Ciência e Tecnologia

Terremoto acorda vulcão adormecido há 500 anos na Rússia

Por Olhar Digital 28/09/2026 13h49
Terremoto acorda vulcão adormecido há 500 anos na Rússia
Imagens de radar do NISAR mostram a lava avançando pelo Krasheninnikov e revelam um segundo fluxo a noroeste após o terremoto - Foto: Nasa

Um forte terremoto na costa da Rússia, em julho de 2025, despertou o vulcão Krasheninnikov, que não entrava em erupção desde aproximadamente 1550. A atividade passou a ser monitorada pela missão NISAR, da NASA e da agência espacial da Índia.

Com tecnologia de radar, o satélite registra as mudanças na paisagem mesmo durante a noite ou quando há nuvens. As imagens mostram a lava ocupando a parte mais profunda do vulcão e, depois, avançando pela encosta.

Vulcão Krasheninnikov coberto de neve e emitindo uma coluna de material em Kamchatka
Imagem de satélite do vulcão Krasheninnikov, na península de Kamchatka, registrada em 14 de novembro de 2025 pelo satélite Landsat 9. A imagem mostra uma coluna vulcânica sobre a caldeira e um fluxo de lava se estendendo para nordeste. – Imagem: NASA


De olho no vulcão do espaço

Após o terremoto, o Krasheninnikov começou a expelir grandes quantidades de lava e material rochoso derretido. O NISAR passa sobre a região duas vezes a cada 12 dias, reunindo registros que mostram como a paisagem se transforma durante a erupção.

Os cientistas juntaram as imagens feitas ao longo dos meses e criaram um vídeo acelerado, conhecido como time-lapse. Na sequência, a lava preenche a parte mais profunda do vulcão e depois transborda pela encosta, espalhando-se em formato de leque.

Os registros também revelaram mais de um caminho percorrido pelo material vulcânico:

O principal fluxo de lava segue em direção ao leste;
Outro caminho de material vulcânico foi identificado a noroeste;
A descoberta indica que o vulcão já havia começado a liberar lava antes do primeiro registro do satélite;
As imagens permitem acompanhar as mudanças provocadas pela erupção ao longo dos meses.

Como o radar enxerga a lava

O NISAR não produz imagens convencionais. O satélite envia milhares de sinais de micro-ondas por segundo em direção à superfície da Terra e mede como eles atingem o solo e retornam ao equipamento.

Nas imagens, a lava aparece mais clara do que a neve e o terreno ao redor porque a superfície formada pelo material vulcânico reflete o sinal do radar com maior intensidade.

O conjunto de registros também ajudou a identificar que a atividade vulcânica havia começado antes da primeira imagem feita pelo NISAR. O monitoramento mostra, ao longo dos meses, como a lava avançou pelo Krasheninnikov depois do terremoto que despertou o vulcão após cerca de cinco séculos de dormência.