Economia

28 de março de 2020 08:35

Vendas de pescados ainda são baixas

Comerciantes do Centro Pesqueiro, em Jaraguá, acreditam que movimentação pode melhorar na próxima semana

↑ Por conta do confinamento, poucas pessoas têm ido à procura do pescado para a Semana Santa (Foto: Edilson Omena)

A Semana Santa já começa no próximo dia 5, com o Domingo Maior. E uma das maiores tradições da época é o consumo de peixes e pescados. No entanto, as vendas ainda estão razoáveis segundo os vendedores que atuam nas balanças de peixe e no Centro Pesqueiro de Maceió. A baixa procura no momento pode ser causada pela doença Covid-19, originada pelo novo agente do coronavírus (SARS-CoV-2), descoberta no final do ano passado na China.

Para os vendedores, a recomendação dos órgãos de saúde para que as pessoas fiquem em casa e o decreto do governo, solicitando que não haja aglomeração de pessoas, estão causando a queda na procura. “A procura está razoável ainda por aqui, como em qualquer outro balcão de vendas. Pode ser por conta dessa doença. Mas está dando para manter. Por exemplo, o quilo do sururu vendemos a R$ 15, o camarão vai depender do tamanho e qualidade. Já o peixe temos de todos os valores, de R$ 20 acima você encontra o produto. Não vendemos em Delivery, mas se o cliente ligar querendo uma certa quantidade mando fazer a entrega. Meu nome é ‘disque entrega’’’, brinca a vendedora Adriana Amaro, que tem um espaço no Centro Pesqueiro do Jaraguá.

Apesar das vendas não estarem 100%, ela acredita que na próxima semana pode melhorar. No entanto, reclama da estrutura do local. “Do balcão para frente é tudo muito lindo. Mas, nos ‘fundos’, é uma decadência. Só estresse. Não temos nem água no box para lavar as mãos, estamos carregando em baldes. Prefeito você já carregou água em baldes todos os dias? Eu já estou com os braços que não aguento. Além disso, o teto tem goteiras, e é um local pequeno para duas pessoas. Essa obra já começou errada. Até a entrada é ao contrário’’.

Luciano Correia Miranda disse que já era cliente dos pescadores da região. Ele foi fazer suas compras e diz que os valores no local de fato são bem razoáveis e compatíveis aos demais locais, mas também crítica a estrutura. “A nova balança ficou muito bonita, mas a entrada tenho impressão que ficou errado. Os quiosques também são pequenos para serem divididos porque alguns têm dois ou até três freezers, aí fica apertado. Mas os produtos são de qualidade, com preços bons e com boa higiene’’.

A reportagem da Tribuna Independente entrou em contato com a Prefeitura de Maceió para saber quais os cuidados que estão tendo no funcionamento do Centro Pesqueiro. E segundo a Secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer (Semtel), o espaço está funcionando seguindo a determinação do decreto do Estado e Município – mercados e feiras livres continuarão funcionando. A Semtel informa que, no Centro Pesqueiro, medidas já vêm sendo adotadas para ampliar a prevenção nas etapas de comercialização dos pescados. No local, estão sendo afixados cartazes com orientações, bem como é feito o envio constante de material informativo via aplicativo de mensagens (WhatsApp) a cada permissionário.

Durante a Semana Santa, a Semtel ressalta que as ações serão intensificadas e devem ser adotadas novas estratégias voltadas a aplicação de um protocolo de procedimentos de saúde e medidas específicas para o período tendo em vista o aumento da demanda e circulação de pessoas no local. Já de acordo com a Secretaria Municipal de Trabalho, Abastecimento e Economia Solidária (Semtabes), para evitar a aglomeração de pessoas nos mercados públicos, uma força tarefa foi criada para conscientizar clientes e permissionários sobre os cuidados preventivos em relação à Covid-19.

