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16 de maio de 2020 19:01

Diteal recorda momentos marcantes do Dia Alagoano do Teatro em vídeo institucional

Cenas de espetáculos e depoimentos de artistas fazem alusão à data, que homenageia Linda Mascarenhas, ícone do teatro alagoano

↑ Teatro Deodoro (Foto: Jonathan Lins / Divulgação)

O Dia Alagoano do Teatro não é uma data meramente comemorativa, se trata de um momento oportuno para destacar uma figura importante nas artes cênicas de Alagoas, Linda Mascarenhas, enaltecer o seu legado e reforçar que a sua luta pela valorização do teatro de Alagoas e de seus artistas, do passado e do presente, não ficou para trás, permanece atual.

A Diretoria de Teatros do Estado de Alagoas (Diteal) vem, ao longo dos anos, promovendo uma programação que inclui a realização de espetáculos locais e atividades formativas para os profissionais da área. Havia um projeto com estes mesmos propósitos para 2020, mas, diante da pandemia da covid-19, não foi possível promover ações nos palcos do Teatro Deodoro e de Arena Sérgio Cardoso, neste momento, terão de ficar para o tempo certo, de maneira que garanta a segurança de todos. Com o atual cenário, a equipe teve de se reinventar e produziu um vídeo institucional para que a data não passe em branco e que a bandeira da valorização da arte e da cultura da nossa terra seja levantada.

O Dia Alagoano do Teatro foi instituído em 2001 e, desde então, é comemorado em 14 de maio, aniversário de Linda Mascarenhas. Atriz, dramaturga, professora e ativista cultural, ela é considerada grande ícone do teatro alagoano. Fundadora da Associação Teatral das Alagoas (ATA) e da Associação dos Cronistas Teatrais de Alagoas, participou ainda do movimento que resultou na criação da Federação Alagoana de Teatro Amador e do Grupo Literário de Alagoas. Estava sempre produzindo e procurando novos talentos, deixou enorme contribuição para o desenvolvimento e valorização do teatro no estado e se tornou inspiração. Linda Mascarenhas dá nome ao teatro do Instituto Zumbi dos Palmares (IZP) e ao café no foyer do Teatro Deodoro.

“A Diteal mantém o seu compromisso com os grupos e artistas locais e o Dia Alagoano do Teatro está em nosso calendário com o objetivo de incentivar a produção de Alagoas, democratizar os palcos, oferecer ações formativas, contribuir com a formação de plateia e, claro, homenagear Linda Mascarenhas. Lamentamos que este ano não seja possível realizar as atividades que tínhamos planejado para a data, mas o importante agora é cuidarmos da saúde e temos a certeza de que os projetos serão concretizados na hora certa”, afirmou a diretora presidente da Diteal, Sheila Maluf.

O vídeo traz um trecho do ator Mauro Braga, em Zelodaro Come Pano, do Grupo Cena Livre, que tem 40 anos de existência. A peça estreou nos 44 anos do Teatro de Arena Sérgio Cardoso e esteve, em 2018, no Dia Alagoano do Teatro com projeto escola, em sessão exclusiva para alunos da rede pública de ensino.

“É uma grande satisfação participar dessa comemoração ao teatro alagoano, sempre remetendo à nossa primeira dama Linda Mascarenhas, quem começou tudo isso. É muito importante essa união, esse convite que a Diteal sempre faz aos artistas, dando oportunidade para mostrar os seus trabalhos e, claro, ao público porque teatro sem plateia não existe, comentou Mauro Braga.

O ator e diretor continua: “Zelodaro Come Pano foi uma peça apresentada a convite da Diteal, em 2016, nos 44 anos do Teatro de Arena, foi muito importante para nós, reuniu uma equipe muito especial , com o autor Sávio de Almeida, iluminação do Edner Careca, direção da Ana Sofia, Márcia Normande na direção de arte, músicas do Mácleim. A gente tem orgulho de ainda hoje estar com essa peça como uma jóia rara no nosso repertório, fizemos projeto escola com ela, Sesc das Artes. Realmente, tenho uma enorme satisfação de fazer Zelodaro Come Pano e participar de todos os eventos da Diteal, como Teatro Deodoro é o Maior Barato, Quinta no Arena e tantos outros. O teatro vai sobreviver, sempre sobreviverá”, concluiu.

Logo após, é feita uma linha do tempo com as celebrações realizadas em anos anteriores. Em 2015, integraram a programação em alusão à data os espetáculos Diário de Anne Frank, do Grupo Cena Livre, O Romance de Clara com D. Carlos de Alencar, da Cia Nega Fulô, Fritrizmac, da Associação Teatral Joana Gajuru, Torturas de um Coração, da Cia Nega Fulô, O Dia em que Sam Morreu, da Cia Armazém de Teatro, e teve ainda um bate papo com o diretor e dramaturgo Paulo de Moraes.

No ano seguinte, 2016, foi apresentada a Leitura Dramatizada de Pelo Buraco da Fechadura, de Leda Almeida, com José Márcio Passos e Homero Cavalcante, e realizado um bate papo com o diretor Lauro Gomes.

