Ciência e Tecnologia
Lista dos cientistas mais influentes do mundo conta com cinco pesquisadores da Ufal
Professores de diferentes áreas do conhecimento integram ranking internacional da Universidade de Stanford e Elsevier
Influência científica é reconhecimento. Cinco professores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) estão entre os pesquisadores mais influentes do mundo, segundo a atualização de 2026 da Science-Wide Author Databases of Standardized Citation Indicators. O levantamento, elaborado por pesquisadores da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, e publicado pela editora científica Elsevier, reconhece cientistas com trabalhos de destaque internacional em indicadores de impacto acadêmico.
Os professores Richard Ladle, Lucas Meili, Edeildo Ferreira da Silva Júnior, Glauber Tomaz Silva e Patrícia Muniz de Medeiros aparecem na classificação referente às citações científicas recebidas em 2025. Todos já haviam integrado a lista divulgada em 2024, o que significa a continuidade do reconhecimento da produção científica desenvolvida na Universidade.
Divulgada neste mês de outubro, a edição de 2026 utiliza informações da base internacional Scopus e considera indicadores como o número de citações recebidas pelos trabalhos científicos, a participação dos pesquisadores nas publicações e o impacto de suas pesquisas. O levantamento contempla os cem mil cientistas mais bem classificados mundialmente por indicadores compostos e pesquisadores situados entre os 2% de maior destaque em suas respectivas subáreas científicas.
Pesquisas em diferentes áreas do conhecimento
Professor do Instituto de Ciências Biológicas e da Saúde (ICBS), Richard Ladle desenvolve pesquisas nas áreas de Ecologia, Biogeografia e Conservação da Biodiversidade. Britânico e integrante do corpo docente da Ufal desde 2011, ele coordena o Laboratório de Conservação do Século 21 (Lacos 21), com estudos voltados à conservação ambiental, ao desenvolvimento sustentável e às relações entre sociedade e natureza. Na classificação mundial de 2026, ocupa a 60.175ª posição, considerando a pontuação composta sem autocitações, sendo o mais bem posicionado entre os cinco docentes.

Do Centro de Tecnologia (Ctec), Lucas Meili comentou ter sido incluído na lista mais uma vez: “Recebo essa notícia com gratidão. Vejo isso, acima de tudo, como um incentivo para seguir fazendo pesquisas que ajudam no crescimento do conhecimento, na formação de novos cientistas e na busca de soluções para problemas importantes da sociedade”.

Lucas desenvolve pesquisas relacionadas à Engenharia Química e Ambiental, com ênfase em processos de separação, tratamento de água e efluentes e desenvolvimento de novos materiais. Seus estudos envolvem, entre outras aplicações, a remoção de contaminantes e produtos farmacêuticos por processos de adsorção, além da síntese de materiais como biocarvão, argilas e pontos quânticos de carbono.
“Tenho muito orgulho de construir minha trajetória acadêmica na Universidade Federal de Alagoas. Essa instituição pública tem papel importante na produção de conhecimento científico e na formação de profissionais preparados. Esse reconhecimento mostra que é possível fazer ciência relevante internacionalmente a partir de Alagoas, mesmo com os desafios que enfrentamos todos os dias”, destacou.
O professor Edeildo Ferreira da Silva Júnior também construiu sua trajetória acadêmica na Ufal, desde a graduação em Farmácia até o doutorado e o pós-doutorado. Suas pesquisas estão concentradas na Química Medicinal, especialmente no planejamento e na avaliação de substâncias com potencial ação antiviral contra doenças como Zika, Dengue e Chikungunya.

