Cidades
Menopausa e a perda de massa muscular
Médico Caio Galvão explica fatores que favorecem sarcopenia e destaca importância de exercício, alimentação e outras ações
A perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia, tem ganhado atenção diante do aumento da expectativa de vida, das mudanças hormonais enfrentadas pelas mulheres durante a menopausa e também da popularização das chamadas canetas emagrecedoras. Embora seja mais associada ao envelhecimento, a redução de massa e força muscular pode ocorrer em diferentes fases da vida e comprometer a qualidade de vida, a autonomia e a saúde de forma geral.
Ao TH Entrevista, o médico Caio Galvão explica que a sarcopenia não deve ser encarada apenas como uma consequência natural do envelhecimento. A condição está relacionada à perda progressiva de força e massa muscular e pode aumentar o risco de quedas, limitações funcionais, hospitalizações e outros problemas de saúde.
“A sarcopenia é uma perda progressiva de massa e, principalmente, de força muscular. Ela é muito associada ao envelhecimento, mas não acontece somente por causa da idade. Existem diversos fatores envolvidos, como sedentarismo, alimentação inadequada, doenças crônicas e o próprio estado nutricional”, explica o médico.
Entre os fatores associados ao problema estão idade avançada, baixa renda, falta de atividade física, doenças crônicas, como diabetes e osteoporose, além do risco de desnutrição. Para Caio Galvão, a prevenção deve começar antes que a perda muscular provoque limitações perceptíveis na rotina.
No caso das mulheres, a menopausa representa um período de mudanças importantes na composição corporal. A redução natural dos níveis de hormônios, especialmente do estrogênio, interfere na manutenção da massa muscular, na saúde óssea e no metabolismo. Também podem ocorrer redução do gasto energético, aumento do acúmulo de gordura e alterações na sensibilidade à insulina.
“Na menopausa, existe uma mudança hormonal importante. A redução do estrogênio tem impacto não apenas sobre os sintomas mais conhecidos desse período, mas também sobre a composição corporal, a saúde óssea e a manutenção da massa muscular. Por isso, é uma fase em que a mulher precisa ter uma atenção ainda maior com atividade física e alimentação”, destaca.
Outro ponto abordado pelo médico é o uso das chamadas canetas emagrecedoras, medicamentos que ganharam popularidade nos últimos anos pelo efeito na redução do peso corporal. Segundo Caio, embora essas medicações possam contribuir para a perda de gordura, o processo de emagrecimento também pode envolver perda de massa magra, principalmente quando não existe acompanhamento adequado.
“As canetas podem promover uma perda importante de peso e de gordura, mas precisamos lembrar que o corpo não perde exclusivamente gordura. Também pode haver perda de massa magra. Por isso, o uso precisa ser individualizado e acompanhado por profissionais de saúde, com uma estratégia que preserve a musculatura”, afirma.
Para o médico, o problema não está apenas no número apresentado pela balança. Uma redução rápida do peso sem atenção à composição corporal pode representar uma perda significativa de músculo, comprometendo força e funcionalidade.
“Não podemos olhar somente para o peso. É preciso entender o que está sendo perdido. O objetivo de um emagrecimento saudável deve ser reduzir principalmente a gordura corporal e preservar o máximo possível da massa muscular”, explica.
A preservação da musculatura depende de uma combinação de fatores. Entre eles está a prática regular de exercícios físicos, especialmente o treinamento de força, que estimula diretamente a manutenção e o desenvolvimento das fibras musculares.
“O treinamento de força é fundamental. O músculo precisa receber estímulo para ser preservado. Não adianta apenas reduzir calorias ou utilizar uma medicação para emagrecer. É necessário associar o processo a uma rotina de exercícios adequada”, orienta Caio Galvão.
A alimentação também desempenha papel importante. A ingestão adequada de proteínas fornece os nutrientes necessários para recuperação e construção muscular, enquanto uma alimentação equilibrada contribui para o fornecimento de vitaminas e minerais importantes para o funcionamento do organismo.
“Uma alimentação rica em proteínas de boa qualidade é essencial para fornecer os aminoácidos necessários à recuperação e à manutenção da musculatura. Mas não podemos esquecer dos demais nutrientes, porque a saúde muscular depende de uma alimentação equilibrada como um todo”, ressalta.
Além de exercícios e alimentação, o especialista chama atenção para outros fatores que interferem na saúde muscular, como qualidade do sono e controle do estresse. Segundo ele, esses aspectos também influenciam o metabolismo e a capacidade de recuperação do organismo.
Caio Galvão destaca ainda que “a pessoa precisa observar mudanças na própria capacidade funcional. Se começa a ter dificuldade para subir escadas, levantar de uma cadeira, carregar objetos ou realizar atividades que antes fazia normalmente, é importante procurar avaliação. Quanto mais cedo identificarmos a perda de força e massa muscular, maiores são as possibilidades de intervenção”, orienta.
A entrevista completa está disponível no canal do Tribuna Hoje no YouTube, no portal Tribuna Hoje e na programação da TV COM (canal 12 da Claro/Net), com exibição às 10h, 16h e 20h.
Confira no link abaixo:
TH Entrevista Perda de massa muscular ganha atenção entre mulheres na menopausa e usuários de caneta
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