Economia

30 de agosto de 2018 17:35

Dólar sobe de novo e bate segundo maior valor do Plano Real

Na máxima do dia, moeda foi a R$ 4,2155, com quase 2,5% de valorização

↑ Imagem ilustrativa

A disparada do dólar acima de R$ 4,20 nesta quinta-feira (30) obrigou o BC (Banco Central) a atuar no mercado de câmbio, A ação aliviou a pressão de alta, mas não impediu que a moeda norte-americana renovasse a segunda maior cotação do Plano Real.

Uma combinação de cautela com a cena eleitoral e preocupações com a situação da Argentina puxaram a moeda norte-americana em uma sessão altamente volátil.

Na máxima do dia, a moeda foi a R$ 4,2155, com quase 2,5% de valorização. Por outro lado, a divisa chegou a R$ 4,1197 na mínima. No fechamento, a moeda avançava 0,78%, a R$ 4,1463 na venda. O dólar futuro avançava 0,85%.

“Não havia nenhuma demanda genuína por dólar em R$ 4,20, era apenas efeito manada”, argumentou o diretor de Tesouraria de um grande banco estrangeiro.

O BC, percebendo o movimento, não perdeu tempo. Anunciou leilão de até 30 mil contratos de swap cambial tradicional — equivalentes à venda futura de dólares —, o equivalente a US$ 1,5 bilhão, mas só conseguiu completar a venda em uma segunda oferta, minutos depois.

Essa atuação extraordinária, no entanto, pode não ter passado dum movimento pontual, sem necessariamente se manter nos próximos pregões, avaliaram especialistas. A última vez que o BC tinha feito oferta adicional de swaps foi em junho deste ano, depois que a greve dos caminhoneiros acabou levando a uma reprecificação dos ativos.

A autoridade já havia concluído mais cedo a rolagem dos contratos de swaps que venciam em setembro, totalizando 5,255 bilhões de dólares.

Em outubro, segundo dados do site do BC, vencem US$ 9,801 bilhões em contratos de swap e há uma expectativa no mercado de que o BC, a exemplo do que fez com a linha também possa anunciar após o fechamento do mercado sua intenção de rolar integralmente esse volume, para evitar qualquer especulação.

A valorização do dólar nesta quinta-feira teve influência do avanço ante divisas de emergentes no mercado externo e também a cautela com a cena eleitoral. O movimento ganhou tração quando a Argentina elevou os juros a 60% ao ano, de 45%, o que causou um movimento forte de stop loss (quando o investidor zera posição para reduzir as perdas).

“A Argentina foi a cereja do bolo hoje”, disse o diretor de operações da Mirae, Pablo Spyer, ao comentar o cenário nervoso desta quinta-feira.

Embora os especialistas comentem que o quadro doméstico é diferente do argentino, por exemplo, com nossas contas externas muito mais saudáveis, os investidores acabam promovendo ajustes generalizados em suas carteiras de emergentes quando há preocupação em algum dos lugares em que investem.

Fonte: Reuters

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