Ciência e Tecnologia
Inteligência artificial ganha destaque no Roga DX 2026 e impulsiona discussões no mercado da tecnologia
Quinta edição do evento promoveu mais de 10 horas diárias de conteúdo, mentorias, programação e oportunidades de negócios
O mundo tech foi o centro das atenções durante a última sexta e sábado no Centro de Convenções de Maceió. Reunindo pessoas de todo o nordeste e até de outras partes do país, o Roga DX 2026 realizou a sua quinta edição com recorde de público e inúmeras palestras voltadas para a área de tecnologia, inovação e desenvolvimento, com foco nos desenvolvedores e crescimento de negócios.
Durante mais de 10 horas por dia em quatro palcos diferentes, mais de 50 palestrantes estiveram presentes para trazer tendências do setor e conteúdo voltado para o mundo tecnológico, com dicas e ideias para pessoas que atuam diretamente como programadores e alunos da área. Além disso, mentorias exclusivas e outras ações aconteceram durante o evento, que reuniu as maiores empresas do ramo em uma área de exposições que foi explorada pelos visitantes.
Uma das organizadoras do evento, Renata Barreto, destacou que o objetivo desse ano era mostrar aos participantes as possibilidades dentro do mundo tech. “O Roga tenta fazer com que o ecossistema inteiro se conecte. O gestor está mais conectado com o profissional, que está mais conectado com a instituição. Além disso, nós tivemos dois tipos de mentorias, uma com os palestrantes, para que as pessoas pudessem tirar dúvidas e trocar uma experiência com aquele profissional que é renome no mercado em que ele atua, e as mentorias do Centelha, para ajudar aqueles que tentam submeter propostas, conseguir dinheiro para desenvolver e fazer virar um negócio de verdade”, explicou.
Outro ponto alto do evento foi o desafio Code in the Dark, onde quatro participantes por rodada competiam entre si para codificar o layout de um site o mais fiel possível, sem pré-visualizar o resultado final. Tudo isso enquanto acontecia uma balada de programação, unindo parte prática e diversão. Ao todo foram três rodadas de classificação e uma rodada final, onde o melhor layout foi escolhido.
A edição de 2026 também contou com inúmeros parceiros, entre eles instituições estaduais. A Fundação de Amparo à Pesquisa de Alagoas (Fapeal) esteve como uma das correalizadoras do evento, sendo destaque com o objetivo de extrair negócios entre os talentos locais. O diretor-presidente da instituição, João Vicente, ressaltou o propósito de financiar pesquisas dentro da universidade e como eventos como esse quebra muros.
“Eventos como o Roga DX são um ponto de convergência muito importante para a gente reunir o nosso público que foi apoiado em outros momentos pela FAPEAL na universidade, é uma grande oportunidade da gente atrair para esse ambiente também. Muita gente criativa que pode pensar um negócio não está dentro da universidade, mas de alguma maneira vai interagir com a academia. O Roga virou realmente um espaço para a gente acelerar, ganhar tempo nesse jogo duro que é criar nossas empresas de tecnologia”, salientou.
Também apoiando o evento, a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) esteve presente com um estande, visando aproximação desse público e de toda a sociedade com o que é desenvolvido dia a dia pela instituição. “O estado de Alagoas investe muito na inovação para fortalecer o ecossistema. Então é de fundamental importância estar aqui, apoiar um evento como esse, abrindo oportunidades para o público. É também uma estratégia da gente fortalecer essas parcerias e reconhecer nossos talentos locais para que eles se sintam valorizados e permaneçam aqui”, enfatizou a secretária Maryjane Remígio.
Pensando justamente na integração entre empresas e profissionais, este ano uma das novidades foi a Arena de Negócios, um palco exclusivo para investimento e construtores se encontram para entender o impacto no resultado. O criador e idealizador do Roga DX, Rafael Gaia, contou que as arenas temáticas possibilitavam um conteúdo de qualidade e mais conexão. “A ideia aqui é conectar realmente os profissionais da tecnologia e as empresas daqui da região com algumas das grandes empresas, não só do Brasil, mas também mundialmente. Queremos um público heterogêneo, trazendo o pensamento de como funciona o empreender para aqueles que só sabem programar, mas também para o empresário”, esclareceu.
Além disso, nomes renomados como Mano Deyvin, Deborah Foloni, Marcel Almeida, Rodrigo Pokémão, Kácio Felipe, Rodrigo Terron e Gabriel Mineiro subiram aos palcos, alguns bem aguardados pelo público. Mineiro ainda destacou que estar em locais fora do eixo aumenta a expectativa em conhecer novos ecossistemas e entender as maturidades diferentes de cada local.
“Eu já fui para outros locais fora de São Paulo, que é onde estão concentrados os investimentos e os grandes eventos, e vejo que sempre há um talento muito forte local. A diferença é sempre o contexto e eu criei uma missão pessoal de ajudar a acelerar esses talentos. Antes a gente não tinha muito onde se espelhar no Brasil e sempre tirava diretamente do Vale do Silício. Com tantas idas aos Estados Unidos, eu trago tudo que aprendo lá, mostro nas palestras a como pegar um talento bruto e cortar um caminho, em vez de esperar dois, três anos com o crescimento natural”, evidenciou.
Com a primeira palestra do palco principal do Roga, Giovanna Armani trouxe um conteúdo sobre IA e quais ferramentas diferentes podem ser usadas para torná-la mais assertiva, produtiva e confiável para os desenvolvedores. “A casa estava muito cheia, fiquei em choque total, e foi uma honra poder abrir o Roga. Eu comecei perguntando sobre o público e a maioria era desenvolvedores, o que me deixou feliz porque eu trouxe dicas que são muito práticas e aplicáveis no dia a dia, independente do nível do desenvolvedor e de carreira”, contou.
Quem aproveitou cada conteúdo foi o David Nudelman, alagoano que atualmente mora no Canadá e atua como MVP da Microsoft em segurança. Para ele, que já tentou participar de outras edições, mesmo com tantos anos de carreira, é importante se manter atualizado. “Quando você está trabalhando, não tem muito tempo de ficar acompanhando tudo o que acontece, saber o que dá certo, o que dá errado, então a parte do aprendizado não é só aprender coisas novas, é aprender o que não fazer porque os outros já erraram, economizando muito tempo. Eu fiquei impressionado com a ambição da ideia do evento”, relatou.
Outra participante, Larissa Araújo, é psicóloga e veio de Natal (RN) acompanhando um amigo. Apesar de não trabalhar diretamente com tecnologia, ela explicou como os conteúdos a ajudaram na sua profissão. “Eu já participei de outros eventos de tecnologia e gostei bastante das falas sobre IA, porque, afinal de contas, hoje a gente costuma fazer bastante uso. Acho que o evento tem trazido uma responsabilidade maior nesse uso e me deu ideias de como aplicar ela na minha atuação”, pontuou.
Entre palestras, mentorias, desafios de programação e oportunidades de negócios, o Roga DX 2026 reuniu diferentes perfis e mostrou que falar de tecnologia também é falar de pessoas, conexões e possibilidades.
Sobre o Roga DX
O Roga DX nasceu da necessidade de reunir e desenvolver a comunidade tech de Alagoas, e cresceu de forma orgânica por cinco edições até se tornar o principal encontro de tecnologia, desenvolvimento e inovação do estado, com público que hoje vem também de outros estados do Nordeste.
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