Cidades
Mudanças no trânsito geram reclamações de motoristas
Moradores de Cruz das Almas e de Mangabeiras desaprovam a modificação realizada nas ruas dos dois bairros
As recentes mudanças no trânsito no bairro de Jatiúca, Mangabeiras e Cruz das Almas, em Maceió, implementadas pela prefeitura da capital, estão desagradando, em cheio, motoristas, pedestres e moradores da região. A mudança marcou a conclusão da alça viária construída na região.
As alterações, vigentes desde o dia 23 de maio último, concentram-se principalmente na Avenida Comendador Gustavo Paiva, entre os bairros Cruz das Almas e Mangabeiras, e no sistema binário local. A justificativa da prefeitura de Maceió é que as mudanças iriam melhorar a fluidez.
Segundo o levantamento do órgão, a Avenida Comendador Gustavo Paiva registra um fluxo entre 2.800 e 3.400 veículos por hora nos horários de pico da manhã.
A caminho da reportagem, a equipe de Jornalismo flagrou um acidente envolvendo carros e uma moto. O motociclista estava esperando socorro médico no chão. E uma viatura da Polícia Militar tentava a todo custo passar pelo engarrafamento, com a sirene ligada, provavelmente para atender a uma ocorrência.
O motoboy Heberton da Silva Pinheiro disse que a mudança está causando dores de cabeça até mesmo em quem tem moto. De acordo com ele, em qualquer horário agora a região registra facilmente quilômetros de retenção.
“Estamos falando de congestionamentos jamais vistos nesta região. Uma mudança não pode vir para piorar o que já estava ruim. Tem que ter ações que melhorem o trânsito e não que piorem a vida do motorista e do pedestre”, reclamou.
Da esquina de um prédio localizado à Rua Padre Luiz Américo Galvão, Claudionor da Silva contou que nem uma televisão pode mais ouvir, de tanto barulho. Ele questionou os benefícios da mudança.
“Eu não sou engenheiro não, mas dá para ver que essa rua não suporta ônibus nem a passagem de tantos veículos ao mesmo tempo. Essa via não foi projetada para essa demanda. Creio que já perceberam o erro e já, já devem voltar atrás. Aqui virou um novo caminho das Índias. Há momentos em que três carros, vindo de direções diferentes, tentam ir para o mesmo lugar”.
Já a Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes de Brito, na orla, apresenta demanda significativamente menor no sentido Litoral Norte, com cerca de 850 veículos por hora.
As reclamações só aumentam desde que o Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT) realizou mudança de sentido das ruas Luiz Francisco Cedrim e Industrial Moacir Duarte. Ambas tiveram alterações em seus sentidos de direção. Um semáforo foi reposicionado. O equipamento instalado no encontro da Avenida Dona Constança de Góes Monteiro com a Rua Industrial Moacir Duarte será retirado.
O conjunto semafórico foi colocado no cruzamento da Avenida Dona Constança de Góes Monteiro com a Rua Luiz Francisco Cedrim, exclusivamente para auxiliar na travessia de pedestres.
A Rua Luiz Francisco Cedrim, que atualmente funciona sentido Avenida Dona Constança de Góes Monteiro /Avenida Comendador Gustavo Paiva, passou a operar no sentido Avenida Comendador Gustavo Paiva/ Avenida Dona Constança de Góes Monteiro.
A Rua Industrial Moacir Duarte, que funcionava atualmente no sentido Avenida Comendador Gustavo Paiva/Avenida Dona Constança de Góes Monteiro, passou a operar no sentido Avenida Dona Constança de Góes Monteiro/Avenida Comendador Gustavo Paiva.
Com isso, o tráfego em direção ao Litoral Norte será transferido para a Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes de Brito. Do semáforo um pouco antes do supermercado GBarbosa até a “Ladeira do PC Farias”, a via passará a funcionar em mão única no sentido Centro.
Entre outras mudanças houve também a restrição de veículos pesados, caminhões com mais de cinco toneladas estão proibidos de circular no contrafluxo da Avenida Gustavo Paiva e vias adjacentes nos horários estabelecidos pelo DMTT.
Os três pontos de ônibus retirados do trecho de contrafluxo da Avenida Comendador Gustavo Paiva foram redistribuídos entre a Rua Padre Luiz Américo Galvão e a Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes de Brito. O ponto que funcionava na Rua Padre Luiz Américo Galvão foi realocado alguns metros antes, na mesma via.
Fluxo pode piorar
O viaduto que será construído em Mangabeiras terá duas plataformas, uma com 170 metros de extensão e outra com 84 metros, além de duas cabeceiras de 60 metros cada. O governo municipal está investindo mais de R$ 11 milhões na obra, que tem conclusão prevista para dezembro. O engenheiro de transportes e especialista em gestão da mobilidade urbana, Fábio Barbosa Melo, acredita que a situação poderá ficar ainda pior. “A região já apresenta seu caos em ambos os sentidos em horário de pico, isso se contar que ainda estamos em recesso escolar. Então podemos dizer que o fluxo ainda não piorou o suficiente. Tem potencial para piorar mais”.
Segundo ele, o problema não é a proposta em si e sim a discussão sobre mobilidade urbana em Maceió. “Na maioria da cidade, o que pode ser feito é isso que foi feito na Cruz das Almas e Mangabeiras ou desapropriar imóveis e aumentar o sistema viário, que também só resolveria o problema dos congestionamentos de uma área por um determinado período de tempo”.
“As pessoas precisam se conscientizar que devem cobrar melhoria de condições de caminhada (calçadas), de uso de meios de mobilidade ativa e, principalmente, de condições de transporte coletivo de massa. Soluções que priorizam tráfego de transporte individual motorizado são muito pouco efetivas”.
O engenheiro especialista em gestão da mobilidade urbana, Fábio Barbosa Melo, sugeriu como alternativa a ser tentada a alteração da prioridade dos sentidos da Avenida Gustavo Paiva em horários de pico.
“No horário da manhã priorizar o sentido Centro e, na parte da tarde, priorizar o sentido litoral Norte. Na parte da tarde, deixar duas faixas sentido Centro e duas faixas sentido litoral Norte na Avenida Gustavo Paiva poderia ter efeito benéfico. Ao meu ver, isso poderia ter sido feito antes de uma implantação definitiva. Mas é preciso uma avaliação acurada da demanda nos horários para ver a viabilidade”.
Quanto à duplicação da Avenida Gustavo Paiva, o engenheiro não acredita que possa ser uma solução. Segundo ele, requer custo elevado com desapropriações e, possivelmente, traria melhora por muito pouco tempo.
O DMTT limitou-se a responder que está ainda avaliando o fluxo na região, inclusive, com visitas diárias, contagem de veículos e tempo de viagem.
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