Cidades

Justiça determina afastamento de gestora e cobra regularização de abrigo em Maceió

Prefeitura tem cinco dias para apresentar plano de adequação do Lar Santo Antônio de Pádua, onde fiscalização identificou falhas na assistência aos acolhidos

Por Tribuna Hoje com MP/AL 20/10/2026 14h35
Justiça determina afastamento de gestora e cobra regularização de abrigo em Maceió
O abrigo atende cerca de 58 pessoas - Foto: Assessoria

A Justiça de Alagoas determinou o afastamento da responsável pela gestão do Lar Santo Antônio de Pádua, em Maceió, e fixou o prazo de cinco dias para que a Prefeitura apresente um plano de regularização da instituição. O abrigo atende cerca de 58 pessoas, e a decisão foi divulgada pelo Ministério Público do Estado de Alagoas (MPAL) nesta terça-feira (20), após a constatação de que problemas no atendimento continuam sem solução.

Além das medidas administrativas, a determinação judicial prevê a transferência de dois residentes para uma residência inclusiva no mesmo prazo. A decisão foi tomada após uma fiscalização realizada em 14 de outubro, quando foram identificadas deficiências na assistência aos acolhidos, incluindo falta de terapias, ausência de profissionais de saúde responsáveis e problemas relacionados ao controle e à distribuição de medicamentos.

Prefeitura deverá apresentar medidas concretas


O Município terá que indicar um profissional com qualificação técnica para assumir a administração do abrigo e responder pela prestação de contas. Também deverá demonstrar que existem vagas disponíveis para receber os dois acolhidos que precisam ser transferidos, além de apresentar os procedimentos previstos para a mudança.

O plano de regularização deverá incluir um cronograma de ações para corrigir as demais irregularidades identificadas durante a inspeção.

Segundo o Ministério Público, o público atendido pela instituição inclui pessoas com deficiência, limitações físicas e necessidades relacionadas à saúde mental. Entre os problemas encontrados estão a falta de acompanhamento em fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia.

Os fiscais também observaram inconsistências nos registros médicos e ausência de documentos que comprovassem a realização dos tratamentos em outros serviços de saúde.

Decisões anteriores não teriam sido cumpridas integralmente


Em março deste ano, a Justiça já havia determinado que a Prefeitura garantisse condições adequadas de alimentação, higiene, atendimento médico e acompanhamento profissional aos moradores do lar.

No entanto, conforme a avaliação mais recente do Judiciário, os documentos apresentados pelo Município não comprovaram que as providências exigidas anteriormente tenham sido efetivamente implementadas.

Diante da situação, foi mantida a multa diária de R$ 5 mil, limitada a R$ 100 mil. A instituição também continua proibida de receber novos residentes até que as exigências judiciais sejam cumpridas.

Outra medida preservada foi o envio de cópias do processo para apuração de possível crime de desobediência. Essa providência busca investigar eventual descumprimento de ordem judicial e não significa que tenha ocorrido uma condenação criminal.

Processo menciona mortes de 19 acolhidos


A ação civil pública que trata das condições de funcionamento do Lar Santo Antônio de Pádua foi ajuizada em 2025 pelo Ministério Público e pela Defensoria Pública de Alagoas.

No processo, o MPAL informou que 19 pessoas acolhidas na instituição morreram ao longo de um período de 12 meses. A informação integra o contexto das apurações sobre a assistência oferecida aos residentes.

Fundado há mais de três décadas pelo Frei José, o lar depende principalmente de doações para manter suas atividades. Conforme informações apresentadas no processo, apenas sete dos moradores recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

A decisão judicial busca garantir a correção das falhas identificadas e assegurar condições adequadas de acolhimento, assistência e cuidado às pessoas que vivem na instituição.