Cooperativas

28 de julho de 2021 11:35

Desamparadas na pandemia, imigrantes criam cooperativa de costura em SP

O grupo de mulheres produz desde bolsas a biquínis, camisas, calças, um pouco de tudo

↑ Grupo de 22 mulheres bolivianas quer sair da exploração e aumentar rendimento de suas famílias (Foto: Divulgação)

Janeth Valesco, 23 anos, é imigrante boliviana e vive no Brasil há 6 anos. Com a pandemia e as dificuldades de trabalhar, ela e mais 22 mulheres bolivianas se juntaram e criaram a cooperativa “Emprendedoras Sin Fronteras” com foco na costura.

O grupo de mulheres produz desde bolsas a biquínis, camisas, calças, um pouco de tudo. Janeth diz que para a população imigrante conseguir trabalho tem sido difícil e por isso se viu na necessidade de dar as mãos às suas companheiras e tocar a cooperativa.

Outro motivo da criação da cooperativa foi principalmente o quanto elas eram exploradas em trabalhos posteriores. Janeth comenta casos de exploração de mão de obra barata em que companheiras suas chegavam a trabalhar das 7h às 23h. E com a criação da cooperativa o objetivo tem sido romper essa exploração.

Além disso, muito imigrantes que vivem no Brasil e aguardam regularização de sua situação ficaram em compasso de espera durante a pandemia, porque os serviços foram suspensos. Com isso, muitos deles caíram em um limbo legal e tiveram, inclusive, dificuldades para conseguir atendimento médico. Saiba mais neste episódio do podcast Conversa de Portão.

A costura tem sido o sustento das famílias dessas mulheres e ela ressalta a vontade de conseguir fortalecer e crescer a cooperativa, “Somos bolivianas e queremos ser pessoas lutadoras para conseguir seguir em frente neste país”, conta ela, que se mudou para o Brasil exatamente em busca de melhores condições de vida.

Infelizmente elas ainda não conseguem viver somente da cooperativa, o que consequentemente as obriga a aceitar trabalhos nos quais acabam exploradas. O objetivo do grupo tem sido expandir as produções e parcerias.

O projeto acontece na Casa do Povo, localizada no bairro do Bom Retiro, na cidade de São Paulo, e aceita doações de tecidos e parcerias entre marcas, buscando pagar um valor justo às costureiras.

Janete diz que não há dias fixos para trabalhar, pois depende das demandas de pedidos. Ela diz que seu sonho tem sido permanecer no Brasil e ganhar um salário justo, “Quero muito que eu minhas companheiras vivamos somente da cooperativa para que possamos seguir em frente neste país bonito.”

Os pedidos, parcerias e doações podem ser articulados a partir do perfil do instagram da cooperativa

Fonte: Glória Maria Colaboração para o Ecoa, em São Paulo

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