Economia

18 de abril de 2020 19:55

Setor de restaurantes pode entrar em colapso se quarentena seguir adiante

Setor já amarga perdas de milhões de reais, podendo, inclusive, segundo alguns empresários, entrar em colapso financeiro nos próximos 15 dias

↑ Empresária Joyce Lima, do Mangiare (Foto: Claudio Bulgarelli)

As noites de sábado sempre foram as melhores noites para o setor de restaurantes em Alagoas. Mas fechados desde o último dia 20 de março, por força de um decreto estadual, e provavelmente ficando assim até além do Dia das Mães, no dia 10 de maio, uma das melhores datas para faturamento, o setor já amarga perdas de milhões de reais, podendo, inclusive, segundo alguns empresários, entrar em colapso financeiro nos próximos 15 dias. Em Maceió centenas de restaurantes estão fechados por causa do decreto estadual. No Litoral Norte, especialmente em São Miguel dos Milagres, Japaratinga e Maragogi, que concentram o maior número de restaurantes da Costa dos Corais alagoana, a situação é dramática, com centenas de pessoas correndo o risco de perder seus empregos, situação agravada devido ao fato de que nessas cidades, a maioria desses locais funciona com o turismo, setor que vem sendo um dos mais afetados pela pandemia do coronavírus.

E mesmo o sistema de delivery inicialmente e depois o pegue e leve, não tem amenizado a crise do setor. Em meio à crise global provocada pelo novo coronavírus e suas muitas implicações econômicas, o setor de restaurantes está sendo um dos mais afetados, segundo projeções de economistas do mundo todo. Uma estimativa publicada pela J.P. Morgan mostra que eles são os primeiros negócios a sucumbir frente a uma crise, suportando apenas 16 dias sem dinheiro em caixa. Como em outros países, no Brasil, empresários pressionam seus governos por medidas dirigidas exclusivamente ao setor, que só aqui emprega 6 milhões de pessoas. Um grupo de mais de 300 influentes chefs e donos de restaurantes, inclusive de Alagoas, se articularam através do WhatsApp para criar ações de cobrança ao poder público, como suspensão de tributos e facilidade de créditos.

Em Maceió, o empresário Rosiel Caetano, do restaurante Filé do Zezé Jatiúca, publicou em suas redes sociais um protesto contra a penúria do setor. “Tais medidas restritivas deveriam ser no sentido de disciplinar normas de condutas sociais, no sentido de combater o vírus e girar a economia. Veja o exemplo dos supermercados: estão abertos sem nenhuma regulamentação para o funcionamento. Os ônibus circulam em menor escala, mas também não há disciplina na quantidade de passageiros. Afora isso, o comércio geral fechado. Restaurantes poderiam estar funcionando com número de clientes reduzidos, maior espaçamento entre as mesas e o grupo de risco sendo resguardado em isolamento. Caso contrário o setor como um todo vai entrar em colapso”.

A empresária Joyce de Lima, proprietária de 4 restaurantes em Maceió, que teve de colocar 80 por cento de seus 45 funcionários em férias coletivas, manteve um pequeno grupo de 10 colaboradores para atuar em apenas duas unidades, o Mangiare Cucina Italiana e o Império Nordestino, ambos no Extra Mangabeiras, no sistema delivery e no pegue e leve. “Infelizmente funcionando assim, não cobrimos nem o custo dos próprios colaboradores que estão atuando. A perda do setor é enorme e certamente vai gerar um grande número de desempregados. Aqui da minha parte vou mantendo todos os meus colaboradores, mas o prejuízo é enorme, que não consigo nem avaliar um número. Quando penso nos salários e nos fornecedores, que devemos pagar, um senso de impotência deixa qualquer empresário entristecido”.

Já o empresário André Heliodoro, da tradicional Feijoada da Maria Gorda, fala abertamente em números. Segundo ele, desde o primeiro dia do decreto, em suas duas unidades, no Tabuleiro e no Pátio Shopping, a perda já supera 450 mil reais. “Como recuperar esses números se o decreto de tudo fechado for além? Como pagar funcionários, fornecedores e manutenção de um restaurante. Essa semana, se continuar assim, terei de demitir no mínimo 50 pessoas, engrossando, infelizmente, o problema social”.

Em São Miguel dos Milagres o problema dos restaurantes é ainda mais sério, porque dependem do turismo, que nesse momento está parado. O empresário Fabinho do Pato, que mantém um restaurante na praia de Porto de Rua, que emprega 6 funcionários está sem faturamento desde o dia 20. “Como fazer para pagar os salários, a quem vou recorrer, empréstimo em banco, demitir, quais os caminhos que vamos seguir. Baixa um desespero”.

Fonte: Tribuna Hoje / Texto: Claudio Bulgarelli - Sucursal Região Norte

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