Cidades
Educação ambiental nos terreiros
Projeto une ancestralidade e preservação ambiental em comunidades de matriz africana nos municípios alagoanos
O TH Entrevista recebeu o religioso Roberto Araújo para apresentar o projeto “Onilé e Òsun – Cuidar da Terra e das Águas”, iniciativa que promove educação ambiental, sustentabilidade e valorização dos saberes ancestrais das comunidades de matriz africana em Alagoas.
Durante a entrevista, Roberto explicou que o projeto nasceu a partir de uma iniciativa idealizada pela Mãe Beata de Iemanjá, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e foi adaptado para a realidade alagoana com foco na justiça ambiental e na preservação dos territórios tradicionais.
Segundo ele, o nome do projeto traduz sua essência: Onilé representa a Mãe Terra e Òsun (Oxum) simboliza as águas. “Cuidar da terra e da água faz parte da nossa espiritualidade e da nossa responsabilidade com a natureza”, afirmou.
Ao explicar o diferencial da iniciativa, Roberto destacou que as religiões de matriz africana têm uma relação histórica com os elementos naturais, considerados sagrados.
“O projeto pretende levar oficinas de educação ambiental para terreiros e comunidades tradicionais, abordando temas como manejo do solo, descarte correto de resíduos, preservação de nascentes e práticas sustentáveis na realização de oferendas, substituindo materiais que possam causar impactos ambientais por elementos naturais”, salientou Roberto Araújo.
Ainda segundo o religioso, entre as ações previstas estão atividades voltadas ao cuidado com as águas, recuperação da consciência ambiental das comunidades e formação de multiplicadores para disseminar esse conhecimento.
Ele destacou que uma das preocupações é a preservação de nascentes, como a existente em Satuba, onde o projeto pretende conscientizar a população sobre a necessidade de evitar descarte de resíduos e outras ações que comprometam os recursos hídricos.
Roberto também ressaltou a importância da parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal), que aproxima a produção acadêmica dos conhecimentos tradicionais, fortalecendo o debate sobre educação ambiental e sustentabilidade.
Combate ao preconceito
Roberto enfatizou também que outro eixo do projeto é a promoção da justiça ambiental associada ao enfrentamento da intolerância religiosa.
Segundo ele, além da preservação ambiental, a proposta busca ampliar o reconhecimento dos povos de terreiro como guardiões da natureza.
“A natureza é sagrada para nós. Cuidar dela também é combater o preconceito e reconhecer o papel dos povos tradicionais na preservação ambiental”, frisou.
“As atividades serão desenvolvidas em terreiros e comunidades tradicionais de Alagoas. Entre os locais já contemplados está um quilombo no município de Taquarana, onde também serão realizadas oficinas sobre manejo sustentável do solo e conservação da água”, emendou.
CONVITE
Ao final da entrevista, Roberto reforçou que toda a população pode participar das ações e refletir sobre a relação entre espiritualidade, ancestralidade e meio ambiente. “Somos natureza. O rio tem vida, o mar tem vida, a terra tem vida. Cuidar da natureza é uma responsabilidade de todos”, concluiu.
A entrevista completa está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube, no portal Tribuna Hoje e na programação da TV COM (Canal 12 da Net/Claro).
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