Na classificação de 2026, Edeildo alcançou a 1.138ª posição entre 120.621 pesquisadores de Química Medicinal e Biomolecular, avançando em relação à edição anterior. Para ele, o reconhecimento representa um incentivo à continuidade das pesquisas e uma oportunidade de dar visibilidade àa ciência produzida na Universidade.
“Receber esse reconhecimento internacional mais uma vez, é motivo de muita felicidade e orgulho. É uma conquista que me faz sentir que estamos no caminho certo e que as pesquisas que desenvolvemos, especialmente na busca por novos agentes antivirais, têm alcançado relevância e reconhecimento junto à comunidade científica mundial”, comemora.
O professor também destaca a importância de levar o nome da Ufal a outros espaços e de valorizar o trabalho científico desenvolvido no Nordeste brasileiro, inspirando novos estudantes e pesquisadores.
Para Edeildo, os resultados alcançados são fruto de um esforço conjunto, que envolve diferentes profissionais e gerações de pesquisadores, especialmente os integrantes do Grupo de Pesquisa em Química Biológica e Molecular (GPQBioMol).
“Faço questão de destacar que essa conquista não é individual, mas coletiva. Sou profundamente grato a todos os pesquisadores e colaboradores com quem tive a honra de trabalhar ao longo dessa trajetória e, especialmente, aos atuais e antigos integrantes do nosso Grupo de Pesquisa em Química Biológica e Molecular”, ressalta.
O docente reforça ainda o papel da equipe na construção dos resultados científicos: “Sem eles, eu seria apenas um professor sonhador; são eles que me ajudam, todos os dias, a transformar sonhos em realizações. Por isso, esse reconhecimento também pertence a cada um deles”!.
Outro integrante da lista é Glauber Tomaz Silva, professor do Instituto de Física (IF). Ele coordena o Grupo de Acústica Física e desenvolve pesquisas na área de acustofluídica, campo que investiga a interação entre ondas sonoras e fluidos. Seus estudos contribuem para o desenvolvimento de conhecimentos e tecnologias relacionados à manipulação de partículas e sistemas físicos por meio de ondas acústicas. Na edição de 2026, Glauber ocupa a 684ª posição entre pesquisadores da subárea de Acústica.

A professora Patrícia Muniz de Medeiros, vinculada ao Centro de Engenharias e Ciências Agrárias (Ceca), também integra o levantamento. Sua atuação científica está concentrada nas áreas de Etnobotânica, Ecologia Humana e Etnoecologia, com pesquisas que investigam as relações entre as populações e os recursos naturais, incluindo as respostas às transformações ambientais e culturais.

Patrícia tem uma trajetória marcada por importantes reconhecimentos científicos. Foi contemplada com o Prêmio L'Oréal-Unesco-ABC Para Mulheres na Ciência, em 2019, e com o Prêmio Internacional Rising Talents, em 2020. Também integrou a Academia Brasileira de Ciências como membro afiliada entre 2021 e 2025. Na classificação mundial de 2026, aparece na 371.969ª posição, considerando o indicador composto sem autocitações.
Reconhecimento da ciência produzida na Ufal
A presença dos cinco pesquisadores na edição de 2026 reforça a projeção internacional da produção científica desenvolvida na Universidade. O ranking Stanford/Elsevier é uma das referências internacionais para análise do impacto da produção científica. A base utiliza indicadores bibliométricos padronizados, como citações, índice h e posição de autoria nas publicações, permitindo avaliar a repercussão dos estudos em diferentes campos do conhecimento.
A atualização de 2026 apresenta duas classificações: uma que considera o impacto científico acumulado ao longo da carreira e outra baseada nas citações recebidas durante o ano de 2025. Além dos cinco docentes identificados na lista anual com vínculo institucional à Ufal, Richard Ladle, Glauber Silva e Patrícia Muniz de Medeiros também aparecem na classificação de impacto ao longo da carreira.
Os resultados dão visibilidade à diversidade das pesquisas realizadas na Universidade, reunindo contribuições para a conservação da biodiversidade, o desenvolvimento de tecnologias ambientais, a compreensão de fenômenos físicos e a investigação de substâncias com potencial aplicação na saúde.
Consulte aqui a edição de 2026 do levantamento Stanford/Elsevier.
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