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Pacientes com anemia falciforme estão há três meses sem Hydrea em AL

Falta do medicamento obriga pacientes a recorrer à compra particular; atendimento médico no Hemoal também é alvo de reclamações

Por Tribuna Hoje 07/08/2026 10h15
Pacientes com anemia falciforme estão há três meses sem Hydrea em AL
Medicamento Hydrea chega a custar mais de R$ 300 - Foto: Imagem ilustrativa

Pacientes com anemia falciforme em Alagoas relatam estar há cerca de três meses sem receber a hidroxiureia, medicamento utilizado no controle da doença. Segundo relatos, o Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), antiga Farmex, está sem o Hydrea 500 mg, usado principalmente por pacientes adultos.

Sem previsão de reposição, quem tem condições financeiras tenta comprar o medicamento por conta própria. O custo informado pelos pacientes varia de cerca de R$ 280 a mais de R$ 300, o que dificulta o tratamento para quem depende exclusivamente da distribuição pública.

A situação também afeta famílias com mais de uma pessoa em tratamento. Para esses pacientes, a compra mensal de várias unidades representa um gasto que não cabe no orçamento.

De acordo com os relatos dos pacientes, o Estado teria realizado uma compra, mas o medicamento ainda não foi liberado para distribuição. O adulto utiliza comprimidos de 500 mg, em quantidade definida conforme a prescrição médica.

A hidroxiureia é utilizada no tratamento da anemia falciforme e pode contribuir para o aumento da hemoglobina fetal e para a redução de complicações relacionadas à doença. A interrupção do tratamento preocupa pacientes que dependem da medicação fornecida pela rede pública.

Falta de médicos amplia reclamações

Além do desabastecimento, pacientes também relatam dificuldades para conseguir consultas no Hemocentro de Alagoas (Hemoal). As queixas envolvem principalmente adultos que tentam marcar atendimento e não encontram vagas disponíveis.

Segundo os relatos, a quantidade de profissionais para atender à demanda seria insuficiente. Pacientes afirmam que a situação vem sendo discutida e cobrada, mas ainda não houve uma solução.

Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) informou que o Ceaf está abastecido com o Hydrea de 100 mg. Sobre a versão de 500 mg, a pasta afirmou que concluiu o processo licitatório e notificou a empresa fornecedora para que faça a entrega do medicamento, com o objetivo de retomar a dispensação aos usuários cadastrados.

A Sesau, no entanto, não informou quando o Hydrea 500 mg deverá chegar e voltar a ser distribuído aos pacientes.

Sobre o atendimento no Hemoal, a secretaria afirmou que a assistência hematológica multidisciplinar é assegurada todos os dias da semana, 24 horas por dia. Segundo a pasta, atualmente são acompanhados 864 pacientes com doença falciforme e 626 com coagulopatias hereditárias, além de pacientes com outras doenças hematológicas.

A resposta da Sesau, porém, não esclarece as reclamações dos pacientes sobre a dificuldade para conseguir consultas nem informa se há déficit de médicos no ambulatório de hematologia do Hemoal.

Com a falta da medicação e as queixas relacionadas ao acesso às consultas, pacientes com anemia falciforme cobram respostas sobre a regularização do tratamento e do atendimento especializado na rede pública de Alagoas.