Economia

9 de maio de 2019 09:23

Quatro mil alagoanos deixam planos de saúde

De acordo com economista Felippe Rocha, isso se deve a três fatores: desemprego, renda e reajustes das operadoras

↑ Planos de saúde (Foto: Agência Brasil)

Alagoas perdeu mais de quatro mil beneficiários de planos de saúde segundo dados divulgados nesta quarta-feira (8) pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). De acordo com a agência, em março deste ano eram 374.902 planos ativos. Já no mesmo período de 2018 a quantidade era de 379.337. Ou seja, uma redução de 4.435.

De acordo com o economista Felippe Rocha, a perda de clientes acontece em meio à estagnação da economia neste início de ano, aumento do desemprego e reajustes dos planos de saúde acima da inflação.

“São todos os três fatores. Em primeiro porque a taxa de desemprego no país não para de subir, em Alagoas, não é diferente. Somente no primeiro trimestre, a taxa de desemprego do Brasil, subiu para 12,7%, quando antes era 11,6% (alta de 1,1 p.p.). No Estado, a taxa de desemprego ainda não foi divulgada, mas já é sabido que nesse primeiro trimestre, o número de postos desligados foi de 16.925. Logo, a tendência é que a taxa de desemprego de Alagoas também apresente alta”, explica o economista.

Este foi o caso do promotor de eventos Rafael Tenório que deixou o plano por conta do reajuste dado pela operadora. “Deixei porque atingi uma determinada idade e o plano iria ficar bem mais caro, e não poderia ficar vinculado ao da minha mãe. Na época, iria aumentar 100 reais. Que por sinal é um aumento considerável. Agora, faço parte dos usuários do SUS {Sistema Único de Saúde}”.

Já o jornalista Erick Balbino cancelou por outros dois motivos. “O primeiro ponto que me levou a cancelar foi o valor. Depois avaliei a demora em agendar uma consulta. Muitos médicos dificultam o agendamento de consulta quando você diz que é via plano de saúde. Teve momentos em que eu preferi pagar consulta particular a esperar 4/5 meses pelo plano”, conta.

Rocha esclarece que como a renda dos alagoanos diminuiu, é comum a redução nos planos de saúde. “Somente com os dados de postos de trabalhos fechados já dá para saber que a renda individual e familiar foi reduzida drasticamente, tornando inviável a manutenção dos planos de saúde e causando superlotação das UPAs (Unidade de Pronto Atendimento) e hospitais públicos, onerando ainda mais os cofres públicos”, relata.

O economista explica ainda quer como muitos empregos concediam plano de saúde empresarial e vários postos foram fechados, acabou contribuindo para a saída de alagoanos. “Como muitos empregos concediam plano de saúde empresarial, e o número de postos desligados no primeiro trimestre deste ano já nos ajuda a compreender que boa parte dos postos possuía tal benefício, dessa forma a redução da contratação de planos de saúde também caíram”.

Planos odontológicos mantêm crescimento no estado, diz IBGE

 

Já os planos odontológicos tiveram um aumento de 17.352 usuários em Alagoas, em um ano segundo a ANS.  Em março de 2018 eram contabilizados 259.772, já no mesmo período deste ano são 277.124.

Ainda de acordo com o levantamento da agência, essa tendência de aumento vem acontecendo em todo o país. Em março, o setor contabilizou 47.053.184 beneficiários em planos de assistência médica e 24.479.494 em planos exclusivamente odontológicos.

Nos planos odontológicos, a tendência de crescimento no quantitativo de beneficiários se mantém.

Houve aumento em 24 estados e no Distrito Federal, sendo São Paulo o destaque em números absolutos deste segmento, com 535 mil beneficiários a mais no período de um ano.

Cabe ressalta que os números podem sofrer modificações retroativas em função das revisões efetuadas mensalmente pelas operadoras.

BRASIL

Em todo o país, o setor de assistência médica contabilizou 47,053 milhões em março, antes  era 47,096 milhões. Este é o patamar mais baixo desde março do ano passado (47,01 milhões).

A maior queda tem sido verificada entre os clientes de planos individuais. Em um ano, o total de associados a este tipo de assistência médica caiu 11% (menos 104 mil clientes), para 9,049 milhões em março.

Já o número de clientes de planos empresariais cresceu 5% (173 mil clientes a mais) na comparação com março do ano passado, reunindo atualmente 31,4 milhões de brasileiros.

Atualmente, existem no país 18.300 planos ativos de 766 operadoras, segundo a ANS.

Trata-se da 4ª queda mensal seguida e o patamar mais baixo desde março do ano passado (47,01 milhões), segundo os dados da ANS. De dezembro a março, os planos de saúde perderam um total de 212.595 clientes.

Fonte: Tribuna Independente / Lucas França

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