Cidades

MPF reúne órgãos para viabilizar entrega voluntária de corais no Aeroporto de Maceió

Proposta inclui ponto de coleta, orientação aos passageiros e campanha de educação ambiental para evitar a retirada de materiais naturais das praias

Por Ascom MPF/AL 22/09/2026 18h00 - Atualizado em 22/09/2026 18h45
MPF reúne órgãos para viabilizar entrega voluntária de corais no Aeroporto de Maceió
Dependendo do material recolhido e das circunstâncias da retirada, transporte ou comercialização, a conduta também pode caracterizar infração ambiental e até ter repercussão criminal - Foto: Ascom MPF/AL - adaptação Canva

Levar para casa um fragmento de coral ou uma concha encontrada durante uma viagem à praia pode parecer uma lembrança inofensiva. Esses materiais, porém, integram o ambiente costeiro e marinho e sua retirada pode causar impactos ambientais. Dependendo do material recolhido e das circunstâncias da retirada, transporte ou comercialização, a conduta também pode caracterizar infração ambiental e até ter repercussão criminal.

É justamente antes que uma situação como essa chegue à esfera policial que o Ministério Público Federal (MPF) quer ampliar a informação e a educação ambiental. Em reunião promovida pelo procurador da República Érico Gomes, que atua na área de meio ambiente do MPF em Alagoas, órgãos ambientais, Polícia Federal (PF), poder público e a concessionária Aena avançaram na construção de uma solução para a entrega voluntária de fragmentos de corais, conchas e outros materiais naturais no Aeroporto Internacional Zumbi dos Palmares, em Maceió.

A proposta é criar um ponto de coleta onde o passageiro, ao ser informado de que não deve transportar determinado material, possa entregá-lo voluntariamente. Periodicamente, os órgãos ambientais fariam o recolhimento e dariam a destinação adequada ao que fosse depositado. O procedimento ainda será melhor detalhado pelas instituições ambientais e aeroportuárias.

A iniciativa surgiu em reunião anterior, a partir da constatação de que boa parte das situações identificadas no aeroporto envolve pequenos fragmentos. Desta vez, a discussão foi ampliada com a participação da Aena, administradora do aeroporto de Maceió, e de representantes do Estado de Alagoas, sobre o futuro aeroporto de Maragogi.

Atualmente, quando um material dessa natureza é identificado durante a inspeção de bagagem, funcionários do aeroporto acionam a Polícia Federal. A delegada Vanessa explicou que as ocorrências relacionadas a corais são pouco frequentes neste período do ano, mas tendem a aumentar durante a alta estação. Na avaliação da PF, muitos desses casos têm caráter predominantemente ambiental e administrativo, cabendo aos órgãos de fiscalização ambiental avaliar a relevância da ocorrência.

A proposta em discussão pretende justamente estabelecer um fluxo mais adequado para cada situação. Pequenos fragmentos identificados na inspeção poderão, conforme as regras que ainda serão definidas, ser encaminhados à entrega voluntária. Casos de recusa do passageiro, grande quantidade de material ou outras circunstâncias que indiquem maior gravidade continuarão sujeitos à avaliação dos órgãos competentes e ao acionamento da Polícia Federal.

Para Érico Gomes, a informação pode evitar que desconhecimento e um gesto aparentemente simples resultem em dano ao ambiente e em consequências para o próprio visitante. “Muitas vezes, o turista recolhe ou compra um fragmento de coral ou outro material da praia como lembrança, sem conhecer sua importância para aquele ecossistema e sem saber que a retirada ou o transporte podem ter repercussões legais. A conscientização é fundamental para prevenir essas situações. Queremos que a informação chegue antes, para evitar tanto o dano ambiental quanto uma ocorrência que poderia não existir se houvesse orientação adequada”, afirmou.

Educação ambiental antes do embarque

A entrega voluntária é apenas uma das frentes discutidas na reunião. Para o MPF, a atuação preventiva precisa começar antes de o material chegar à inspeção de segurança do aeroporto. Por isso, a proposta inclui uma campanha de educação ambiental que alcance o visitante durante sua permanência em Alagoas.

A Aena informou que avaliará a possibilidade de desenvolver um plano de comunicação para o Aeroporto de Maceió, utilizando diferentes plataformas para orientar os passageiros. A intenção é que a mensagem chegue ao turista antes mesmo do momento do embarque.

A estratégia poderá ser ampliada para hotéis, áreas de visitação, feiras de artesanato e outros pontos de interesse turístico. A mensagem central é simples: corais, conchas e outros elementos naturais cumprem funções no ambiente em que se encontram e não devem ser retirados ou comprados como lembrança de viagem.

Representante do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que o órgão já elaborou propostas de peças educativas para utilização em aeroportos que podem ser adaptadas para Alagoas. O Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA) também colocou-se à disposição para atuar em conjunto com Ibama e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Os órgãos ambientais também participarão da capacitação aos trabalhadores da Aena para que saibam como proceder diante da identificação desses materiais. Entre os pontos que ainda precisam ser definidos está o tratamento das situações envolvendo bagagens despachadas.

Encaminhamentos

Até 3 de novembro, Aena, órgãos ambientais e Polícia Federal deverão avançar na definição do funcionamento do ponto de entrega voluntária no Aeroporto de Maceió. O alinhamento deverá estabelecer a localização e as características da estrutura, o procedimento a ser adotado pelos trabalhadores, a logística de recolhimento, a destinação ambiental do material e as situações em que será necessário acionar a PF.

No mesmo prazo, deverão ser apresentados avanços ou perspectivas concretas para as ações de educação ambiental. Governo de Alagoas, municípios de Maceió e Maragogi e órgãos ambientais também deverão avaliar iniciativas para ampliar a orientação aos turistas.

No caso de Maragogi, onde o futuro aeroporto ainda se encontra em fase anterior à concessão, foi discutida a possibilidade de incorporar medidas de educação e proteção ambiental aos documentos que orientarão a futura operação.

A expectativa é que o trabalho resulte em duas respostas complementares: oferecer uma destinação adequada para o material que já tenha sido retirado e, principalmente, ampliar a informação para que corais, conchas e outros elementos naturais permaneçam onde devem estar — no próprio ambiente.