Ciência e Tecnologia
Litoral brasileiro terá um aumento do nível do mar de 30 centímetros até 2050
Estudo da NASA aponta cidade de Recife como a mais vulnerável
As cidades brasileiras mais vulneráveis ao aumento do nível do mar incluem a capital de Pernambuco, Recife,
considerada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) como a cidade com maior risco no país e uma das principais ameaçadas globalmente devido à combinação de elevação dos oceanos e subsidência do solo. Para o especialista em proteção costeira, Marco Lyra, engenheiro da Ocean Protections, que trabalha com recuperação de praias, o estado da NASA, que aponta aumento de até 30 cm no litoral brasileiro até 2050, é um novo alerta para que o governo federal, mas, sobretudo, os estaduais e municipais, comecem ou acelerem seus projetos de proteção costeira.
A agência espacial utiliza satélites de alta precisão, como o Sentinel-6 Michael Freilich, para medir variações milimétricas na superfície oceânica. Em 2025, o aumento global foi de 0,08 cm, um número influenciado temporariamente pelo fenômeno La Niña. Segundo o NASA Sea Level Change Portal, a média de elevação na última década indica que o degelo polar e a expansão térmica das águas continuam sendo os principais motores da mudança climática global.
Segundo o engenheiro, com base no estudo, o aumento do nível do mar deve atingir até 30 cm na costa brasileira nos próximos 25 anos. ``O litoral do Brasil possui mais de 7.400 km e a vulnerabilidade não é a mesma em todos os estados. Fatores como o afundamento do solo, conhecido como subsidência, tornam o avanço das águas muito mais agressivo em determinadas bacias sedimentares urbanas´´, afirma ele.
E de acordo com o estudo, a cidade de Recife é a capital mais exposta do país, com quase metade de seu território sob risco de inundação, já que possui altitude média de apenas 4 metros e sofre com a extração excessiva de água subterrânea.

Mas Marco Lyra afirma que o estudo também aponta outras cidades, como Santos, onde a infraestrutura portuária e residencial da Baixada Santista enfrenta marés extremas frequentes; Fortaleza, que apresenta erosão acelerada na orla e aumento da salinidade nos rios locais e Rio de Janeiro, onde bairros de baixa altitude e áreas de manguezais suprimidos estão na linha de frente do impacto.
O 6º Relatório de Avaliação do IPCC projeta cenários distintos dependendo do volume de emissões de gases estufa. Se o aquecimento global não for freado, a elevação dos oceanos pode superar 1 metro até o final do século, redesenhando mapas costeiros. E essa variação depende diretamente das políticas climáticas adotadas pelas nações nas próximas décadas.
No Brasil, que opera o SiMCosta, um sistema de monitoramento coordenado pelo IBGE em parceria com a Marinha do Brasil, a rede já conta com 18 estações maregráficas de alta precisão espalhadas pelo país, unidades que transmitem dados em tempo real via satélite, permitindo que cientistas identifiquem onde a erosão costeira é mais severa. O foco atual das novas instalações está nas regiões Norte e Nordeste, que historicamente careciam de dados históricos detalhados para o planejamento urbano.
Para Marco Lyra, se de um lado a preservação de manguezais e restingas é a defesa natural mais barata contra o aumento do nível do mar, do outro é a tecnologia, como os sandbags, ou Dissipadores de Energia (DES) estruturas de proteção costeira inovadoras, comuns no litoral alagoano, ferramentas extremamente versáteis.

Segundo o engenheiro, a erosão costeira e o avanço do mar afetam de forma crítica diversas cidades litorâneas em Alagoas. Os pontos mais críticos e monitorados pela Defesa Civil de Alagoas incluem as seguintes áreas: Maceió, que apresenta os trechos de maior urgência, com destaque para a erosão na orla da Ponta Verde, Jatiúca, Cruz das Almas e a destruição de trechos de restinga e infraestrutura na praia de Riacho Doce; Marechal Deodoro, onde áreas como a Barra Nova e a Praia do Saco/Francês têm sofrido com o avanço da maré, chegando a invadir residências e destruir estruturas de contenção devido a marés altas e em Piaçabuçu, com a região do Pontal do Peba considerada um dos pontos mais críticos do estado, severamente afetada pelo aumento médio global do nível do mar e por processos erosivos severos.
Mais lidas
-
117h às 23h
Orla aberta tem horário ampliado a partir deste sábado para lazer
-
2True Crime
Condenações e corredor da morte: o destino dos criminosos de 'Os Piores Ex 2' na Netflix
-
3Traição!
Saiba quem são as modelos apontadas como pivôs da separação de Vini Jr.
-
4Terra do frio
Em AL, Mar Vermelho consolida força no turismo e gestão atinge 94,6% de aprovação, diz Instituto Ápice
-
5Patriota do caminhão
'Eu Não Te Ouço': Filme inspirado em bolsonarista pendurado em caminhão chega aos cinemas



