CSA

1 de dezembro de 2018 14:10

Ídolo do CSA, Paranhos relembra carreira vitoriosa

Campeão alagoano em 1967, 1968, 1971 e 1980, ele não deixa torcida pelo clube

↑ Paranhos fala sobre frustração com João Lyra quando voltou ao CSA (Foto: Adailson Calheiros)

Às vésperas de completar 71 anos, na próxima segunda-feira (3), Marivaldo Paranhos Prado, ou simplesmente Paranhos, visitou a Tribuna Independente nesta semana e falou com um misto de emoções sobre o momento que o CSA vive em contraponto à falta de reconhecimento dos ídolos do passado glorioso.

Nascido no bairro do Mutange em Maceió, em 3 de dezembro de 1947, Paranhos começou no clube desde as categorias de base na zaga.

“Iniciei minha carreira em 1963. Meu pai não queria que eu fosse jogador, apanhei muito. Com o bom desempenho no juvenil, Roberto Mendes me chamou para o profissional“, diz o ex-zagueiro.

Ele foi reserva nas duas primeiras campanhas do tetra do CSA, em 1965 e 1966, e titular absoluto em 1967 e 1968. Após um bi do CRB, voltou a ser campeão em 1971 e saiu para o São Paulo em 1972, mas quase assinou com o Corinthians um pouco antes.

Ficou cinco anos no clube paulista onde foi vice-campeão brasileiro de 1973 e da Libertadores de 1974, perdendo para o Independiente.  Ele relembra a invencibilidade de 46 partidas pelo São Paulo entre 1974 e 1975 uma das maiores do país.

CSA campeão alagoano de 1980 conseguiu evitar pentacampeonato do CRB; feito ainda é inédito no estado (Foto: Reprodução / Revista Placar)

“O time foi campeão paulista em 1975, foi quando a nossa defesa foi a menos vazada e passamos pelo São Paulo 46 partidas invictos [entre 1974 e 1975], um fato inédito”, destaca.

Neste ano de 1975 ele lembra com tristeza de sua quase convocação para a seleção brasileira, então treinada por Oswaldo Brandão, para jogo contra o Peru.

Em seu  lugar foi convocado Miguel que acabou falhando em dois gols e o Brasil terminou perdendo para os peruanos. “Eu digo, um daqueles gols eles fariam, mas os dois não fariam. Eu era seguro, ninguém brincava na minha frente“, relata Paranhos ‘Paulada‘, como foi apelidado nos tempos de tricolor paulista.

Com a chegada de Rubens Minelli acabou saindo para o Santa Cruz em 1977. “Fomos bicampeões”. O clube pernambucano excursionou pelo Oriente Médio e Europa em 1979, jogou 12 vezes contra seleções como a do Kuwait e Romênia, além de clubes como o PSG, e não perdeu nenhuma partida, ganhando a Fita Azul de 1979.

Após o Santa e antes de voltar ao CSA, Paranhos passou cinco meses no Colorado do Paraná, onde jogou apenas 13 jogos, mas participou da campanha do único título do clube, o Campeonato Paranaense de 1980.

“Joguei em 1980 tomando infiltração”

Em 1980, Paranhos recebeu a ligação do presidente do CSA à época, João Lyra. “João Lyra me liga: ‘Paranhos, estou precisando de você aqui para ser campeão, CRB vai pro penta’”.

O ex-zagueiro fala que o presidente passou por ele e nem sequer retribuiu um bom dia. “Foi minha primeira decepção. Meu irmão, só faltei cair. Só não fui embora porque sou daqui, senão primeiro avião iria embora, que bom dia não se nega nem a um cachorro”, afirma.

Os jogos também não estavam sendo fáceis, ele vinha de uma lesão na coxa adquirida durante treino no Paraná. “Comecei a jogar tomando infiltração, coisa que eu nunca tinha feito. Chamei a responsabilidade dos jogadores, eu como capitão. Pegamos o ASA, com Romel e Freitas. Marcamos em cima e ganhamos. Aí veio o jogo com o CRB, que tinha um timão. A gente jogava pelo empate, foi fogo. E foi 1×1 e fomos campeões”, declarou.

No começo da temporada de 1981, o CSA, vindo do vice da Taça de Prata, disputou a primeira divisão, porém o jogo de estreia acabou sendo o último de Paranhos na carreira.

“Jogamos em Minas Gerais, perdemos do Atlético de 3×0, joguei mal, quando voltamos, para jogar contra o Fluminense o treinador mandou o roupeiro me dar a camisa do time de baixo. Mandei dizer ’diz ao treinador que estou saindo que minha perna está doendo’. Queriam me deixar na concentração. ‘Se eu não fiquei no banco do São Paulo vou ficar aqui, rapaz?’ E não me dispensaram, por seis meses que fiquei lá. Queriam me vender para o Santa Cruz do RS, tinha 33 anos nessa época. Agradeci o interesse e disse que parava por aqui”.

Ex-zagueiro lamenta falta de reconhecimento do clube

Sobre o status de ídolo, Paranhos diz que é direito adquirido. “Por tudo que eu fiz dentro do CSA, mas são os péssimos dirigentes, toda regra tem exceção, que dizem ou têm a memória curta. Se tem uma festividade no Mutange, o que é que o jogador quer pelo amor de Deus? Dê um telefonema, um convite, o cara vai se sentir orgulhoso”, ressalta.

O ex-zagueiro afirma que o reconhecimento pelo seu trabalho no São Paulo é feito frequentemente.

“Fui quatro vezes homenageado pelo São Paulo, com passagem aérea, hospedagem, chego lá tá o cara com a plaquinha no aeroporto, leva a gente pro hotel, outros jogadores, aquele clima gostoso, você bater papo com aqueles caras, a besta leva a gente no estádio, churrasco”, relatou o azulino de coração, que nunca deixou de comparecer aos jogos do CSA.

Ele afirma que sua imagem foi retirada de galeria de fotos no CT do Mutange. “Um quadro com uma foto minha que tem lá, na sala VIP Marivaldo Paranhos. Quando cheguei lá não tava minha foto, fui perguntar ao presidente o porquê daquilo, mas estava a de Felipão, de Soareste, do Gabiru, do Peu, do Sousa. Estava lá e retiraram a minha foto. Mas eu vou chegar lá no Mutange qualquer dia desses, agora não me deixem entrar pra ver se eu não derrubo aquele portão”, desabafa.

Além disso, Paranhos falou sobre o momento do clube. “Tenho que adorar a campanha do CSA, ótimo, que eu quero que ele suba, cresça mais, mas eu dei os meus primeiros passos ali dentro, um cara da minha formação, eu chegava pros jogadores dos juniores, aconselhava, vim lá de baixo. Nasci ali no Mutange”, encerra.

Fonte: Bruno Martins

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