Ciência e Tecnologia

Especialista alerta para risco de cidades alagoanas serem engolidas pelo mar

Por Claudio Bulgarelli 05/03/2026 10h44 - Atualizado em 05/03/2026 12h17
Especialista alerta para risco de cidades alagoanas serem engolidas pelo mar
Destruição na praia do Saco, em Marechal Deodoro - Foto: Edilson Omena

O aumento do nível do mar deixou de ser apenas uma projeção científica distante e passou a fazer parte do cotidiano de muitas regiões costeiras, afetando diretamente cidades litorâneas, ecossistemas marinhos e atividades econômicas que dependem do mar, em um contexto de aquecimento global e maior frequência de eventos extremos. A combinação entre derretimento de gelo continental e expansão da água ao esquentar explica por que o nível do mar continua subindo, ainda que existam variações regionais. Projeções indicam que, se as emissões seguirem elevadas, essa elevação persistirá por muitas décadas.
Segundo o especialista alagoano em proteção costeira, engenheiro Marco Lyra, CEO da Ocean Protections, o aumento do nível do mar pode afetar diversas cidades brasileiras, principalmente as localizadas em regiões costeiras e áreas de baixa altitude. ``Com o mar mais alto, ondas e marés invadem com maior facilidade calçadões, avenidas à beira-mar, áreas portuárias e sistemas de drenagem urbana´´, diz Marco Lyra.

O engenheiro afirma que os impactos mais comuns do avanço do mar incluem erosão costeira (quando o aumento do nível do mar intensifica a força das ondas sobre praias e falésias); inundações mais frequentes(marés altas passam a provocar alagamentos recorrentes, mesmo sem ocorrência de tempestades); intrusão salina(a água do 

Para ele, o estado de Alagoas apresenta exemplos relevantes de obras de proteção costeira consideradas bem-sucedidas, com aplicação de estruturas dissipativas, como sistemas do tipo Bagwall
e Sandbag, voltados à redução da energia das ondas e à retenção de sedimentos. Essas soluções, quando bem dimensionadas, podem contribuir para a estabilização da linha de costa e a recuperação da faixa de areia, inclusive com reconhecimento técnico em âmbito internacional.
Ainda segundo Marco Lyra, em Alagoas, o mar está engolindo parte de 14 praias, sendo que o estudo de progradação do litoral destaca nove municípios que precisam se prevenir da erosão costeira com urgência. Para ele as áreas com maior risco de erosão e avanço do mar são em Piaçabuçu, na praia do Pontal do Peba; em Coruripe, Praia do Pontal; Roteiro, na Praia do Gunga (risco de perda de 60m de faixa de areia); Barra de São Miguel, nas praias de Barra Mar e Praia das Conchas; Marechal Deodoro, nas praias do Saco, Barra Nova, e parte da Praia do Francês, todas no litoral Sul.
Em Maceió, no Pontal da Barra (Av. Assis Chateaubriand), onde foram feitas obras de contenção; na Praia da Avenida; na praia da Ponta Verde (regiões próximas a obras de contenção); Praia da Jatiúca, Garça Torta e Riacho Doce, que estão perdendo terreno rapidamente e parte da praia de Ipioca, na foz do rio.
No litoral Norte, praia da Ilha da Croa, na Barra de Santo Antônio; no Passo de Camaragibe, a Praia do Marceneiro; em Porto de Pedras, a praia de Salinas, na foz do rio Manguaba; em Japaratinga, nas praia de Barreiras de Boqueirão e em Maragogi, nas praias de Barra Grande e na Maragogi/São José da Coroa Grande, afetando os manguezais e destruindo residências.