Cidades

Moradores denunciam obra de residencial em Garça Torta

Construção do edifício Dom Pietro está causando série de transtornos à comunidade

Por Claudio Bulgarelli - repórter / Tribuna Independente 14/10/2026 09h48
Moradores denunciam obra de residencial em Garça Torta
Moradores alertam para as consequências ambientais da construção - Foto: Divulgação

Os moradores da rua São Pedro, na praia de Garça Torta, no litoral Norte de Maceió, irão acionar o Ministério Público de Alagoas para denunciar a obra do residencial Dom Pietro, que está causando transtornos à comunidade. A construção é de responsabilidade da construtora Bezerra Engenharia, com sede em Caruaru (Pernambuco).

As principais reclamações dos moradores do bairro, conhecido pela tranquilidade, são barulho o dia inteiro, poeira que tem prejudicado crianças, idosos e pessoas enfermas, o trânsito interrompido durante várias horas do dia pelo movimento de caminhões, animais domésticos desesperados e, o pior, rachaduras em várias casas próximas a obra.

Segundo descrições, o Dom Pietro é um condomínio residencial de 20 andares, de alto padrão, com valores beirando os 2 milhões de reais, localizado à beira-mar da praia de Garça Torta. O empreendimento destaca-se pelo conceito “pé na areia”, oferecendo apartamentos luxuosos com vista definitiva para o mar em uma das regiões litorâneas mais tranquilas e valorizadas do litoral Norte da capital alagoana.

Mas os moradores estão em “pé de guerra” com a obra, e prometem, mais uma vez, além de acionar o Ministério Público, procurar outros órgãos de controle, contra o que está acontecendo, sobretudo, em relação as rachaduras nas casas vizinhas ao empreendimento.

Na verdade, o atrito, começou desde o momento que a construtora anunciou as obras, e os moradores se uniram em prol da preservação ambiental e da qualidade de vida local. No início do ano, eles se mobilizaram para manifestar sua preocupação e resistência contra o lançamento do empreendimento imobiliário, em um bairro carente de saneamento básico e com um abastecimento de água extremamente precário. Na época, mesmo contrariando o MP e comunidade, a construtora avançou com o megaempreendimento.

Em manifesto postado nas redes sociais, a Associação de Moradores, em apoio aos residentes da rua São Pedro, que são os mais afetados, alertou para as consequências ambientais da construção. Segundo eles, o projeto prevê a supressão do lençol freático, o que pode acarretar danos aos sistemas hídricos e comprometer o abastecimento de água de muitas residências que dependem de poços artesianos.
Em fevereiro, a mobilização dos moradores era para a salvaguarda da qualidade de vida e saúde pública, já que a falta de infraestrutura básica, como saneamento e água potável, já representava uma dura realidade enfrentada pela comunidade. A manifestação, na época, denunciava também o processo de gentrificação em curso, exigindo que o desenvolvimento respeite os limites da natureza e priorize o bem-estar coletivo.

Nos últimos dias os problemas se agravaram, com moradores denunciando rachaduras e danos em suas residências provocados pelas obras de construção do Dom Pietro Residencial, e criticaram o fato da construtora ter apenas aplicado cimento nos locais afetados, o que é visto por engenheiros locais como uma tentativa de “mascarar” o problema.

A Bezerra Incorporadora declarou que os procedimentos adotados são normais, que o projeto segue normas técnicas com engenheiros habilitados e que se colocou à disposição para realizar vistorias e reparar os imóveis. Equipes da Defesa Civil estiveram no local para avaliar a situação, mas não divulgaram um parecer oficial. Muitos moradores, como a proprietária do Pet Hotel Tia Carmita, a dona Carmita, afirmou sobre a necessidade de vistorias mais rigorosas.

O empreendimento já vinha sendo alvo de protestos da comunidade devido os impactos ambientais. No início de 2026, teve suas obras recomendadas para paralisação pelo Ministério Público Federal (MPF) por irregularidades no licenciamento e ausência de estudos de impacto de vizinhança.