Economia

26 de julho de 2017 18:40

Saída de dólares do país soma US$ 2,88 bilhões na parcial de julho

Segundo o BC, movimento de saída se intensificou após agravamento da crise causada pelas denúncias envolvendo Michel Temer

A retirada de dólares da economia brasileira superou o ingresso da moeda norte-americana em US$ 2,88 bilhões na parcial de julho até a última sexta-feira (21), de acordo com informações do Banco Central. Em junho, US$ 4,3 bilhões já haviam deixado a economia brasileira.

A evasão de divisas acontece após o agravamento da crise política provocado pelas delações de executivos do frigorífico JBS e que envolvem o presidente Michel Temer. Com base nas delações, a Procuradoria Geral da República denunciou Temer por crime de corrupção passiva.

No acumulado deste ano, até a última sexta-feira, porém, o ingresso de dólares supera as retiradas em US$ 4,59 bilhões. No mesmo período do ano passado, US$ 9,84 bilhões haviam sido retirados do Brasil.

Impacto no dólar

A saída de dólares favorece, em tese, a alta da moeda em relação ao real. Isso porque, com menos dólares no mercado, seu preço tenderia a subir.

Na parcial de julho, porém, o dólar vem registrando queda. No fim de junho, a moeda norte-americana estava em R$ 3,31 e, nesta quarta-feira, por vota das 12h30, estava cotada a R$ 3,16.

Segundo analistas de mercado, além do fluxo de dólares, outros fatores influenciam a cotação da moeda, como o cenário político interno e externo e o processo gradual de alta dos juros nos EUA, que tende a atrair capital para aquela economia.

Os investidores também continuam de olho no cenário fiscal do país, após a suspensão do aumento dos impostos sobre combustíveis pela Justiça. O governo recorreu da decisão e argumentou que, sem essas receitas, a máquina pública pode ser afetada.

Além disso, também monitoram o Federal Reserve, banco central norte-americano, que se reúne nesta quarta e as expectativas do mercado são de que os juros dos Estados Unicos serão mantidos. Se as taxas subirem por lá, o país se torna mais atrativo para investidores, o que motivaria uma tendência de alta do dólar em relação a moedas como o real.

Interferência do BC

Outro fator que influencia a cotação do dólar são as operações de swap cambial, que funcionam como uma venda futura de dólares, ou de “swaps reversos”, que funcionam como uma compra de dólares no mercado futuro.

Nestas operações, o BC faz oferta de dólares para tentar controlar a cotação da moeda e impedir grandes oscilações. Além disso, essas operações servem para oferecer garantia (hedge) a empresas contra a valorização do moeda.

O BC realiza nesta sessão novo leilão de até 8,3 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, para a rolagem dos contratos que vencem em agosto.

Fonte: G1

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