Já em 2017, estiveram nas comemorações o Show Entre o Copo, a Vitrola e a Fumaça com Wilma Miranda e Leureny Barbosa, os espetáculos Sonho de uma Noite de Verão, de Shakespeare, encenado pelos alunos da Escola Técnica de Artes da Ufal, Bem me Quer, da Associação Teatral Joana Gajuru, Noites Brancas, da Cia Ozinformais, e houve a palestra O Teatro com Amir Haddad.

No ano de 2018, compuseram a programação A Mulher Braba, da Cia La Casa, Os Que Vêm de Longe, do Grupo Teatro da Poesia, Zelodaro Come Pano, do Grupo Cena Livre, A Conferência dos Pássaros, criado e interpretado por alunos formandos do Curso Técnico em Dança da Escola Técnica de Alagoas (ETA-ICHCA-UFAL), Stand-up Comedy Ponto C com Cláudia Helena, no projeto C&A Teatralizando, À Direita de Deus Pai, com alunos do quarto módulo do Curso Técnico em Arte Dramática da Ufal, AVelha com Ivana Iza, Alma Imoral e A Lista com Clarice Niskier e o debate Teatro, em uma Conversa com Amir Haddad.

A grade de espetáculos de 2019 contou com “O que te Sufoca”?, do Grupo de Teatro Gigante Rua, Espetáculo Volante, do Coletivo Volante Teatro, Esperando Godot, Leitura Dramatizada do I Ato, da Cooperativa Alagoense de Teatro, Marginália, da Turma de Conclusão de Curso da Escola Técnica de Artes da Ufal – ETA, Memória da Flor, do Grupo Teatro da Poesia, Mar Adentro, com Alexandrea Constantino, Finados e Desafinados, de Trajes, Comédias e Cia, In Progress, do Coletivo Mambembe, e com a Oficina para atores “O desenho da fala ou a musicalidade da palavra falada”, com Marcos Damaceno e Rosana Stavis, da Cia Stavis-Damaceno.

Em 2020, estava prevista a estreia de “O Homem ao Vento”, do dramaturgo Marcos Damaceno, espetáculo vencedor do Prêmio Shell e considerado um dos textos teatrais mais importantes da atualidade. Para a formação do elenco, foi feita a Oficina Teatro Contemporâneo, nas comemorações dos 109 anos do Teatro Deodoro. Depois , foram realizadas Leituras Dramatizadas, das quais as atrizes e atores passaram por uma seleção para Homem ao Vento. O segundo momento seria composto pelos ensaios, preparação corporal e vocal, que não chegou a acontecer por causa da pandemia, para então ocorrer a estreia, neste dia 14 de maio.

“Falar do teatro alagoano sempre traz felicidade, lembranças de ótimos espetáculos que assistimos e peças que fizemos e apresentamos sempre com plateias cheias e vibrantes, lembranças de grandes profissionais que conhecemos, alguns dos quais viemos a nos tornar bons amigos, e traz também uma certa tristeza porque era pra gente estar agora em Maceió, no Teatro Deodoro, que é um dos mais importantes teatros do país, estreando nova montagem do espetáculo Homem ao Vento com grandes atores e atrizes de Alagoas, de diferentes grupos e formações. Essa estreia seria a culminância de uma série de oficinas e atividades que a gente vem desenvolvendo junto com profissionais do teatro e das artes de Alagoas”, disse Marcos Damaceno.

Complementando, Rosana Stavis pontuou: “Um projeto importante na sua coragem, no seu ineditismo, seu pioneirismo. É um projeto lindo, sonhado, buscado e materializado pela Diteal”.

Damaceno continua: “Esse texto Homem ao Vento foi escrito originalmente a convite da PUC do Paraná com a ideia de lançar novos olhares, novas percepções, sobre o que é o ser humano nos nossos dias, na contemporaneidade, o ser humano de hoje pelo viés da arte.

Rosana segue: “A estreia não pôde ser agora por conta de tudo isso que infelizmente estamos passando, agora é hora de cuidarmos uns dos outros, mas será já já. Damaceno finaliza: “numa grande celebração à vida, como são todas as peças de teatro e será lindo, com certeza”.

O vídeo traz, ainda, os depoimentos da atriz Diva Gonçalves, que participou das oficinas e compõe o elenco de Homem ao Vento, destacando a importâncias das ações formativas. “Nós fizemos duas oficinas com Marcos Damaceno e Rosana Stavis: A musicalidade da palavra falada e Teatro contemporâneo. O resultado seria apresentado agora no Dia Alagoano do Teatro, infelizmente, em decorrência da situação não podemos mostrar esse espetáculo. Gostaria de falar sobre a necessidade de manter vivo o amor à essência do teatro. Essas oficinas foram importantes para o meu aprendizado. A musicalidade da palavra falada nos leva a interpretar o que falamos, muitas vezes você vai no automático e com a vivência que você já tem no teatro, isso sendo explicitado na oficina nos ajudou bastante. O teatro contemporâneo me leva para uma vertente que eu não tinha trabalhado e que é muito interessante por todas as particularidades. Uma pena não podermos apresentar, mas em breve estaremos de volta. Peço a vocês paciência, fé e foco. Espero que o teatro sobreviva a tudo, nosso amor está acima de qualquer dificuldade. Vamos ficar juntos”, declarou.

