Cooperativas

5 de abril de 2019 17:26

O que é e como funciona a economia compartilhada no cooperativismo financeiro

Movimento é facilitado pelo avanço da tecnologia com sua infinita capacidade de conectar interesses comuns

↑ (Foto: Ilustração)

Uma revolução mundial vem sendo anunciada por futurólogos há alguns anos. O que parecia só teoria sem aplicação prática na vida das pessoas, tem se mostrado mais real e presente a cada dia. Falamos da economia compartilhada. Um movimento facilitado pelo avanço da tecnologia com sua infinita capacidade de conectar interesses comuns.

Aplicativos criam negócios lucrativos com base na colaboração: quartos desocupados viram fonte de renda. Carros parados na garagem viram fonte de ocupação para centenas de pessoas graças a plataformas colaborativas. Esta não é uma utopia social como idealizavam os hippies dos anos 60 e 70. Uma revolução disruptiva está em curso. Com total quebra de paradigmas. Inverte a ordem econômica como conhecemos desde a Revolução Industrial. Um dos defensores deste movimento é o economista e professor da Wharton University, Jeremy Rifkin em seu livro “Sociedade com Custo Marginal Zero”. Para ele, “estamos testemunhando o surgimento de uma economia híbrida. Uma parte é uma economia de mercado capitalista e a outra é uma economia compartilhada”. E para contrapor os céticos, Rifkin argumenta que, em um mundo em que mais coisas são potencialmente gratuitas e compartilháveis, o capital social torna-se mais importante do que o capital financeiro.

A realidade é que o mundo está mudando. E rapidamente. Buscar alternativas aos modelos de negócio tradicionais move a revolução social em curso e afeta a economia global de uma maneira positiva porque pressupõe menor concentração de renda e mais igualdade social, como contraponto ao mundo insustentável que construímos. O arcabouço tecnológico atual apoia esta mudança e conecta pessoas e interesses comuns, dando a elas poder e independência. E as novas gerações já encaram a propriedade de bens como menos importante do que o acesso aos serviços.

O papel das Cooperativas Financeiras

Neste cenário as instituições financeiras cooperativistas se destacam. Por não terem fins lucrativos, oferecem produtos e serviços financeiros como os bancos tradicionais, mas com uma visão cooperativa, em que os clientes são vistos como donos do negócio e os resultados são partilhados.

O modelo é resultado da união de quatro pontos de sucesso que tornam o conceito atrativo: social, com a preocupação com a comunidade em que se vive; sustentabilidade, para preservar o ambiente; econômico, com novas propostas financeiras e aumento da flexibilidade para a população; e tecnológico, atrelado as redes sociais, dispositivos e plataformas móveis simplificam a vida dos consumidores.

“O modelo cooperativista contribui substancialmente como instrumento de desenvolvimento, fomentando, fortalecendo e potencializando a economia local. Portanto, colabora para o surgimento de novas e prósperas realidades socioeconômicas, principalmente em pequenas cidades ou de menor densidade demográfica, gerando, assim, riqueza e melhoria da qualidade de vida para todos”, afirma o presidente do Sicoob Confederação, Henrique Castilhano Vilares.

Entenda o Cooperativismo Financeiro

Todos os dias mais e mais brasileiros entendem a importância de cuidar das finanças, do uso consciente do dinheiro para, assim, melhorar a vida de suas famílias e ajudar no avanço do País. Esse também é o jeito cooperativista de gerar resultados, tanto econômicos quanto sociais. Mas, muitos ainda desconhecem as vantagens do cooperativismo financeiro e como ele funciona. Veja abaixo as características deste sistema que existe no Brasil desde 1902.

1.Uma cooperativa financeira é uma instituição formada pela associação de pessoas. Sua finalidade é prestar serviços financeiros aos seus cooperados e, como uma instituição financeira, ofertar produtos e serviços como investimentos, seguros, cartões, conta corrente, consórcio, previdência, poupança etc.

