais causadas pela pandemia e a insegurança do consumidor. “Para vender, tem que ter crédito, e com a situação de mercado atual, a parte de crédito perante aos bancos e credores está seletiva e exigente. Há muita inadimplência. Ou seja, vai continuar difícil. Vi um diretor de um banco particular falando em uma live na última semana, que já renegociou 550 mil contratos de financiamentos feitos anteriormente porque os clientes não tiveram como honrar justamente por conta da pandemia’’.

Após primeiro decreto, comercialização reduziu 80%

A vendedora Magda Pereira, que trabalha em uma concessionária no bairro do Farol, conta que no primeiro mês após o decreto, a venda na loja registrou uma queda de 80% em relação ao mês de abril do ano passado. E explica que no mês de maio, depois que o governador de Renan Filho assinou novo decreto que autorizava com restrições a abertura das concessionárias de automóveis a queda foi menor e chegou a 60%.

Lojas de veículos estão seguindo os protocolos de segurança (Foto: Edilson Omena)

“Ou seja, em dados comparativos, significa dizer que a queda média dos dois meses de quarentena é de 70%. A situação de Alagoas é diferente dos demais estados do Nordeste pois em alguns foi decretado lockdown, o que prejudicou muito as vendas. A situação gerada pela Covid-19 fez com que as concessionárias se reinventassem, sendo assim estamos trabalhando muito com vendas online e oferecendo aos clientes toda a comodidade de compra sem sair de casa. O fluxo de loja caiu na mesma proporção das vendas, porém o cliente sente mais seguro vindo até a concessionária onde pode ver, barganhar mais e participar efetivamente de toda a negociação’’, pontua a vendedora.

Apesar de toda a “revolução” causada pela pandemia, Magda afirma que a empresa manteve a totalidade de seus funcionários “e na certeza que logo estaremos voltando à normalidade. Não medimos esforços para agradar o cliente com taxas especiais, descontos, promoções e bônus extra pela fidelização e ainda com promoções exclusivas para o pessoal da área médica. Enfim, tudo fazemos para que o cliente saia muito satisfeito’’.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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