Cooperativas

16 de maio de 2020 19:14

‘O cooperativismo financeiro nasceu para ajudar pessoas’

Taís Di Giorno, presidente executiva do Sicoob Cecres, cooperativa com sede em São Paulo, foi entrevistada pelo portal Easycoop

↑ Taís Di Giorno (Imagem: Reprodução)

O mundo vive um momento difícil. A pandemia do novo coronavírus nos trouxe uma dura realidade e como o cooperativismo está enfrentando essa dura realidade. No portal EasyCOOP temos publicado várias ações sociais que cooperativas em todo o Brasil tem feito em prol do próximo. Exercendo a preocupação com a comunidade.

O cooperativismo financeiro cresce a passos largos nos últimos anos e nesse instante tem contribuído para ajudar os brasileiros. É esse o tema da entrevista com a Taís Di Giorno, presidente executiva do Sicoob Cecres, cooperativa com sede em São Paulo. Pontos, como a importância do cooperativismo financeiro nesse momento de pandemia. Confira a entrevista abaixo.

EASYCOOP – Vivemos um momento muito difícil. Como o cooperativismo se torna uma ferramenta de ajuda durante essa pandemia?

Taís Di Giorno – O mundo passa por uma crise sanitária, cujo colateral é a crise econômica; o risco de uma recessão existe e as pessoas e empresas precisarão de recursos financeiros com custo baixo para ajudar na travessia e no pós-crise.

Na linha de raciocínio lógico, acredito que a saída da segunda crise seja o crédito e as cooperativas financeiras oferecem essa linha a custo mais muito mais baixo que o praticado pelo sistema financeiro tradicional, além de condições de parcelamento mais vantajosas.

O cooperativismo financeiro nasceu para ajudar pessoas e esse é o momento oportuno para as pessoas recorrerem a empresas humanizadas e o segmento poderá ser um dos protagonistas nesse cenário.

EASYCOOP – O Sicoob Cecres tem feito várias ações de doação. Como está sendo essas ações?

Taís – Sim, o Sicoob Cecres se destaca por suas ações sociais e nesse momento as intensificamos. Estamos trabalhando fortemente com as cooperativas de recicláveis, haja vista que tais serviços foram suspensos pelas prefeituras e existem inúmeras famílias que dependem exclusivamente desse trabalho tão nobre para sobreviver.

Realizamos a doação de mais de uma tonelada de alimentos, máscaras, álcool gel, produtos de higiene pessoal, vestimenta, entre outros.

O Sicoob Cecres está criando seu próprio Instituto Social, PERTEN*SER, que irá trabalhar em parceria com os objetivos de desenvolvimento sustentáveis da ONU. Trabalharemos: “Água e Saneamento” e “Trabalho Digno”, estamos estudando iniciarmos com a implantação de esteiras nas cooperativas de reciclagem, o que proporcionará ganho de produtividade, segurança, aumento de renda e dignidade aos associados dessas cooperativas.

EASYCOOP – Falando um pouco mais sobre cooperativismo de crédito. Esse setor é responsável para a bancarização de muitos brasileiros, onde os bancos tradicionais não chegam. As cooperativas de crédito poderiam ser parceiras do governo, por exemplo, no pagamento do auxílio emergencial?

Taís – Sim, um dos principais pilares do segmento é a inclusão financeira, existem cerca de 45 milhões de não bancarizados no Brasil e as cooperativas fazem um trabalho muito inclusivo com essas pessoas, além de se fazerem presentes em regiões onde não há agências bancárias, como em algumas comunidades periféricas. Sobre o auxílio emergencial, sim, as cooperativas, assim como todas as instituições financeiras, estão habilitadas a disponibilizar o recurso, desde que os associados informem ao Ministério da Economia e Banco do Brasil que a conta destino para o auxílio emergencial será a mantida em sua cooperativa.

O SicoobCecres tem atuado fortemente com suas pessoas físicas e jurídicas, contatando cada associado e se fazendo ainda mais presente nesse momento difícil; entendendo cada necessidade individualmente, para assim oferecer uma solução comercial humanizada sob medida para cada demanda de seus sócios.

EASYCOOP – No pós pandemia, o cooperativismo terá um papel importante em ajudar na recuperação da economia e na geração de trabalho e renda?

Taís – Sim. Acredito fortemente que o cooperativismo crescerá de forma exponencial nesse momento de Covid-19 e poderá ampliar sua participação no sistema financeiro nacional. Dessa forma mais pessoas irão conhecer e aderir ao sistema cooperativista. É uma grande oportunidade do tão dito ganha-ganha, os associados ganham, o sistema se fortalece e esse ciclo de economia colaborativa se retroalimentará, a exemplo do que acontece nos países mais desenvolvidos.

EASYCOOP – Nessa pandemia, qual o ensinamento podemos tirar?

Taís – Acredito que muitos, um deles é o avanço da tecnologia, a história contará o quanto o mundo deu um salto tecnológico meteórico, advindo da necessidade apresentada pela pandemia. O analfabetismo digital foi reduzido, as empresas estão trabalhando com mais objetividade, plasticidade e assertividade. Tivemos um grande avanço na consciência da relevância da atuação do terceiro setor, na humanização das empresas em seus pacotes de enfrentamento à crise, nas pessoas exercitando a compaixão. O consumo exacerbado também é algo que as pessoas repensarão e, certamente refletirá em novos comportamentos. Acredito que esses sejam os principais em minha visão, mas poderia citar a consciência ambiental, valores pessoais, entre outros.

Fonte: Easycoop / Texto: Manoel Paulo

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