Cidades

Julho Verde alerta para diagnóstico tardio

Campanha alerta para sinais que costumam ser ignorados e prevenção contribui para reduzir os riscos da doença

Por Ana Paula Omena / Tribuna Independente 29/07/2026 08h46
Julho Verde alerta para diagnóstico tardio
Nutróloga Eline Soriano explica os principais sinais do câncer de cabeça e pescoço e reforça importância da prevenção - Foto: WilLams Campos

O fim do Julho Verde não encerra o alerta para a prevenção do câncer de cabeça e pescoço. A campanha reforça a importância da conscientização durante todo o mês de julho, mas os cuidados precisam fazer parte da rotina ao longo de todo o ano, principalmente diante de um cenário preocupante: quase 80% dos casos da doença no Brasil são diagnosticados em estágio avançado, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA).

Em entrevista ao TH Entrevista, a médica nutróloga Eline Soriano explicou que o diagnóstico tardio está relacionado, em grande parte, à dificuldade de reconhecer os primeiros sinais da doença. Segundo ela, muitas pessoas atribuem os sintomas a problemas comuns e acabam adiando a busca por atendimento médico.

Entre os principais sinais de alerta estão feridas na boca que não cicatrizam, rouquidão persistente e o aparecimento de caroços no pescoço. A especialista explicou que os tumores de cabeça e pescoço atingem principalmente a cavidade oral, faringe, orofaringe e laringe. “Quando esses sintomas persistem, é fundamental procurar avaliação médica para investigação”, destacou.

Embora o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas permaneçam entre os principais fatores de risco, Eline Soriano ressaltou que a obesidade e uma alimentação baseada em produtos ultraprocessados também contribuem para o desenvolvimento de diversos tipos de câncer.

Segundo a médica, dietas ricas em gorduras saturadas, açúcar e alimentos industrializados favorecem processos inflamatórios e o estresse oxidativo, fatores associados ao surgimento de alterações celulares.

Sobre a ideia de que “o câncer se alimenta de açúcar”, ela esclareceu que não existe comprovação científica de uma relação direta. No entanto, explicou que o consumo excessivo de açúcar contribui para processos inflamatórios no organismo. A recomendação é priorizar carboidratos complexos, alimentos integrais, frutas, verduras e legumes. “Descascar mais e desembrulhar menos”, orientou.

Durante a entrevista, a nutróloga enfatizou que a prevenção não deve começar apenas quando surgem os primeiros sintomas. Manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados são medidas que ajudam a diminuir o risco de câncer e de outras doenças crônicas.

Entre os alimentos recomendados estão vegetais, frutas, feijão, castanhas, cereais integrais e carnes magras. Já embutidos, carnes processadas, biscoitos recheados e outros produtos industrializados devem ser evitados ou consumidos com moderação.

A especialista também lembrou que o envelhecimento aumenta o risco para o desenvolvimento da doença, reforçando a importância de hábitos saudáveis em todas as fases da vida.

Eline Soriano orienta que pessoas com rouquidão persistente, feridas na boca que não cicatrizam ou aumento de caroços no pescoço procurem atendimento médico. O diagnóstico pode ser realizado por um cirurgião de cabeça e pescoço ou por um oncologista.

Ao encerrar a entrevista, a médica reforçou que o principal legado do Julho Verde deve ser a mudança de hábitos e a conscientização permanente. “O Julho Verde acaba no calendário, mas a prevenção precisa acontecer durante todo o ano.”

A entrevista completa está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube, no site do Tribuna Hoje e na programação do canal 12 – TV COM da Net/Claro.

Confira no link abaixo:

TH Entrevista Diagnóstico tardio marca maioria dos casos de câncer de cabeça e pescoço