Cidades
Jovens lançam coletânea de reflexões sobre obra de Carlito Lima
Idealizado pelo Cidadania e Justiça na Escola, projeto reúne textos de 23 alunos da Escola Silveira Camerino
“Uma experiência única”. É assim que Emilly Roberta, uma das autoras de “Historiando o Livro Ulla”, descreveu a sensação de lançar um livro. Ela e mais 22 colegas de turma lançaram, nesta quarta (4), uma coletânea de reflexões sobre a obra do alagoano Carlito Lima, autor de “Manguaba”, “Mundaú” e “Jequiá”, conhecida como a Trilogia das Lagoas.
A atividade, com direito a tarde de autógrafos e celebração no Centro de Cultura e Memória do Judiciário (CCM), foi idealizada pelo Programa Cidadania e Justiça na Escola (PCJE). Ela nasceu em 2025, após o escritor alagoano presentear estudantes do 3º ano do Ensino Médio da Escola Estadual Silveira Camerino com 40 exemplares de “Ulla”, de sua autoria. Após a ação, os alunos não só leram, como ficaram extremamente interessados pela obra de Carlito. Assim, uma ação que surgiu para ser pontual, ganhou continuidade e virou um projeto mais amplo, com a benção do autor.
Foi o professor José Édson de Lima Lins que orientou os alunos na construção da coletânea. Ele acompanhou o processo, desde o início da leitura até a finalização do texto de cada estudante.
“Começamos com uma leitura em grupo. A essa leitura foi somado um passeio pela cidade, pelos locais que protagonizaram o romance. Depois avançamos para estudar a história de Alagoas a partir da experiência de viver naquela área mais antiga da cidade”, contou o docente.
Segundo o professor, a decisão de produzir um livro surgiu de maneira natural, quase como uma consequência do interesse dos estudantes pela obra.
"Foi surgindo uma preocupação maior em compreender ainda mais o que estávamos estudando. Depois colocamos toda essa experiência no papel", explicou.
“Ulla” é ambientada em Maceió na década de 1950 e acompanha uma jovem, filha de uma mulher negra com um holandês. A obra une realidade com ficção e aborda questões como a paixão, moral e humanidade. Além disso, trata da construção da sociedade alagoana.
Transformação
Emilly Roberta, de 18 anos, participou pela primeira vez da produção de um livro. Para ela, conhecer profundamente a obra de um escritor alagoano ajudou a despertar para a literatura do estado.
“Eu me interessava mais por livros de outros autores. Quando eu li o livro do Carlito, comecei a querer conhecer a história daqui de Alagoas e os autores daqui”, disse.
Já Henrique Braga Mesquita sentiu uma transformação no seu interesse pela leitura em geral.
“Estou com uma nova percepção sobre a leitura. Agora estou lendo novos livros, me aprofundando melhor na questão histórica e na literatura como um todo”, relatou o jovem , que começou a cursar Engenharia Civil na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) este ano.
Segundo Carlito Lima, saber que contribuiu no processo de enriquecimento cultural dos estudantes da rede pública do estado é uma realização pessoal.
“Às vezes as pessoas escrevem para intelectuais, mas acontece que a minha maneira de escrever é fácil de ler e é sempre sobre Maceió. São histórias factíveis e fáceis de entender. Então, a minha maior satisfação é essa: ver que os jovens entendem o meu livro e ainda escrevem sobre ele”, ressaltou.

Compromisso com a educação
A integrante do PCJE, Luzia Rodrigues, participou diretamente da construção da obra literária. Para a pedagoga, foi satisfatório ver o trabalho finalizado.
“Foi um momento mágico e inesquecível. Ver o brilho nos olhos de cada um dos estudantes, orgulhosos de suas próprias criações, foi a prova de que a literatura abre caminhos extraordinários”, disse.
A atividade do Cidadania e Justiça reforça o trabalho do programa de aproximar o Judiciário dos estudantes da rede pública, além de promover educação e cultura.
“É muito gratificante ver o impacto positivo da continuidade dessa ação do PCJE diretamente com os estudantes na sala de aula. O empenho do professor Edson e o auxílio de Carlito Lima fizeram toda a diferença no aprendizado prático e na formação cidadã deles", destacou Luzia.
O lançamento do livro com tarde de autógrafos contou com a presença de alunos da Escola Estadual Silveira Camerino, de Irina Costa, diretora CCM, do juiz Claudemiro Avelino, curador do CCM, e da coordenadora do PCJE, juíza Nathalya Ataide.
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