Cidades

Vídeo: Cratera destrói sonho da casa própria de família

Até agora, nada foi feito pela Defesa Civil de Maceió para impedir a tragédia

Por Valdete Calheiros - repórter / Tribuna Independente 29/07/2026 08h32 - Atualizado em 29/07/2026 09h58
Vídeo: Cratera destrói sonho da casa própria de família
Há mais de um ano, a família observa o crescimento da voçoroca que destruiu parte da área de lazer da família e uma capela para os momentos de fé - Foto: Edilson Omena

Uma voçoroca de 13 metros de profundidade e 40 metros de diâmetro está destruindo o sonho da casa própria de uma família de cinco pessoas, composta por um casal e três filhos. Moradores do conjunto João Sampaio II, no Jardim Petrópolis, eles já viram 25% da residência ser engolida pela cratera gigante. A dimensão da cratera é uma estimativa do proprietário do imóvel.

O corretor de seguros Roberisvan Silva, 44 anos, escolheu o endereço a dedo para poder ficar perto dos parentes. Comprou a casa, há cinco anos, na mesma rua em que os demais familiares já moravam.

Em pouco mais de um ano e meio, a tranquilidade e a paz da família foram tomadas pela enorme cratera que insiste em aumentar de tamanho nos fundos da residência.

Roberisvan Silva está vendo, dia a dia, o local que comprou para ver os filhos crescerem, os netos nascerem e curtir a aposentadoria quando a idade permitir virar o maior pesadelo da sua vida.

“Moro nas proximidades há 35 anos, desde menino, me mudei há cinco anos justamente para ficar mais perto de todos da família. Investi R$ 400 mil no local. Atualmente, nem consigo tentar vender. Na verdade, não tenho interesse em vender. Aqui é minha casa própria. Quero apenas ter o direito de envelhecer na minha residência e ver meus filhos aproveitarem o que é deles. Por causa da voçoroca, minha esposa e meus filhos ficam da metade da casa para a rua, apenas eu ando pelos fundos da casa”, contou, desolado ao olhar para a piscina abandonada e para a capela que construiu para a família e que hoje abriga apenas a fé de que, um dia, o poder público municipal irá atender seus apelos e resolver o avanço da voçoroca.

Reberisvan Silva olha desolado para a cratera que aos poucos vai tomando conta da sua residência (Foto: Edilson Omena)

O corretor de seguros afirmou que, em um período de um ano e meio recebeu pelo menos seis visitas técnicas da Defesa Civil e da Seminfra (Secretaria Municipal de Infraestrutura). E em nenhuma delas, segundo ele, nada foi resolvido.

De acordo com o proprietário da residência, a primeira das visitas foi em novembro de 2024, quando a prefeitura municipal realizou uma vistoria na escadaria de 78 degraus que fica nos fundos da sua casa. Aliás, ficava. A escadaria foi engolida pela voçoroca.

“Em todo o conjunto residencial há, pelo menos, 16 escadarias. Vi uma delas ir sumindo pouco a pouco bem debaixo dos meus olhos. Eu que não sou da área, tentei argumentar com os técnicos que vieram e apenas colocaram cimento no meio da escada. Falei qual era o jeito certo e ouvi deles que a prefeitura não tinha dinheiro para fazer o serviço necessário. Desde então, a situação só está piorando.

Segundo Roberisvan Silva, a voçoroca já engoliu sua garagem, banheiro, muro, parte da área de lazer, comprometeu a utilização da piscina e da capela construída para os momentos de fé religiosa da família.

“Em julho de 2025, a voçoroca engoliu uma palmeira enorme com elas mais algumas dezenas de degraus. Já procurei a Defesa Civil, a Seminfra e o Ministério Público Estadual várias vezes. Até agora, apenas ouvi, informalmente, um conselho de um funcionário da Defesa Civil. Ele me aconselhou a sair da minha residência. Eu morando aqui, cobrando soluções diariamente, não vejo resolução nenhuma, imagine se eu abandonar minha casa.

Aqui é meu lar e providências precisam ser tomadas. Queria ver se a voçoroca estivesse engolindo a casa de alguém da prefeitura se alguma providência já não teria sido tomada”, questionou ele.

O corretor de seguros disse que, além da insegurança com a estrutura do local, convive com o medo de assaltos, uma vez que, devido ao completo abandono por parte da prefeitura, sua residência está totalmente vulnerável a assaltos e invasões. Por motivos de segurança à família, a reportagem da Tribuna Independente não irá revelar o endereço completo da residência. O mesmo foi informado apenas à Defesa Civil de Maceió que, até o fechamento desta edição, não respondeu aos questionamentos feitos pela reportagem.