Cooperativas

26 de dezembro de 2017 10:51

Ex-moradores de rua são capacitados em oficinas e criam cooperativa

Primeira etapa do programa foi oferecer formação básica para ensinar os alunos a estruturar seu modelo de negócio

↑ Primeira edição do projeto beneficiou 13 acolhidos da ONG Comunidade Padre Pio (Foto: Divulgação)

Com o objetivo de trazer pessoas que vivem em situação de rua de volta para o convívio social e resgatar nelas a autonomia e autoconfiança nasceu o projeto ‘Gente é para Brilhar’, idealizado pelo professor Marco Aurélio Bernardes, 55 anos, da Escola de Gestão e Direito da Universidade Metodista de São Paulo.

Ao todo, 13 ex-moradores de rua tiveram a oportunidade de estudar e, após formação básica em três áreas do conhecimento – construção civil, relações humanas e gestão financeira –, montaram uma cooperativa. As aulas, com carga total de 40 horas, começaram em agosto e terminaram neste mês.

A primeira etapa do programa foi oferecer formação básica para ensinar os alunos a estruturar seu modelo de negócio, no caso, a prestação de serviços para a construção civil. O ramo de atividade escolhido levou em conta as experiências profissionais e de vida dos alunos, tendo em vista que boa parte deles já atuou como pedreiro, pintor e eletricista, por exemplo.

O programa foi realizado por meio de parceria entre a universidade e a ONG Comunidade Padre Pio. A instituição tem hoje 120 acolhidos. São pessoas que, durante seis meses passam por processo de desintoxicação, avaliações médicas e psicológicas para, posteriormente, serem inseridas em projetos de resgate social. A ONG trabalha desde 2009 com pessoas vindas de famílias desestruturadas e com dependência química.

Bernardes revela que a ideia do projeto surgiu a partir da observação da realidade de moradores de rua em São Bernardo. Ao constatar as inúmeras dificuldades vivenciadas pela população, o professor começou a pensar em formas de que a instituição de Ensino Superior pudesse ajudar. Após levar a proposta à Metodista, correu atrás de organizações que têm trabalho de reinclusão social.

O professor avalia que a universidade não fez nada além do seu papel como instituição de ensino. “Temos equipamento completo, com vasto conhecimento e que não pode ser como uma biblioteca indisponível para quem mora próximo daqui. Tem muito conhecimento sendo construído que não chega a quem precisa. O que fizemos foi construir ponte.”

“Esse curso veio como a ‘cereja do bolo’ que faltava, pois o conhecimento que eles tiveram supre as necessidades básicas. Nova e melhor perspectiva se criou dentro deles”, ressalta Francisco Moisés dos Anjos, 48, fundador da Comunidade Padre Pio.

Com a vontade renovada, Cauê Franco Avellar, 27, conta que, antes de chegar à comunidade, tinha vida “desregrada”, era dependente químico e havia passado por diversas frustrações. Para ele, o curso retomou sua esperança e autoestima. “Tenho o Ensino Médio completo, mas o ambiente universitário me motivou a querer voltar a estudar, prestar vestibular e cursar graduação. Esse período de estudo me trouxe força de querer vencer e me fez acreditar que eu posso e que, se lutar, conquisto meus objetivos.”

Assim como ele, Marcus Rodrigo dos Santos, 41, também reconhece que a partir de agora tudo pode ser diferente. Pai de um menino de 15 anos, ele revela que, antes, queria vencer na vida para mostrar a seu herdeiro que seria capaz, porém, com a consciência de que seria preciso mudar de vida, diz que o segredo é a compreensão de ter que vencer não para os outros, mas para si. “Esse curso veio como oportunidade que vai nos alavancar. Abraçamos a oportunidade com gratidão, carinho e muita vontade, pois ver que ainda há pessoas que acreditam no nosso potencial é muito bom.”

Fonte: Diário ABC

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