Cooperativas

18 de fevereiro de 2019 15:34

Projeto de extensão do Ifal Satuba promove conscientização e economia solidária

Educatando apoia os catadores da cidade e promove ações educativas

↑ Galpão no campus (Foto: Comunicação Ifal Satuba)

Coordenado pelo professor Marcelo B. Lima Verde, o projeto de extensão “Educatando: Um projeto socioambiental com os catadores de resíduos de Satuba-Al” do Instituto Federal de Alagoas Campus Satuba está mudando a realidade de diversas famílias do município: as coletam os resíduos e as que adquiriram o hábito de separar seus resíduos antes do descarte.

Com a colaboração de duas estudantes bolsistas do Ifal Campus Satuba, da Prefeitura Municipal de Satuba, Igreja Católica, Agenda 21 e a Cooperativa dos catadores de Vila Emater (Coopvila), o Educadando ofereceu palestras, realizou panfletagem nas ruas e condomínios, promoveu reuniões e momentos de conscientização sobre a temática da coleta seletiva e da sustentabilidade.

A implantação da coleta seletiva é obrigação dos municípios e devem constar em seus planos de gestão integrada de resíduos sólidos dos municípios, conforme preconiza a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/10) – o Educatando e os seis catadores que atualmente fazem parte do projeto colaboram para sua implementação na cidade de Satuba.

O principal objetivo do projeto é a inclusão e a valorização do trabalho dos catadores de resíduos sólidos do município de Satuba e incentivar a atividade da coleta seletiva através da economia solidária e da consciência ambiental. “Temos no campus a prensa e a balança e disponibilizamos a área da antiga oficina como galpão provisório. Também estamos orientando os participantes sobre a necessidade da criação da cooperativa. Eles precisam espaço e maquinário próprios e, para isso, devem contar com a colaboração da prefeitura, pois realizam um trabalho fundamental e legalmente previsto”, informa Marcelo.

Segundo o coordenador do projeto, Satuba produz mensalmente de 280 a 300 toneladas de lixo sendo que, após o início das atividades, houve uma diminuição na quantidade de lixo descartado na coleta comum, gerando uma economia para o município. Com o fechamento do “lixão”, o lixo da cidade passou a ser encaminhado para o aterro do Consórcio Regional Metropolitano de Resíduos Sólidos, que recebe também os resíduos de Barra de Santo Antônio, Coqueiro Seco, Marechal Deodoro, Messias, Paripueira, Pilar, Rio Largo e Santa Luzia do Norte. “A prefeitura paga ao consórcio 65 reais por tonelada de lixo recebido pelo aterro. Nossa intenção é que ela destine parte da economia aos catadores do projeto”, explica o coordenador.

As residências que realizam a separação de seus resíduos para a coleta seletiva recebem um selo do projeto que é colado na entrada da casa participante. As visitas para a coleta acontecem três vezes na semana: segundas, quartas e sextas. Os catadores realizam a coleta seletiva, transportam o material em carrocinhas para o campus, onde o projeto disponibilizou um espaço provisório com uma prensa e uma balança. Lá eles realizam a triagem, a classificação e a prensagem dos materiais coletados.

Um apoiador do projeto que trabalha voluntariamente na coleta com os catadores é o técnico em meio ambiente Ivanildo Gomes. Ivanildo considera o projeto fundamental para a inclusão social dos catadores. “Apesar da Lei 12.305 obrigar as prefeituras a realizar esse trabalho com os catadores, na maioria das vezes, isso não acontece. Faço parte da Ong Agenda 21 e venho atuando nessa área há cinco anos. O Ifal nos trouxe essa oportunidade e uniu o grupo nesse projeto”, analisou. Para Ivanildo a oficialização de uma cooperativa, o apoio do poder público e a conscientização da população são fundamentais para que o grupo se fortaleça e evolua.

A área da oficina está repleta de caixas, papelão, garrafas e potes plásticos, embalagens tetrapak entre outros materiais. Os fardos prensados começam a ser empilhados e os catadores e catadoras se revezam nos trabalhos de triagem, mas, segundo Marcelo, ainda não foi iniciado o processo de comercialização e isso afeta o grupo pois as famílias precisam de renda. “Por isso, na semana passada, realizamos a doação de 10 cestas básicas para as famílias envolvidas. Agradeço aos parceiros do projeto e aos servidores do campus que doaram os recursos para a aquisição das cestas” pontuou Marcelo.

A atividade dos catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis é reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego desde 2002 mas ainda é muito estigmatizada pela população que muitas vezes não entende sua importância para a qualidade de vida nas cidades e para a sustentabilidade de forma geral, apesar de serem um exemplo de trabalho colaborativo, economia solidária e preservação do meio ambiente.

Fonte: Comunicação Ifal Satuba / Texto: Adriana Cirqueira

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