Cidades

Caso Davi: MP defende manutenção da condenação de policiais e aponta provas que sustentam veredito do júri

Registros de telefonia, reconhecimento de vítima sobrevivente e testemunhos da abordagem serão apresentados em julgamento de recurso nesta quarta-feira

Por Tribuna Hoje com Ascom MP/AL 26/08/2026 01h03 - Atualizado em 26/08/2026 02h33
Caso Davi: MP defende manutenção da condenação de policiais e aponta provas que sustentam veredito do júri
Dona Maria com a foto do filho Davi da Silva - Foto: Divulgação

Doze anos após o desaparecimento do adolescente Davi da Silva, de 17 anos, o caso volta ao Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ/AL) nesta quarta-feira (26), quando será julgado o recurso apresentado pela defesa dos quatro policiais militares condenados pelo Tribunal do Júri. O Ministério Público de Alagoas (MP/AL) defenderá a manutenção da sentença, sustentada, segundo o órgão, por um conjunto de provas formado por registros de telefonia, reconhecimento dos acusados por uma vítima sobrevivente e depoimentos de testemunhas que presenciaram a abordagem.

Davi foi visto pela última vez em 25 de agosto de 2014, sendo colocado em uma viatura da Rádio Patrulha no bairro Benedito Bentes, em Maceió. O corpo do adolescente nunca foi encontrado.

Em maio de 2026, os quatro policiais foram condenados pelo Tribunal do Júri a penas que, somadas, ultrapassam 100 anos de prisão em regime fechado.

De acordo com o MP/AL, uma das provas consideradas fundamentais para a condenação foi a análise dos registros de telefonia da guarnição. A investigação apontou que a abordagem ocorreu entre 8h e 9h da manhã, no Conjunto Cidade Sorriso I, no Benedito Bentes.

Os dados técnicos mostram que, às 7h34, a equipe policial estava no Jacintinho. Já às 8h01, um dos aparelhos utilizados pela guarnição acionou uma estação rádio-base localizada no Loteamento Jardim Paulo VI, na Cidade Universitária, área que abrange a principal via de acesso ao Benedito Bentes. Para o Ministério Público, a informação contradiz a versão dos acusados de que só teriam chegado à região por volta das 9h.

Outro elemento destacado pela acusação é o depoimento de Raniel Oliveira Silva, que estava com Davi no momento da abordagem e foi liberado posteriormente. Durante o procedimento de reconhecimento, Raniel analisou dezenas de fotografias de policiais militares e também assistiu a vídeos de oitivas. Segundo o MP, ele identificou os quatro integrantes da mesma guarnição responsável pelo patrulhamento da área naquele dia, detalhando a participação individual de cada um.

Além disso, testemunhas relataram ter visto Davi ser colocado em uma viatura caracterizada da Rádio Patrulha. Elas descreveram características específicas do veículo, incluindo a presença do símbolo de um pitbull. Em depoimento, o então comandante do batalhão confirmou que as viaturas da corporação utilizavam o emblema na época dos fatos.

Para o Ministério Público, a convergência entre os depoimentos, o reconhecimento dos acusados e os dados de telefonia foi determinante para a condenação dos policiais pelo Conselho de Sentença.

No julgamento desta quarta-feira, a instituição defenderá que a decisão dos jurados seja mantida. Segundo o MP/AL, o veredito do Tribunal do Júri deve ser preservado por estar amparado em provas produzidas durante a investigação e submetidas ao contraditório e à ampla defesa.