Cidades
Acusados de linchamento que terminou em morte são condenados a mais de 36 anos de prisão
Homicídio que vitimou José Willams da Silva ocorreu em 21 de abril de 2022; Lucas Gabriel Santos Lins e João Vitor da Silva Araújo foram considerados culpados do crime
Dois homens foram condenados nesta quinta-feira (6) a mais de 36 anos de prisão pelo linchamento que resultou na morte de José Willams da Silva, de 22 anos, em Maceió. O julgamento ocorreu no Fórum da Capital e foi marcado por fortes declarações do promotor de Justiça Napoleão Amaral, que classificou o episódio como reflexo de uma “sociedade doentia” que insiste em fazer justiça com as próprias mãos.
“O linchamento público é um vício. A humanidade precisa aprender que não é o sangue alheio que resolve nossas indiferenças. Mata-se por tudo: por uma discussão, pelo fim de um casamento, por uma motocicleta furtada, como se o patrimônio tivesse mais valor do que uma vida”, afirmou o promotor durante os debates.
Lucas Gabriel Santos Lins, conhecido como “Luquinhas”, recebeu pena de 19 anos, cinco meses e quatro dias de reclusão. Já João Vitor da Silva Araújo, o “Billy”, foi condenado a 17 anos, um mês e 22 dias. Somadas, as penas ultrapassam 36 anos de prisão em regime fechado. Ambos retornaram imediatamente ao presídio.
Ao todo, seis pessoas foram denunciadas pelo crime. Uma delas foi assassinada antes do julgamento e, das cinco que chegaram ao júri, três foram absolvidas — incluindo um réu ausente.
O homicídio ocorreu em 21 de abril de 2022, por volta das 21h, na Avenida Getsemane, no bairro Tabuleiro do Martins. A vítima, acusada de furtar uma motocicleta, foi encurralada e brutalmente espancada com socos, chutes, pedradas e, por fim, esfaqueada no pescoço e abdômen. José Willams deixou dois filhos.
Um dos réus, Luiz Fernando Almeida Silva, chegou a confessar o crime em depoimento à polícia, detalhando a participação dos envolvidos. Dias depois, porém, mudou sua versão alegando ter sido ameaçado por Lucas Gabriel e João Vitor. O promotor destacou que a alteração do relato foi motivada pelo medo: “O réu, já morto, foi ameaçado por Luquinhas e João Vitor. Se contasse a autoria do crime, morreria. Qual comportamento poderíamos esperar dele, senão modificar o depoimento?”, disse Amaral.
João Vitor da Silva Araújo já possuía duas condenações anteriores: uma por furto, em 2021, e outra por receptação, em 2022.
Encerrando sua fala, o promotor fez um apelo contra a banalização da violência: “Como se não tivessem nenhum pecado, foram lá, julgaram, sentenciaram e executaram o rapaz. Debaixo de chuva, a mãe que um dia o embalou pediu um lençol para cobrir o filho. Esse justiçamento urbano não pode prevalecer. Existem leis e é a Justiça quem deve aplicá-las.”
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