Economia

13 de novembro de 2019 17:14

Em Maceió, rendimento da pessoa branca é quase o dobro do da pessoa preta ou parda

É o que aponta estudo 'Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil' do IBGE

↑ (Imagem: Ilustração)

A diferença no rendimento entre as pessoas brancas e pretas ou pardas aumentou em Alagoas na série histórica de 2012 a 2018. É o que aponta o estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil”, divulgado nesta quarta-feira (13) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Na capital alagoana, segundo os dados do último ano, o rendimento médio mensal das pessoas brancas de 14 anos ou mais de idade ocupadas (R$ 2.815) foi quase o dobro em relação ao da pessoa preta ou parda (R$ 1.497). No estado, a pessoa branca recebe em média 1,7 vezes mais que a pessoa preta ou parda.

A série histórica também revela que a desocupação tem atingido com mais força as pessoas pretas ou pardas em Alagoas. O estado, inclusive, passou a ser o segundo do país com a maior taxa de pretos ou pardos que estão desocupados entre as pessoas com 14 anos ou mais de idade.

Em relação à renda, observou-se a diminuição da participação de pretos ou pardos entre os 10% mais ricos (de 60,8% em 2012 para 48,1% em 2018). Da mesma forma, houve um aumento da representação desse grupo entre os 10% mais pobres, passando de 80,2% em 2012 para 82% em 2018.

O estudo “Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil” faz uma análise das desigualdades entre brancos e pretos ou pardos ligadas ao trabalho, à distribuição de renda, à moradia, à educação, à violência e à representação política. Para isso, utiliza dados especialmente da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) de 2018.

As análises desse estudo estão concentradas somente nas desigualdades entre brancos e pretos ou pardos, devido às restrições estatísticas impostas pela baixa representação dos indígenas e amarelos no total da população brasileira quando se utilizam dados amostrais.

Cresce o número de pretos ou pardos no grupo dos que estão abaixo da linha da pobreza

Levando-se em conta o rendimento mensal real domiciliar per capita, os dados revelam que a população branca vivendo com até US$ 1,9 (PPC* 2011) por dia passou de 9,5% em 2012 para 11,8% em 2018, enquanto entre as pessoas pretas ou pardas saltou de 12,1% para 19,2%.

Utilizando o limite de até US$ 5,5 (PPC 2011) por dia, houve uma redução de 42,3% para 38,7% entre as pessoas brancas. Já entre os pretos ou pardos passou de 50,9% para 51,8%.

Representação política

Considerando que 73.4% da população de Alagoas é preta ou parda, a igualdade de cor ou raça na representação política não é proporcional. Dos 27 deputados estaduais, sete são pretos ou pardos (25,9%), percentual abaixo da média nacional (28,9%). Entre os 9 deputados federais, quatro são pretos ou pardos (44,4%), proporção superior à nacional (24,4%).

*PPC é a Paridade do Poder de Compra.

Fonte: Assessoria IBGE/AL / Texto: Caio Lorena

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