Cidades
Alagoas cria Comitê de Enfrentamento dos Impactos do El Niño
Subcoordenação técnica irá prevenir, monitorar e dar respostas aos efeitos do fenômeno climático natural
Alagoas conta, desde o início desta semana, com um Comitê de Enfrentamento dos Impactos do El Niño em Alagoas. O grupo interinstitucional tem como objetivo prevenir, monitorar e responder aos efeitos do El Niño.
O Comitê será coordenado pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos. A subcoordenação técnica ficará sob responsabilidade da Superintendência de Prevenção em Desastres Naturais, cujo titular é o meteorologista Vinícius Pinho.
O meteorologista explicou que uma das principais atribuições do comitê é a integração das informações meteorológicas geradas pela sala de alerta de Alagoas, juntando com as informações dos Centros Nacionais de Meteorologia, como o Cemadem (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais) e o Instituto Nacional de Meteorologia, por exemplo.
“Faremos a integração das informações meteorológicas, informações hidrológicas, o nível dos reservatórios, a situação dos rios, os possíveis impactos agrícolas junto à Secretaria de Agricultura, abastecimento de água junto a Casal, infraestrutura e todas as informações que nos garantem subsídios para que a gente possa avaliar o fenômeno El Niño”.
Segundo Vinícius Pinho, é papel fundamental do Comitê fazer o acompanhamento diário, tanto da condição quanto da evolução do fenômeno.
“Assim como também quais os possíveis impactos que o El Niño pode causar em Alagoas”, detalhou ao acrescentar que é também atribuição do Comitê propor medidas de prevenção e mitigação dos efeitos do fenômeno.
O meteorologista Vinícius Pinho reiterou que, até o final deste ano, acontecerá o ápice do El Niño, o que pode impactar, principalmente, na diminuição das famosas trovoadas, aquelas chuvas que acontecem no final do ano, principalmente no sertão.
O Comitê foi criado pelo governo do Estado e conta com a participação de órgãos estaduais, instituições federais e representantes ligados às áreas de clima, agricultura e defesa civil.
O decreto que criou o Comitê Interinstitucional é o de nº 110.661. O documento foi assinado pelo governador Paulo Dantas na última segunda-feira e publicado no Diário Oficial do Estado da última terça-feira.
El Niño no mundo
Cientistas do mundo todo voltaram a alertar para um El Niño sem precedentes. Segundo eles, “nunca foi visto um El Niño tão intenso”:
A anomalia projetada supera qualquer registro desde 1950 e deve ampliar o risco de seca no Norte e Nordeste do Brasil, com chuva acima da média no Sul
Os detalhes foram passados no Met Office, serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, no último dia 21. “O El Niño em formação deve ser o mais forte já observado e, provavelmente, o mais impactante desde o século XIX. As projeções mais recentes apontam alta superior a três graus Celsius nas temperaturas da superfície do mar no Pacífico equatorial ainda neste ano, patamar inédito nos registros que remontam a 1950”.
Um El Niño típico provoca elevação de 1°C a 2°C, e o intervalo superior já é considerado um evento de grande magnitude. Alguns grupos climáticos projetam anomalia ainda maior que a do Met Office, de até 4°C acima da média, segundo a BBC.
“Isso significa que, se a previsão se confirmar, e outros sistemas de previsão apontam para valores extremos semelhantes, então 2026 vai exceder largamente nossa experiência recente do El Niño e de suas influências climáticas em nível mundial”, revelou Adam Scaife, responsável pelas previsões de longo prazo do Met Office.
Com essa intensidade, o órgão avalia que é muito provável que 2027 substitua 2024 como o ano mais quente já registrado.
“Devemos deixar claro que este é um evento sem precedentes”, disse o professor Adam Scaife, chefe de previsão de longo prazo do Met Office. “Nunca vi sinal de um El Niño tão intenso em nossas previsões”.
O El Niño resulta do aquecimento recorrente da superfície do mar no Pacífico oriental, provocado pelo enfraquecimento dos ventos alísios. Ocorre a cada dois a sete anos e costuma durar de nove a 12 meses. Cientistas declaram o evento quando a temperatura da superfície na região-chave do Pacífico supera a média em pelo menos 0,5°C.
Um fator adicional pesa nas projeções atuais. Temperaturas cerca de 8°C acima do normal a 100 metros de profundidade em alguns pontos funcionam como reserva de água quente que reforça o fenômeno.
Os impactos globais podem ameaçar colheitas em diferentes regiões. Em 2016, milhões de pessoas no Chifre da África foram afetadas por seca severa associada ao fenômeno.
Sinais do evento atual já aparecem em algumas regiões, com monções abaixo do normal no Sul da Ásia e alterações nos padrões de vento no Caribe e no Atlântico tropical que podem reduzir a atividade de furacões. As projeções indicam ainda maior risco de seca e incêndios na Austrália e de inundações no Peru, no Equador e no sul dos Estados Unidos.
No Brasil, o El Niño tende a elevar as chuvas no Sul e a reduzir a precipitação no Norte e no Nordeste. As previsões para agosto indicavam temperaturas acima da média histórica em grande parte do país, de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia.
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