Economia

3 de junho de 2020 08:02

Normas para reabertura da economia de Alagoas devem sair em 15 dias

Titular da Sedetur, secretário Rafael Brito cita que flexibilização do isolamento social necessita de protocolos sanitários

↑ Rafael Brito lembra que Alagoas vivencia explosão de casos de Covid-19 (Foto: Assessoria)

Ao tempo que Alagoas passa dos 11 mil casos de coronavírus – segundo o levantamento da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) de terça-feira (2) – o Governo do Estado numa portaria conjunta entre o Gabinete Civil e as secretarias de Estado da Fazenda (Sefaz) e do Turismo e Desenvolvimento Econômico (Sedetur), define os critérios para a criação de Grupos de Trabalho que vão estabelecer protocolos de funcionamento dos setores econômicos, após o período de isolamento social, em Alagoas. O prazo para a entrega nas normas e procedimentos será de até 15 dias.

De acordo com a Agência Alagoas, a criação dos Grupos de Trabalho leva em consideração os impactos econômicos causados pela pandemia e a necessidade de estabelecer protocolos de funcionamento dos setores produtivos, após o período de distanciamento social, a fim de dar impulso à retomada das atividades econômicas, mas com medidas de extrema segurança à população alagoana.

Por outro lado, especialistas da área da saúde acreditam que flexibilizar as medidas de isolamento social com os casos cada vez mais crescendo é preocupante. Em outros países, a flexibilização ocorreu quando a curva foi achatada. À Tribuna, a assessoria do Gabinete Civil ressaltou que o governo começou a se reunir na segunda-feira (1ª) com algum dos setores produtivos do estado.

“O governo pretende ouvir do setor produtivo, dos empresários, o que é que eles vão sugerir, para que essas sugestões deles se encaixem no que preconiza o decreto. Então, o governo vai ouvir essa semana todo o setor”.

O secretário do Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de Alagoas, Rafael Brito, pontuou a importância da criação dos grupos de trabalho. Ele salientou também que o que está sendo discutido são os protocolos sanitários que irão nortear a abertura dessas empresas que ainda estão fechadas.

“A gente precisa considerar que no início da crise do coronavírus tínhamos outros hábitos. Ninguém, por exemplo, saía de máscara, havia grandes aglomerações dentro de empresas, não havia o distanciamento social entre estações de trabalho, nem em estacionamentos. As pessoas não tinham os mesmos cuidados que têm hoje, então o importante é abrir a economia quando o tempo for o correto, mas abrir com protocolos sanitários extremamente rígidos, para que o cidadão que precisa trabalhar, produzir e consumir possam ter menos riscos”.

Rafael Brito lembrou que o contágio vem acontecendo em diversos ambientes de aglomeração, como na fila para liberação do auxílio do Governo Federal, nas filas de bancos e loterias para pagamento e supermercados. E ressaltou ainda que a intenção não é flexibilizar o isolamento com casos explodindo no estado.

“O governo entregou mais de mil leitos extras para o cuidado do coronavírus, e enquanto tiver espaço nesses leitos é prudente que a gente avalie a abertura econômica, baseada em protocolos sanitários rígidos quando isso vier a acontecer.”

Associação defende trabalho sem riscos à saúde

 

Para o presidente da Associação Comercial, Kennedy Calheiros, o grupo de trabalho é fundamental, pois mostra que o governo quer ouvir os empresários.

“Temos conhecimento de toda problemática envolvendo a pandemia, que passam pela saúde com reflexos diretos na economia. Por isso apresentamos um plano de trabalho para o retorno das atividades dentro de uma série de requisitos de segurança, muitas que, inclusive, já estão sendo adotadas pelas lojas que já tiveram autorização para abrir. Precisamos pensar no novo normal e em como será o mundo pós-pandemia. Com isso vamos encontrar uma forma de estabelecermos a convivência dentro do que vivemos hoje em dia, deixando claro que colocamos a saúde em primeiro lugar”, ressaltou Kennedy, utilizando como exemplo sua empresa para demonstrar como vem sendo realizado os protocolos.

“Já liberei funcionários que estão dentro do grupo de risco para ficar em casa e organizei escalas de atendimento dentro da minha equipe. Tudo isso é importante para não esquecermos da economia e buscarmos uma saída para essa gigantesca crise”.

A assessora técnica da Fecomércio, Andressa Targino, disse que a entidade enxerga como positiva a atitude do governo de abrir espaço para que o setor produtivo registre suas opiniões e entendimentos com relação aos requisitos de reabertura gradativa das atividades econômicas.

“Ninguém melhor do que o comércio para apontar as especificidades do seu setor a serem levadas em consideração. Os grupos de trabalho são geridos e controlados pelo Governo do Estado, através de algumas secretarias. Estas, por sua vez, criarão em conjunto uma minuta com as medidas que entenderem cabíveis e submeterão esta minuta aos representantes do setor produtivo, dentre eles, a Fecomércio. De posse dessa minuta, faremos os apontamentos que entendermos necessários, todos com base em estudos técnicos já realizados”.

Fonte: Tribuna Independente / Carlos Victor Costa

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