Economia

7 de setembro de 2019 07:06

Turismo arqueológico em Maravilha

Ótima opção para conhecer eras históricas da região sertaneja, numa cidade pequena e um museu pronto para visitação

↑ Escultura de uma preguiça gigante chama atenção de quem passa por Maravilha; réplicas foram criadas pelo artista Valdo Lima, de Carpina, PE; ossos do animal foram os primeiros descobertos na zona rural da cidade (Foto: Ascom / Prefeitura de Maravilha)

Alagoas é um estado de múltiplas facetas turísticas: praias entre as mais belas do mundo no litoral; cidade frias e aconchegantes na região serrana; cachoeiras e serras em grande parte dos municípios da zona da mata e um desconhecido, mas importante, parque dos dinossauros em boa parte do Sertão.

Bom exemplo disso é o pequeno município de Maravilha, pacato e fora do circuito turístico e cultural do Estado, que de repente passou a estampar as páginas dos jornais e ser conhecido pelos achados pré-históricos em seu território, exibidos atualmente em seu museu.

Foi a partir de uma descoberta casual, que se chegou ao conhecimento de um sítio com vasto material fóssil de animais pré-históricos, nas imediações da cidade.

O primeiro achado foi um pedaço de osso de uma preguiça gigante, encontrado por um agricultor quando arava terra no sítio Ovo da Ema. A partir de 1997, o paleontólogo Jorge Luiz Lopes começou a se dedicar ao estudo da área e a detectar fragmentos de ossos de animais gigantescos, que viveram há mais de 10 mil anos.

Vendo a importância do sítio descoberto, Jorge Luiz defendeu sua tese de doutorado sobre a região e, com o apoio da prefeitura, instalou em Maravilha um museu para onde levou seus achados.

O acervo compõe-se de esqueletos, em fragmentos grandes e pequenos, de preguiça-gigante, com quase seis metros de altura, de partes de esqueletos de tigre-dente-de-sabre, do toxodonte e do mastodonte, todos em excelente condição de estudo e de exposição, como também, partes de carapaças de um tatu gigante.

O museu foi montado em um prédio do começo do século XX, antes residencial, situado na praça principal. Em frente, como chamariz para a visitação, uma grande escultura de um tigre-dente-de-sabre, com revestimento que imita o pelo e dá à peça uma aparência que impressiona.

A instalação do museu tem gráficos e desenhos que ajudam a orientar o visitante no circuito expositivo e a facilitar a compreensão do acervo exposto. Enquanto as peças autênticas estão preservadas em vitrines, as réplicas estão ao acesso da curiosidade de todos, podendo ser tocadas e foram criadas pelo artista  Valdo Lima, de Carpina, Pernambuco.

RÉPLICAS

Para animar ainda mais a visitação a Maravilha, algumas dessas réplicas foram espalhadas na caatinga, próximo a cidade, surpreendendo quem chega ao município, mais precisamente no local onde ocorreram as escavações no Sítio Ovo da Ema, zona rural. O museu recebe muitos visitantes e estudantes da região, bem como de pesquisadores de outros estados e até de turistas estrangeiros e já se constituiu no principal ponto de atração turística da região.

O Museu de Paleontologia da Maravilha é hoje referência para pesquisadores de várias Universidades do Brasil e do Mundo. Mas a falta de divulgação tem sido um dos grandes problemas, já que depende de ajuda do município para continuar aberto.

O Museu chegou a ficar fechado por três anos, por falta de recursos. A solução, segundo moradores, seria o patrocínio de empresas privadas, para realmente transformar o museu e a própria cidade num centro de turismo arqueológico.

Museu Paleontológico foi fundado em 2007

 

Para quem quiser conhecer a cidade e o museu, o acesso se faz através da BR 316 e o museu funciona de terça-feira a domingo das 8 às 14 horas . A entrada é gratuita. A cidade não possui pousadas para turistas e para refeições as opções são poucos e muito simples, sem estrutura para receber grupos acima de 20 pessoas.

Ossos de animais gigantescos, que viveram há mais de 10 mil anos, estão no Museu Paleontológico; há réplicas para satisfazer curiosidade de visitantes (Foto: Ascom / Prefeitura de Maravilha)

O recomendado é que os visitantes procurem o município vizinho de Santana do Ipanema, que fica a pouco mais de 20 quilômetros e oferece restaurantes e hospedagens mais confortáveis.

MUSEU PALEONTOLÓGICO

O Museu Paleontológico Florentino Ritir foi fundado em 2007, após a descoberta de fósseis de mamíferos pré-históricos em sítios da região.

Os fósseis encontrados em Maravilha datam do Período Pleistoceno da Era do Gelo, entre 10.000 a 100.000 anos atrás, e são de mamíferos gigantes, como preguiças-gigantes e tigres-dente-de-sabre.

Todos os fósseis foram encontrados no Sítio Paleontológico Ovo da Ema, a 12 quilômetros do centro da cidade.

O museu é o único voltado exclusivamente à Paleontologia no Brasil e recebe visitas de pesquisadores de toda a América Latina, acadêmicos de universidades e alunos de escolas da capital e do interior.

Sua coleção é formada de fósseis da mega fauna do pleistoceno, que corresponde aos animais que viveram cerca de 37.000 anos atrás.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli

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