Cidades
“Nova privatização da Casal vai elevar ainda mais o valor da conta de água”
Afirmação é de Dafne Orion durante mobilização dos trabalhadores contra o sucateamento e desmonte instituicional da empresa
Os trabalhadores da Casal fazem uma paralisação de advertência para chamar a atenção do processo de sucateamento e desmonte institucional da empresa. Com previsão de 48 horas de duração, a mobilização começou às 8h desta terça-feira (7) em frente ao prédio-sede da companhia, localizado no Centro de Maceió.
Durante a mobilização, a presidente do Sindicato dos Urbanitários de Alagoas, Dafne Orion, disse que os trabalhadores vêm tentando negociar um acordo coletivo desde março deste ano, mas a empresa só deu algum tipo de sinalização em junho, sem avanços até o momento.
“Os trabalhadores fizeram esse movimento não só pelo acordo coletivo de trabalho, para que ele avance, mas, também, para chamar atenção da população para uma pauta ainda mais importante, que é a questão da água. A Casal já teve uma parte dela leiloada. Entregou a distribuição para empresas privadas e, a partir disso, a conta de água ficou mais cara”, avalia Orion.
A preocupação agora é a de uma nova privatização, da entrega do tratamento da água também à iniciativa privada. Conforme Dafne Orion, existe um estudo em andamento que pode apontar para uma nova fase da privatização.
“Quem cuida da qualidade da água é a Casal. Então imagine isso ser privatizado. Isso vai gerar um aumento ainda maior na conta de água, que já tá cara. É uma responsabilidade muito grande. E as empresas privadas a gente sabe que elas perdem o compromisso social que uma empresa pública tem. A lógica passa ser só o lucro. Então a gente tá fazendo esse alerta para a população da importância de defender a Casal e o controle da água continuar com a gestão pública”, explica.
A mobilização da categoria, que acontece nesta terça e quarta-feira (8), não deve parar por aí. O Sindicato dos Urbanitário deve dialogar com os candidatos ao governo para alertar sobre a importância de defender a Casal, de assumir um compromisso com a população alagoana de continuar a gestão e o controle da água seja de domínio público.

Dafne Orion disse que os trabalhadores da Casal já se sentem abandonados pela gestão da empresa. “Os trabalhadores estão sendo deslocados dos seus locais de trabalho sem nenhum planejamento. Muita gente não sabe direito ainda o que fazer dentro da Casal. Muitos trabalhadores relatam casos, inclusive de assédio moral. Isso é lamentável para uma empresa do tamanho da Casal com a história que ela tem”.
O prédio-sede da Casal, onde os trabalhadores estão mobilizados, deve ir a leilão até o final deste mês. “Os trabalhadores foram pegos de surpresa, souberam pela imprensa que o prédio histórico, sede da Casal, ia ser vendido. Então todo mundo que trabalhava aqui já foi deslocado para outro local da Casal. Menos a presidência, que está construindo um lugar para poder se mudar”, relata a liderança.
Segundo Dafne, os trabalhadores deslocados foram amontoados em salas. “Então é um tratamento assim gritante que está sendo dado aos trabalhadores da Casal, que demonstra que não é uma gestão comprometida com os trabalhadores. E a gente lamenta, uma vez que a Casal é um hoje a empresa cujo acionista majoritário é o Estado”, avalia. “Eu quero acreditar e acredito que o Estado não tem ciência disso. O acionista majoritário da Casal não sabe como a Casal está sendo de fato gerida. Porque é um abandono”, continua.
O valor do lance inicial do leilão do prédio já foi divulgado: R$ 9 milhões. “Qual o objetivo de leiloar esse prédio? O que vai ser feito com esse valor? O que vai ser feito? Para onde é que vai? São essas perguntas que a gente e a população precisa de uma resposta”, questiona a sindicalista.
O clima entre os cerca de 700 trabalhadores da empresa é de tensão. “Os trabalhadores vivem com uma incerteza muito grande de não saber sequer se vão acordar e onde vão estar trabalhando”, finaliza Orion.
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