2.Qualquer pessoa pode se associar a uma cooperativa. Para isso, basta efetuar a integralização de capital, que é o valor mínimo para participar da sociedade cooperativa. O valor varia conforme a cooperativa, mas em média considera-se R$ 50,00. Esta cota funciona como uma aplicação e é devolvida com juros no momento que o cooperado deseje sair da cooperativa.

3.Um dos princípios é a adesão livre e voluntária. No caso do Sicoob, por meio App Faça Parte o interessado pode escolher em qual cooperativa deseja abrir uma conta e todo o processo de associação ocorre por meio de um smartphone. Ao inserir o CEP da residência o aplicativo indicará a localização da cooperativa mais próxima, pois no futuro, se precisar de um atendimento pessoal, o seu deslocamento será o menor possível. Essa pesquisa também pode ser feita no site www.sicoob.com.br ou na Central de Atendimento: 0800 642 0000.

4.Nas cooperativas financeiras os cooperados não são clientes como nos bancos, são usuários e ao mesmo tempo donos, com direito a participação, inclusive, nas assembleias para tomada de decisões sobre os rumos da cooperativa. Os recursos gerados pela cooperativa são reinvestidos na comunidade onde a cooperativa atua. Os cooperados têm poder igual de voto independentemente da sua cota, seguindo o princípio do sistema cooperativista “Um homem, um voto”.

5.Nas cooperativas financeiras um diferencial são as taxas e tarifas reduzidas. Em outubro de 2018, o Sicoob praticou taxas de juros menores no cheque especial, crédito pessoal e crédito rotativo do cartão em comparação com bancos tradicionais. No Cheque Especial, a taxa média dos cinco maiores bancos do País ficou em 12,25% ao mês, enquanto no Sicoob foi de 6,41% a.m. O Cartão de Crédito Rotativo dos bancos cobrou juros de 11,66% a. m; no Sicoob, a taxa ficou em 8,20% a.m. Já no Crédito Pessoal, as cooperativas cobraram 1,99% a.m. enquanto os bancos, 7,03% a.m.

6.O cooperativismo financeiro não visa lucro. Se for apurado lucro de aplicações ou investimentos realizados, este valor é devolvido aos cooperados na mesma proporção do uso dos serviços e produtos da cooperativa. Ou seja, em caso de fechamento anual positivo, as cooperativas distribuem proporcionalmente entre os cooperados o que chamam de “sobras” de acordo com o valor das operações de cada um.

7.Existe a remuneração de juros ao Capital Social (que é a soma de todas as quotas-partes dos cooperados que forma o patrimônio da cooperativa). O pagamento de juros ao Capital Social é baseado na taxa Selic. Quem quiser pode realizar mais aportes ao longo do tempo e aumentar o ganho desta remuneração.

8.Assim como nas instituições financeiras convencionais que contam com o Fundo Garantidor de Crédito, o investimento nas cooperativas é garantido, até o limite de R$ 250 mil pelo Fundo Garantidor do Cooperativismo de Crédito (FGCoop).

9.O Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, caso fosse considerado um grupo financeiro, representaria a 6ª maior instituição financeira do país. De acordo com o Banco Central do Brasil, existem 988 cooperativas com uma rede de atendimento de 6.199 em operação no país, com ativos totais de R$ 294 bilhões, representando uma participação de mercado de 3,25% no total de ativos do mercado financeiro.

10.As cooperativas financeiras estão presentes em 95% dos municípios brasileiros, sendo que em 627 deles a cooperativa é a ÚNICA forma de inclusão financeira disponível na região. Em 250 municípios do País, o Sicoob é única instituição financeira.

11.O Sicoob atua com forte proximidade ao cooperado, em um modelo sustentável que garante o crescimento acima da média nacional e um nível de satisfação elevado por parte dos cooperados.

Fonte: Sicoob

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