Economia

25 de dezembro de 2016 12:16

Preço médio do leite cai 20% entre agosto e novembro no Brasil

Segundo semestre foi difícil para os produtores de leite, segundo Cepea

Os produtores de leite estão vivendo um segundo semestre difícil. O preço não para de cair, na Zona da Mata de Minas Gerais.

O criador Willian Horta aumentou o rebanho recentemente. Acreditava em uma reação dos preços pagos pelo litro do leite. “Estava tão animado que no mês passado eu fui no sul de Minas e comprei mais dez novilhas excepcionais para aumentar a produção, devido ao preço do leite que estava R$ 1,85, dando para manter a propriedade e ainda sobrando alguma coisa”, fala o criador.

Só que agora o que está sobrando é dor de cabeça. A propriedade dele fica em Leopoldina, na Zona da Mata mineira. A produção é de 250 litros de leite por dia. O criador tem 60 animais; 25 em lactação. Só que neste mês, o valor que está recebendo pelo litro caiu para R$ 0,93.

“O meu prejuízo mensal fica entre R$ 2,5 mil e R$ 3 mil por mês. Essa é a verdade. O que eu produzo não dá para cobrir as despesas e salve a minha aposentadoria, que tenho que jogar aqui dentro”, conta William.

Para tentar economizar, ele mexeu na alimentação do gado; cortou a ração e está dando só capim e cevada.

A região de Leopoldina é considerada a principal bacia leiteira da Zona da Mata. São 500 produtores que fornecem cerca de 150 mil litros de leite por dia. Produção que está sendo afetada principalmente por causa do preço pago ao produtor, que está em queda pelo quarto mês consecutivo.

O avanço da safra em grande parte do Brasil, que aumenta a produção e a captação de leite pelas indústrias, é um dos fatores que têm desacelerado o preço. O valor médio em todo o país foi de R$ 1,39 em outubro, queda de 8,5% em relação ao mês anterior. Os dados são do Cepea, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Universidade de São Paulo.

Na cooperativa que recebe toda a produção de leite da região, o preço médio pago ao produtor caiu 35% desde julho: foi de R$ 1,85 para R$ 1,20 o litro, e segundo o presidente da Cooperativa dos Produtores de Leite de Leopoldina, Marcelo Vieira, pode haver uma redução de mais R$ 0,05.

“Segurar o preço vai depender do mercado mês de dezembro janeiro. O consumo cai e todo mundo tem consciência que o mercado é soberano, quem dita a regra é o mercado. Lei da oferta e procura. Então a gente tem que esperar para ver o que vai acontecer”, afirma.

Para entender melhor esse sobe e desce dos preços, a equipe do Globo Rural foi até a Embrapa Gado de Leite, que fica em Juiz de Fora. Para o economista Glauco Carvalho, esse ano foi uma surpresa.

“Nas principais bacias leiteiras do país, o movimento foi muito parecido. A gente teve período muito forte de subida de preços e aí, no segundo semestre, com período normal de sazonalidade de queda, os preços recuaram também numa intensidade que não esperava. De um mês para o outro, os preços foram caindo R$ 0,20, R$ 0,30 no valor pago ao produtor. Um fator que foi primordial para o movimento de preço esse ano foi a alta que a gente teve nos preços do milho. Houve uma quebra na safra de inverno os preços do milho subiram de uma forma muito acentuada e isso afetou a rentabilidade do produtor”.

Mas Glauco acredita que a situação deve melhorar. “A queda está meio que chegando ao fim. O cenário para 2017 é um pouco melhor. A gente vê que o mercado internacional está reagindo e essa reação do mercado internacional com uma desvalorização da nossa taxa de câmbio deixa a competitividade, a nossa importação, um pouco melhor. E isso acaba segurando o mercado brasileiro”.

É nisso que seu produtor de leite, Marco Aurélio Marcondes Siqueira, está apostando para tentar continuar com a produção. O trabalho diminuiu muito nos últimos meses. Das 40 vacas ele chegava a tirar até 700 litros de leite por dia, agora só 300 litros. “Estou descartando animais, vendendo para corte para continuar na atividade”.

Em todo o Brasil, o preço médio do litro de leite caiu 20% entre agosto e novembro de acordo com o Cepea, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo.

Fonte: G1

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