Cidades
MPF acompanha restauração de manguezais na Ilha do Lisboa, na Laguna Mundaú, em Maceió
Visita técnica verificou execução de projeto desenvolvido no âmbito de medida de reparação ambiental relacionada ao caso Braskem
O Ministério Público Federal (MPF) realizou visita técnica à Ilha do Lisboa, na Laguna Mundaú, para acompanhar as ações de restauração de manguezais executadas pelo Projeto Aflora Mangue. A iniciativa integra as medidas previstas no Plano Ambiental do Meio Biótico (Pamb), que é uma das obrigações estabelecidas no acordo socioambiental firmado após atuação do MPF para assegurar a reparação dos danos ambientais relacionados à mineração de sal-gema em Maceió.
Participaram da visita as procuradoras da República Juliana Câmara, Julia Cadete e Roberta Bomfim, além de representantes da Braskem e das equipes responsáveis pelo Aflora Mangue. Durante o percurso, foram apresentadas as atividades já realizadas, as técnicas empregadas e os desafios encontrados para a execução das intervenções em diferentes pontos da ilha.
Na Ilha do Lisboa, a previsão é restaurar cerca de 25 hectares de manguezal. O Plano Executivo para a área, elaborado pela Tetra Tech, prevê ações de plantio de espécies nativas, controle de vegetação invasora, abertura e adequação de canais mareais, intervenções para melhorar a circulação da água, além da manutenção e do monitoramento das áreas restauradas. O documento estabelece ainda acompanhamento ambiental por cinco anos após a implantação.
Água para recuperar o manguezal
Um dos pontos observados durante a visita foi a abertura dos canais mareais, que são utilizados para restabelecer a circulação das marés em áreas da ilha nas quais as condições atuais dificultam a regeneração do manguezal.
Na prática, os canais permitem que a água salobra da Laguna Mundaú e os sedimentos voltem a alcançar determinados trechos e ajudam a melhorar a drenagem de áreas que permanecem alagadas. Com isso, busca-se recuperar a conexão entre fragmentos de manguezal e criar condições para que a própria vegetação volte a se estabelecer.
O planejamento prevê aproximadamente 5,6 km de canais mareais. Em grande parte dos trechos, eles terão cerca de um metro de largura e entre 30 e 50 centímetros de profundidade, acompanhando a declividade natural do terreno. Em pontos específicos, as intervenções também incluem a remoção de barreiras que hoje dificultam a circulação da água. A atividade conta com licenças ambientais e acompanhamento do IMA/AL e Ibama.
Trabalho condicionado às características da ilha
A equipe do projeto explicou às procuradoras as dificuldades práticas enfrentadas na execução do projeto. Os trabalhos são acompanhados também pelo Nosso Mangue, negócio de impacto socioambiental fundado e formado por pessoas da comunidade lagunar do Pontal da Barra, cuja participação agrega às atividades a experiência de quem mantém relação direta com o território e atua na recuperação de manguezais. O acesso à Ilha do Lisboa é feito exclusivamente por via aquática e algumas das áreas de intervenção ficam em pontos mais isolados, entre trechos de manguezal.
Por essas características, parte considerável do trabalho depende de mão de obra e ferramentas manuais ou de equipamentos de pequeno porte. Na abertura dos canais, por exemplo, são realizadas operações manuais, com enxadas, enxadões, picaretas e pás.
Recuperação de uma área submetida a intervenções
A visita permitiu ainda observar marcas de usos anteriores da ilha. O diagnóstico que fundamenta o projeto identificou vestígios de ocupação humana, manejo de vegetação, atividades pesqueiras, resíduos sólidos e sinais de queimadas. Também existem duas linhas de transmissão que atravessam o território e cujas faixas de servidão provocam fragmentação da cobertura vegetal e restrições à regeneração natural.
Essas condições ajudam a explicar por que a restauração não se resume ao plantio. Em algumas áreas, é necessário primeiro recuperar condições ambientais que permitam o retorno e a permanência da vegetação típica do manguezal.
Reparação ambiental
O Pamb foi elaborado para dar cumprimento a parte (Capítulo II) do Termo de Acordo Socioambiental firmado em dezembro de 2020 no âmbito da ação civil pública relacionada aos danos provocados pela extração de sal-gema em Maceió. Entre outras medidas, o plano prevê a restauração ecológica de 47,19 hectares de manguezais, com ações de plantio, manutenção, monitoramento e avaliação da efetividade das intervenções.
Antes da ampliação das atividades na Ilha do Lisboa, o Pamb já havia alcançado áreas do Flexal e do Bom Parto. O Plano Executivo registra 3,08 hectares nessas localidades e outros 1,12 hectares inicialmente implantados na própria Ilha do Lisboa.
A visita técnica integra o acompanhamento feito pelo MPF sobre o cumprimento das obrigações socioambientais decorrentes do caso Braskem. A fiscalização busca verificar, em campo, se as medidas previstas estão sendo efetivamente executadas e se as intervenções adotadas são capazes de produzir a recuperação ambiental estabelecida no acordo.
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