Cooperativas

3 de julho de 2018 15:56

Leite distribuído pelo Programa do Leite alimenta gerações de famílias em Alagoas

Famílias beneficiárias do programa vivem o início de um drama social com a cogitação da suspensão do programa

↑ Programa do Leite (Foto: Assessoria)

As famílias beneficiárias do Programa do Leite já vivem o início de um drama social com a cogitação da suspensão do programa devido aos cortes no orçamento por parte do governo federal, confirmado pela Secretaria da Agricultura na última sexta-feira, 29.

Entre os moradores do bairro Jacintinho, em Maceió, a notícia de uma possível paralisação dentro dos próximos trinta dias já assusta. Durante a entrega do leite nesta terça-feira,3, na Associação Comunitária Creche e Escola RZ, o clima era de insatisfação. A comunidade possui centenas de pessoas, de diferentes idades, criadas à base do leite vindo da agricultura familiar.

“Para nós esse leite é sagrado. Ele alimentou meus filhos e hoje é usado para meus netos e sobrinhos. É um produto de muita qualidade, sempre nos fez bem”, disparou, na fila do leite, dona Maria Silva, uma das primeiras beneficiárias do bairro.

Há 17 anos distribuindo leite para famílias em situação de risco nutricional, o Programa do Leite alimenta 450 famílias da região da Grota do Cigano, Feirinha do Jacintinho, Mutirão e Coab. Por semana, 1800 litros de leite complementam a alimentação de crianças, idosos, nutrizes e puérperas.

Para o aposentado Reinaldo Correia dos Santos, de 76 anos, a má notícia chega num momento considerado “delicado” para a população de baixa renda pela limitação financeira causada pela crise no País. “Esse leite jamais poderia acabar, pelo contrário. A distribuição deveria aumentar. Hoje ele é o único alimento garantido na minha mesa. Essa é a minha realidade e de várias famílias que conheço”, revelou o idoso.

Para ganhar o leite os beneficiários são cadastrados e recebem um cartão de controle para registrar a entrega semanal. Segundo o vice-presidente da Associação, Rosenildo Zacárias, o interesse pelo leite só cresce.

“Apesar da grande abrangência, o interesse por essa ferramenta social só aumenta. Há casos onde os próprios beneficiários acabam partilhando seu leite com sobrinhos ou parentes que não conseguiram fazer o cadastro. Quase 100% de nossa comunidade é beneficiada”, comentou.

A movimentação para receber o leite nesta terça-feira,3, também deu espaço para organização de uma mobilização em prol da continuidade do Programa. “Já vivemos uma dura realidade e nosso apelo é para que esse programa continue. Esse leite faz parte da sobrevivência do nosso povo. Vamos nos engajar no que for preciso para defender o leite de cada dia.Peço que nossos governantes possam evitar o pior”, desabafou.

Entenda

O programa do Leite funciona por meio de convênio desde 2013, com recursos do governo federal e uma contrapartida do governo do estado. Atualmente complementa a nutrição de 80 mil famílias nos 102 municípios, sendo distribuídos 50 mil litros por semana, quatro para cada família.

As cooperativas que organizam operação do programa (Coopaz, CPLA, Pindorama, Cafisa e Agra) foram alertadas pela Secretaria da Agricultura de que os recursos disponibilizados pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS) só estaria assegurado até a primeira quinzena de julho. Além disso, o governo federal reduziu a previsão de repasse para a manutenção de R$ 30 milhões para R$ 10 milhões, sendo R$ 5 milhões para 2018 e outros R$ 5 milhões para 2019.

O apelo coletivo é para que o governador Renan Filho libere a contrapartida do estado para manutenção dos pagamentos aos pequenos produtores, enquanto o pleito por mais recursos seja debatido pelas cooperativas em Brasília/DF junto a bancada federal e MDS.

Fonte: Assessoria

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