Economia

15 de junho de 2019 08:02

Excursões a shows fora da capital ganham força

No período junino, lucratividade em atividade aumenta 100%; viagens locadas têm mais conforto e segurança

↑ Excursão feita para Caruaru na temporada junina é um momento de alegria e de fazer novos amigos (Foto: Karol Santos / Cortesia)

Empresas que trabalham com excursões aumentam a lucratividade em temporada de festas juninas. Isso porque vem crescendo o número de pessoas adeptas às viagens bate e volta e a diversidade de festas é grande. Distância não é mais um fator de escolha na hora de se divertir, e ambos saem ganhando.

Além de abrir a temporada de festas tradicionais, junho também colabora com a economia por temporada e empresários alagoanos chegam a lucrar mais 100% com viagens ao interior e a outros estados no Nordeste. Ítalo Pimentel trabalha há apenas três anos fazendo excursões durante todo o ano, pela “Excursão da Farra”, e garante que é no mês junino que o lucro multiplica.

“A procura no mês de junho chega aumentar muito. Não consigo nem mensurar. Mas durante os outros meses do ano faço uma ou duas viagens por mês, em junho chego a fazer até 18 viagens. Minhas excursões são apenas para shows. Eles podem ser abertos ou privados, sempre estamos presentes. Eu acredito que o crescimento a cada ano aumente porque as pessoas preferem ir de ônibus de excursão por questão de segurança, além  também de poderem beber e curtir à vontade. O conforto também conta muito. Está incluso no nosso serviço de bordo água, cerveja, vodka e refrigerante pra galera já ir no “esquente”. Além da disponibilização de pulseiras de identificação e dos guias que vão a bordo”, explica o empresário.

Sobre os ônibus que pegam a estrada, Ítalo informa que para dar o melhor serviço aos clientes, a qualidade do veículo é primordial. “Nossos ônibus são terceirizados de empresas confiáveis. Eles têm ótimas condições de conforto, motoristas responsáveis que dirigem com atenção e a manutenção dos veículos sempre estão em dia”, informa.

Outro empresário que também lucra com o mês de junho é o Alan Melo. Ele é proprietário da “Excursões do Alan” e trabalha com essa atividade há 10 anos. Ele faz os bate e volta para shows em todo o interior e em outros estados também. E afirma que no mês de junho, o público aumenta, principalmente dependendo da programação.

“Durante junho não tem muita programação atrativa na capital, é tudo muito escasso. Acho que isso atrai as pessoas a irem a outros locais. Principalmente também pelo fato delas poderem conhecer festas em outras regiões e com o preço justo. Conforme a demanda, contratamos de forma terceirizada a quantidade de veículos para levar todo o pessoal. Durante este mês de junho temos viagens todos os fins de semana para Caruaru e Gravatá. A maior preocupação das pessoas é com a segurança e isso nós garantimos, pois viajamos com motoristas experientes e transportes de qualidade. Isso garante que os clientes possam ir e voltar sem preocupações.

BATE E VOLTA

O passo a passo para quem deseja embarcar nas excursões é simples e a facilidade maior ainda. Ainda de acordo com os empresários, eles anunciam a saída com dias de antecedência e dependendo do valor, dividem o pagamento via depósito com 50% antes da saída para garantir a vaga e a outra metade no dia da viajem, ou cartão. O serviço de bordo dá direito a cerveja, vodca, refrigerante e água.

Karol Santos é adepta às viagens de excursões. Ela não perde nenhum festejo junino por conta de distância e prefere ir de ônibus porque se sente mais segura. “Esse é o meu terceiro ano indo ao São João de Caruaru. As principais causas que me motivaram a ir e ônibus de excursão foram o conforto e comodidade. Geralmente ir de carro é perigoso por conta das estradas. Nós bebemos pra passar a noite inteira curtindo; ao final do show ter que dirigir é um risco. De excursão dá pra ir e voltar despreocupada”, informa Karol.

Além da segurança e comodidade, outro motivo que atrai o público na hora de escolher como ir aos shows, é a possibilidade de conhecer novas pessoas e lugares e ampliar as redes. Há 10 anos Anderson Cavalcante vai aos shows em excursões, e não perde a oportunidade de fazer novas amizades. “É muito bom ir com uma turma certa, pois a diversão é garantida. Mas também sempre dá pra conhecer novas pessoas. Já fiz muitas amizades, troquei contatos e depois marquei pra sair e até viajar. É muito bom”, diz Anderson.

Economista afirma que criatividade é a porta para o comércio temporário

 

Por questões de tradição local, as festas juninas movimentam a economia da região Nordeste como um todo, principalmente das cidades que organizam grandes festas, como Caruaru e Campina Grande, que disputam o título de “maior São João do Mundo”. Para a economista Larissa Pinto, o fato de Alagoas não ter festas juninas tão reconhecidas, não impede que haja aquecimento da economia local. Ela afirma que a chave do negócio é a criatividade.

“Dentro do setor da economia criativa, tem um ramo voltado especificamente para festas populares, por entender a importância e a força que esse ramo tem de movimentar a economia local. Neste momento de crise pela qual o país passa, é fundamental aproveitar essa oportunidade, para unir tradição cultural e geração de emprego e renda. Seja com a confecção de vestuário típico; com a venda de comidas típicas durante os chamados palhoções de bairro ou com as costureiras que trabalham na confecção das roupas utilizadas nas apresentações. Tudo colabora com a economia do comércio temporário”, afirma Larissa.

Sobre os empresários que investem em excursões durante junho, Larissa ainda faz uma orientação.

“Os festejos juninos são considerados um produto turístico muito forte na região Nordeste, visto que são capazes de atrair turistas de todos os cantos do país. Pela proximidade entre Maceió e as duas cidades com maiores festas juninas da região, Caruaru (225km) e Campina Grande (337km), quem também sai lucrando nessa época são as empresas alagoanas que trabalham com a organização de excursões. Esse é mais um exemplo de economia fortalecida nessa época. Mas o interessante é que os microempreendedores busquem formas de inovar para atrair essa quantidade de público o ano inteiro e não somente nessas épocas. Por tanto, o ideal é diversificar o serviço com criatividade”, orienta a economista.

Fonte: Tribuna Independente

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