Cooperativas

Catadores ganham alimentação gratuita e cooperativas pagam 30% a mais para combater exploração no Carnaval

Por Portal Umbu 17/02/2026 15h56
Catadores ganham alimentação gratuita e cooperativas pagam 30% a mais para combater exploração no Carnaval
Ações da Prefeitura e de entidades garantem café, almoço e preço justo pelo material reciclável; meta de produtividade oferece bônus de R$ 50 - Foto: Reprodução

Eles são os responsáveis por manter a festa limpa e o meio ambiente protegido, mas muitas vezes passam despercebidos na multidão. Neste Carnaval, no entanto, catadores de materiais recicláveis contam com uma rede de apoio dupla: de um lado, a garantia de alimentação gratuita pela Prefeitura; do outro, o combate à exploração financeira através das cooperativas.

Barriga cheia para trabalhar

Antes mesmo do primeiro trio sair, o dia começa com café reforçado nas bases do Catafolia, projeto da Secretaria de Promoção Social (Sempre). São duas unidades estratégicas: uma no Dois de Julho (Circuito Osmar) e outra em Ondina (Circuito Dodô).

Diariamente, o município distribui 1.600 refeições (café e almoço) para os trabalhadores cadastrados, além de kits de higiene e EPIs. A expectativa é servir 10 mil refeições até a terça-feira de Carnaval.

“Vim de São Paulo passar o Carnaval e trabalhar. É a primeira vez e estou gostando. É importante reconhecer quem está em situação vulnerável”, elogiou o reciclador Everton Alves, de 32 anos.

Combate aos atravessadores

Enquanto a Prefeitura garante a segurança alimentar, 14 cooperativas, como a Cooperativa de Catadores Agentes Ecológicos de Canabrava (Caec), lutam pela segurança financeira. A estratégia é simples: pagar mais para eliminar a figura do “atravessador”, o intermediário que lucra em cima do trabalho alheio.

A diferença no bolso é gritante. Enquanto o mercado informal paga em média R$ 6 pelo quilo da latinha, as cooperativas pagam R$ 8, uma valorização de mais de 30%. Além disso, há balanças digitais honestas e bônus de produtividade: a cada 15kg de plástico ou PET, o catador recebe R$ 50 extras.

“Quando o catador vende para o atravessador, ele fica vulnerável. Na cooperativa, ele tem preço justo e equipamentos de segurança. Isso muda tudo”, afirma Jacson Lemos, técnico da CAEC.

Sonho de Recomeço

Para Elielson Santos, que atua no circuito Barra-Ondina, a iniciativa vai além da renda extra. “Esse trabalho está me dando proteção. Meu sonho é sair da rua, alugar uma casa e reconstruir minha vida. Com a cooperativa, acredito que isso é possível”, projeta o catador.

A ambulante Francislene Xavier também aproveita para incrementar o lucro: “O pessoal bebe e joga a latinha no meu saco. Trago aqui e já garante o café e o almoço”.