“Além da Semtabes, fazem parte desse trabalho equipes das Secretarias Municipais de Segurança e Convívio Social (SEMSCS) e de Saúde (SMS), com a Vigilância Sanitária (Visa), bem como a Polícia Militar. A atuação nas balanças de peixe já é prática da Vigilância Sanitária e será intensificada ainda mais este ano. O órgão lembra que não atua na contenção ou organização de filas, mas exige que este item seja organizado pelos próprios empreendedores e orienta a população sobre o distanciamento social e outras medidas de mesma ordem. A Visa conta com equipe trabalhando permanente com a força-tarefa, incluindo o fim de semana, além de equipes de prontidão para atender às demandas que surgem”, diz nota.

A equipe de reportagem foi até a Balança de Peixe da Pajuçara para saber como está a procura por pescados, mas o local estava fechado na tarde de sexta-feira (27), assim como o Mercado da Produção no Centro de Maceió.

Feira do Peixe Vivo pode não acontecer este ano

Por conta do atual cenário da pandemia causada pelo Covid-19, a tradicional Feira do Peixe Vivo, que acontece todos os anos no Parque da Pecuária, pode não acontecer. No entanto,  o secretário de Estado da Agricultura, Pecuária, Pesca e Aquicultura de Alagoas, João Lessa, e toda a sua equipe estão com a feira de peixe pronta para ser realizada e manter viva a tradição de toda Semana Santa, levar peixe para a mesa da família Alagoana.

Lessa explica que diante do atual cenário não consegue confirmar a realização das feiras, dependendo apenas de como vai se comportar as limitações por causa do Covid-19. “Estamos empenhados e animados para realizar, como todos os anos, a feira que vai levar o pescado para as famílias alagoanas. Mas temos consciência da nossa responsabilidade social, se ainda existir a situação de quarentena, suspenderemos”.

ALTERNATIVAS

Como muita gente vai em busca dos pescados para o tradicional almoço da Sexta-Feira Santa ou Sexta-feira da Paixão, que é a data que católicos reservam para o reconhecimento do sacrifício de Jesus Cristo que, segundo conta a Bíblia, foi assassinado neste dia. Por isso, a Igreja Católica recomenda aos fiéis a abstinência de carne, presente no cardápio da maioria das pessoas, e o jejum.

Então, caso o peixe fresco não seja encontrado, a chefe de cozinha Karina Maria dá algumas dicas para a tradição continuar sendo seguida.

Para Karina, o peixe fresco tem a qualidade melhor do que os congelados. Mas os congelados encontrados nos supermercados podem ser alternativas para aqueles que não querem deixar de consumir o produto nesta época. “A qualidade do peixe fresco é sem dúvida melhor, mas se a situação não melhorar daqui para a quinta e Sexta-feira Santa, e continuarmos em quarentena, sem conseguir o pescado ideal, as pessoas podem optar por outras maneiras. Vale ressaltar que o que não dá é passar o almoço da Semana Santa, sem o nosso famoso peixe ensopado (moqueca), pirão, arroz, enfim o que vale é usar a criatividade e o bom gosto’’, ressalta.

A chefe comenta que nos supermercados é possível encontrar alguns produtos. E em muitos a entrega pode ser feita em casa. “Nos supermercados encontramos alguns filés de peixe que podem ser substitutos dos peixes frescos e ser consumidos em opções de pratos tradicionais’’.

As propriedades nutricionais do peixe são tão ricas que o nutricionista Dayvison Souza recomenda que ele seja utilizado nas refeições de duas a três vezes por semana e cita cuidados na hora de comprar o produto.

“O maior destaque em suas propriedades é o omega 3, que nosso organismo não produz e obtemos na base da dieta, e os peixes são fonte rica. É excelente porque ajuda na redução do colesterol, triglicerídios. O produto tem uma variedade de nutrientes importantes. Os cuidados que se deve ter são iguais aos para qualquer outro alimento, na questão de higiene. Se for comprado no mercado, deve ser olhado a validade. Na feira, observar se tem algum furo, a coloração do peixe, olhar se a escamas estão firmes entre outros. Também podemos observar a temperatura que eles foram armazenados’’.

Fonte: Tribuna Independente / Texto: Lucas França

Comentários

MAIS NO TH