Cidades

AL entre os estados com avanço de casos graves de síndrome respiratória

Por Tribuna Hoje com Fiocruz 25/06/2026 14h32
AL entre os estados com avanço de casos graves de síndrome respiratória
Médicos recomendam vigilância reforçada contra SRAG - Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

Alagoas está entre os oito estados brasileiros que apresentam tendência de crescimento dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) nas últimas seis semanas, segundo o mais recente Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (25) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O estado aparece ao lado de Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio de Janeiro, Roraima e Santa Catarina no grupo de unidades da federação que registram aumento sustentado da doença. O levantamento considera os dados até a Semana Epidemiológica 24, correspondente ao período de 14 a 20 de junho.

Além da tendência de crescimento no longo prazo, Alagoas também integra a lista dos estados que permanecem em situação de alerta, risco ou alto risco para incidência de SRAG nas últimas duas semanas. Apenas Rondônia, Piauí e Pernambuco ficaram fora desse cenário.

A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe, observa que, em relação à Covid-19, o número de casos de SRAG apresenta aumento em alguns estados, como Amazonas, Pará e Ceará, mas que, no entanto, esse crescimento ainda é lento e que os casos semanais permanecem em níveis baixos. Diante deste cenário, Portella chama a atenção para a importância de a população elegível manter a vacinação contra o vírus em dia.

"Lembrando que idosos e pessoas imunocomprometidas precisam tomar doses de reforço da vacina contra a Covid-19 a cada seis meses para ficarem adequadamente protegidos. A vacinação é a principal forma de proteção contra casos graves e óbitos causados pelos principais vírus respiratórios associados à Síndrome Respiratória Aguda Grave, como influenza, Covid-19 e vírus sincicial respiratório. Por isso, é fundamental que as pessoas dos grupos de risco e elegíveis estejam com a vacinação em dia”, ressaltou.

Além disso, recomendou a pesquisadora, é importante manter medidas de prevenção, como lavar sempre as mãos e utilizar máscara em postos de saúde e em locais fechados ou com maior aglomeração de pessoas. Caso apresente sintomas de gripe ou resfriado, o ideal é permanecer em isolamento. Se isso não for possível, a recomendação é sair de casa usando uma boa máscara, para reduzir o risco de transmissão do vírus para outras pessoas.



Estados e capitais

Os casos de SRAG por VSR continuam aumentado em toda a região Sul (PR, SC e RS), boa parte do Sudeste (RJ, MG e SP) e em alguns estados do Norte (AP, PA e RR), Nordeste (AL, CE, MA) e no Mato Grosso do Sul. Nos estados do Acre, Pará, Mato Grosso, Goiás, Distrito Federal, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e Espírito Santo os casos de SRAG por VSR continuam altos, mas já mostram sinais de interrupção do crescimento ou queda.

As hospitalizações por influenza A seguem aumentando no Acre e em Roraima e, embora apresentem tendência de estabilização ou queda, permanecem em níveis elevados em Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná. Já os casos graves por Influenza B continuam aumentando em boa parte do Centro-Sul (GO, DF, MS, MG, SP, RJ, PR, RS e SC), além do Ceará e do Maranhão. Os casos de SRAG por Covid-19 seguem com sinal de crescimento em alguns estados do Norte (AM, CE e PA), mas o número semanal de casos ainda permanece baixo. As notificações de SRAG por Covid-19 permanecem com indícios de aumento em alguns estados da Região Norte (Amazonas e Pará), além do Ceará. No entanto, o número semanal de casos ainda permanece baixo.

Oito das 27 capitais apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, com sinal de crescimento na tendência de longo prazo até a semana epidemiológica 24: Boa Vista (Roraima), Curitiba (Paraná), Florianópolis (Santa Catarina), Macapá (Amapá), Porto Alegre (Rio Grande do Sul), Rio de Janeiro (Rio de Janeiro), São Luís (Maranhão) e Vitória (Espírito Santo).

Dados epidemiológicos

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 16,4% para influenza A, 7,9% para influenza B, 53,1% para vírus sincicial respiratório, 23,9% para rinovírus e 2% Covid-19 (Sars-CoV-2). Entre os óbitos, a presença desses mesmos vírus, considerando apenas os casos positivos e o mesmo período, foi de 38,3% para influenza A, 12,6% para influenza B, 20,9% para vírus sincicial respiratório, 21,6% para rinovírus e 7,5% para Covid-19 (Sars-CoV-2).

Em nível nacional, a análise verificou sinal de manutenção do crescimento dos casos de SRAG entre os idosos e desaceleração desse crescimento entre crianças menores de dois anos e pessoas de 15 a 49 anos. Entre crianças e adolescentes de dois a 14 anos, os casos estão em queda.

O cenário atual, em nível nacional, aponta estabilização ou oscilação nas tendências de longo e de curto prazo. No ano epidemiológico de 2026, já foram notificados 97.813 casos de SRAG, sendo 49.511 (50,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 34.270 (35%) com resultado negativo e 7.771 (7,9%) ainda aguardando resultado laboratorial.

Incidência e mortalidade

A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A ocorrência de SRAG é mais elevada entre as crianças pequenas e está associada, principalmente, ao vírus sincicial respiratório. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus influenza A.

Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto em crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade é mais elevada na população com 65 anos ou mais. As ocorrências de SRAG por Covid-19 continuam baixas em todas as faixas etárias.