Economia

17 de julho de 2018 09:02

Usina Santa Maria paralisa atividades

Com salários atrasados, trabalhadores param em Porto Calvo e agravam crise sucroalcooleira que avança em Alagoas

↑ Parte das instalações da Usina Santa Maria, cujos trabalhadores estão sem receber salários há dois meses (Foto: Divulgação)

A crise da indústria sucroalcooleira alagoana parece não ter fim. Depois de sofrer seguidas baixas com o fechamento de usinas, demissão de milhares de trabalhadores e diminuição da produção de açúcar e álcool, a trajetória negativa atinge mais uma usina. Dessa vez foram os 800 trabalhadores da Usina Santa Maria, em Porto Calvo, que resolveram cruzar os braços e pararam definitivamente a produção.

Primeiro a denúncia, que foi feita pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais do município, alegando que cerca de 800 trabalhadores da Usina Santa Maria estão com o pagamento salarial em atraso há pelo menos dois meses, além de outros direitos trabalhistas. Em seguida o anúncio de que todos os funcionários resolveram cruzar os braços. A usina, que já está parada há dois meses, sentiu o golpe e paralisou de vez as atividades.

O presidente do sindicato, Josival Vicente, afirmou que os trabalhadores rurais têm ido com frequência à sede da usina para pedir o pagamento dos vencimentos e o retorno ao trabalho. Segundo ele, o sindicato está cheio de gente passando fome e necessidade, agravando o quadro social da região. “São mais de dois meses de atraso salarial e parte do 13º também. As rescisões de contrato, de quando termina a safra, não pagam, e os acordos estão em atraso”, detalha o presidente.

Se por um lado a direção da usina reconheceu não ter condições de dar continuidade aos serviços diante da insistência dos trabalhadores, que pedem um posicionamento concreto relação à situação, os mesmos devem se reunir na próxima semana para acertar quais ações o movimento deve tomar. A reportagem entrou em contato com a usina, mas o principal número está sem receber ligações.

A mais recente baixa na indústria sucroalcooleira foi em janeiro, quando a Usina Cachoeira do Meirim, fechou as portas aniquilando 2.200 postos de trabalho no campo e na indústria. Apesar da decisão repentina, o fechamento de usinas em Alagoas está longe de ser novidade. Tanto é que em outubro do ano passado, sete usinas e duas empresas ligadas a Cooperativa dos Usineiros anunciaram sua entrada em regime de recuperação judicial.

E nos últimos seis anos, pelo menos seis das 24 usinas de Alagoas fecharam as portas e não abriram mais. A lista inclui Laginha, Guaxuma, Capricho, Porto Alegre, Sinimbu, Roçadinho e Triunfo. A Uruba, depois de fechada, foi reaberta por uma cooperativa. Nesse período, a safra de cana-de-açúcar de Alagoas despencou. A média de produção do Estado, que era de 28 milhões de toneladas por ciclo, caiu para 16 milhões de toneladas.

Agravado pela seca, o “drama” do setor sucroalcooleiro de Alagoas ganha contornos de tragédia com a perda de mais de 50 mil empregos diretos. Não é só. Apenas nos últimos quatro anos, as usinas do Estado perderam faturamento equivalente, a preços de hoje, a R$ 8 bilhões. É um dinheiro que equivale ao Orçamento fiscal de Alagoas e cuja ausência de circulação afeta toda a economia alagoana.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli

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