Trazendo a nova geração, a atriz Dália Monteiro, mais uma integrante de Homem ao Vento, também contribuiu com as gravações. “Dia Alagoano do Teatro e eu não poderia deixar de parabenizar de coração os meus colegas amantes da arte, amantes da profissão e meus colegas que estariam apresentando o espetáculo Homem ao Vento, resultado das oficinas. Foi uma troca incrível, a gente pôde aprender com o texto ganhador do Prêmio Shell – um dos mais tradicionais da cena teatral brasileira, um texto extremamente detalhado, como se ele tivesse várias cores e várias formas. É uma pena porque estaríamos com quatro apresentações, mas infelizmente temos que adiar por conta da pandemia, a gente ainda vai apresentar esse texto. Aprendi nesses 14 dias como atriz e como pessoa com grandes nomes do teatro brasileiro e com os outros alunos da oficina, atores que admiro desde criança e e com os colegas da minha geração”, comentou.

Representando a Diteal, de Alexandre Holanda, gerente artístico e cultural da diretoria, grande entusiasta do teatro alagoano, deu o seu depoimento. “A arte existe porque a vida não basta – Ferreira Gullar. O teatro é uma sublime criação artística da humanidade para se reconhecer, discutir, refletir, perceber e perpetuar a sua identidade enquanto humanidade com alma. Nós celebramos o Dia Alagoano do Teatro em 14 de maio, é uma homenagem a um grande nome do cenário local, Linda Mascarenhas, que em 1944, quando fazia 30 anos sem registro do teatro amador em Alagoas, retoma esse movimento. Em 1955, ela funda a Associação Teatral das Alagoas (ATA), que até hoje atua no nosso estado”, destacou.

Alexandre segue sua fala: “A Diteal tem um compromisso muito grande com todos os segmentos artísticos e o teatro é de extrema importância. Uma das prioridades da diretoria, em sua agenda anual, é manter na grade grandes momentos para o ator, a atriz, o diretor, o dramaturgo, o maquiador, o contrarregra, o sonorizador, o cenotécnico, o cenógrafo, o produtor… tem toda uma cadeia produtiva muito relevante na economia criativa do nosso estado. Estaríamos estreando o espetáculo com atores alagoanos neste dia 14, Homem ao Vento, convidamos, desde 2019, a Cia Stavis-Damaceno, de Curitiba, de grande significado no cenário nacional, que ganhou o Prêmio Shell, em 2018, na cidade de São Paulo, importante para o nosso segmento. Esse texto é muito contemporâneo, fundamental nesse momento porque fala da relação do artista com o público, um resgate do teatro autêntico, onde a palavra, através do ator, é o principal veículo de comunicação com a plateia. Nós vivemos tempos difíceis, estamos com essa pandemia, é um momento que traz uma certa frustração, mas a gente não pode desistir, tem que acreditar e levantar todos os dias com a certeza de que vai passar. Certamente, o teatro vai contar, através da tragédia e da comédia, tudo isso que estamos vivenciando. Viva o teatro alagoano!”, concluiu.

Como mais uma forma de celebrar a arte, o ator, diretor e dramaturgo, José Márcio Passos, grande amante do teatro, faz uma leitura no vídeo do texto “Tamborilando”, do ator, diretor e dramaturgo alagoano, Homero Cavalcante.

“Faço teatro há 52 anos, é muito tempo, mas de muitas alegrias, porque, da mesma maneira que as pessoas cuidam de suas casas, comprando sofá novo, TV nova, ajeitando o banheiro, o teatro é a casa do artista, do ator e da atriz, e por eles tem que ser muito bem cuidado, com amor, colocando de melhor o que você tem, porque dele (do teatro) você recebe inúmeras alegrias. É um prazer estar aqui, cooperando com este evento, nesta promoção fantástica, onde as pessoas jogam os seus corações para emocionar os seus iguais, os artistas. Amo todos vocês”, declarou.

Ao final, a música “Atores”, do cantor e compositor alagoano, Júnior Almeida, que enriquece a trilha sonora do vídeo, ganha mais destaque com a voz de Almeida e surge uma homenagem aos artistas alagoanos e técnicos do fazer teatral por meio de fotografias. Grandes nomes como Edner Careca e Aldo Gomes, técnicos de iluminação; José Ronaldo, Juarez Estênio, cenotécnicos; diretor de palco Arnaud Borges, e João Erisson e Márcio Brebal, sonoplastas são reverenciados.

O vídeo encerra em silêncio relembrando a passagem de Edivaldo Oliveira da Silva, carinhosamente conhecido como Dinho, assessor técnico de sonoplastia desde 1982, que faleceu em abril deste ano, deixando muita saudade e admiração.

Confira o vídeo completo nas redes sociais do Teatro Deodoro ou abaixo:

Fonte: Ascom Diteal / Texto: Hannah Copertino

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