Cidades
Alagoas e Maceió estão entre áreas em alerta para SRAG, aponta boletim da Fiocruz
Número de casos volta a aumentar entre jovens, adultos e idosos
O novo Boletim InfoGripe, divulgado nesta quinta-feira (18), pela Fundação Oswaldo Cruz, aponta que Alagoas está entre as 14 unidades da federação com incidência de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em nível de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento nas últimas semanas.
O cenário também se repete na capital alagoana: Maceió aparece entre as 12 capitais brasileiras que seguem em nível de atenção para SRAG, ainda que sem sinal de crescimento contínuo na tendência de longo prazo.
Segundo o levantamento, o país registra aumento expressivo de hospitalizações associadas principalmente a dois vírus: o vírus sincicial respiratório (VSR), que atinge com mais força crianças pequenas, e os vírus da influenza A e B, que impactam jovens, adultos e idosos.
Situação em Alagoas e no Brasil
De acordo com a análise, o VSR segue em expansão na maioria dos estados do Nordeste — incluindo Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão e Rio Grande do Norte — além de regiões do Sul e parte do Norte e Sudeste.
Já em Alagoas, o boletim indica que os casos de SRAG permanecem em patamar elevado, acompanhando a tendência nacional de pressão sobre os serviços de saúde, especialmente pediátricos e de urgência.
Cenário nacional de alerta
Ao todo, 14 das 27 unidades federativas estão em nível de alerta, risco ou alto risco com sinal de crescimento de longo prazo. Entre elas estão estados como São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul.
Outros nove estados também apresentam níveis preocupantes de incidência, mas sem crescimento recente consistente.
Capitais em atenção
Além de Maceió, outras capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Goiânia, Brasília e Manaus também seguem com registros elevados de SRAG.
O boletim reforça a importância da vigilância epidemiológica e da atenção aos sintomas respiratórios, especialmente em crianças pequenas, idosos e pessoas com comorbidades, que formam os grupos mais vulneráveis às complicações da síndrome.
Em nível nacional, observa-se desaceleração do crescimento do número de casos de SRAG nas crianças até 4 anos e queda dos casos graves nas crianças e adolescentes de 5 a 14 anos. Referente à Semana Epidemiológica 23, a atualização abrange o período de 7 a 13 de junho.
A pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz, reforça que o importante é que a vacina contra a influenza protege contra os vírus da influenza A e B. Por isso, afirma Portella, é fundamental que as pessoas dos grupos de maior risco, como crianças, idosos e pessoas com comorbidades, estejam vacinadas. A cientista enfatiza ainda que também é essencial que gestantes, a partir da 28ª semana de gestação, se vacinem contra o vírus sincicial respiratório para proteger seus bebês contra o vírus.
Além disso, diante do leve aumento da Covid-19 em alguns estados, Portella orienta que é importante que a população de risco, como idosos e imunocomprometidos, esteja em dia com as doses de reforço da vacina contra a Covid-19. “No mais, recomendamos alguns cuidados adicionais, como usar máscaras em locais fechados e com maior aglomeração de pessoas e dentro de unidades de saúde; fazer isolamento em caso de sintomas de gripe ou resfriado; ou, quando o isolamento não for possível, sair de casa usando uma boa máscara para evitar transmitir o vírus para outras pessoas”.

Estados e capitais
A análise mostra que 14 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas), com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas seis semanas) até a Semana 23: Acre, Alagoas, Amapá, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pará, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Roraima, Santa Catarina e São Paulo.
Além disso, 9 unidades também apresentam incidência de SRAG em níveis de alerta, risco ou alto risco, porém sem sinal de crescimento na tendência de longo prazo: Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Mato Grosso, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Dados epidemiológicos
Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 19,1% de influenza A, 7,1% de influenza B, 51,4% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 43,7% de influenza A, 10,5% de influenza B, 16,9% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 7,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 89.725 casos de SRAG, sendo 44.485 (49,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 31.637 (35,3%) negativos e ao menos 7.740 (8,6%) aguardando resultado laboratorial. Dados de positividade para semanas recentes estão sujeitos a grandes alterações em atualizações seguintes, por conta do fluxo de notificação de casos e inserção do resultado laboratorial associado.
Entre os casos positivos do ano corrente, observou-se 23,6% de influenza A, 3,5% de influenza B, 35% de vírus sincicial respiratório, 31,8% de rinovírus e 5,4% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 19,1% de influenza A, 7,1% de influenza B, 51,4% de vírus sincicial respiratório, 23,9% de rinovírus e 2,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
Incidência e mortalidade
A incidência e a mortalidade semanais médias, nas últimas oito semanas epidemiológicas, mantêm o padrão característico de maior impacto nos extremos das faixas etárias analisadas. A incidência de SRAG é mais elevada nas crianças pequenas e está associada principalmente ao VSR. Já a mortalidade é maior entre os idosos, tendo como principal causa o vírus da influenza A. Em relação aos casos de SRAG por influenza A, a incidência tem apresentado maior impacto nas crianças menores de 2 anos, enquanto a mortalidade tem maior impacto na população a partir de 65 anos de idade. A incidência de SRAG por Covid-19 continua baixa em todas as faixas etárias.
Referente aos óbitos de SRAG em 2026, foram registrados 3.842 óbitos de SRAG, sendo 1.772 (46,1%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 1.679 (43,7%) negativos e ao menos 82 (2,1%) aguardando resultado laboratorial. Dentre os óbitos positivos do ano corrente, observou-se 41,7% de influenza A, 5,8% de influenza B, 9,6% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 20,1% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas 4 últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os óbitos positivos foi de 43,7% de influenza A, 10,5% de influenza B, 16,9% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 7,2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).
O Boletim InfoGripe é uma estratégia do Sistema Único de Saúde (SUS) voltada ao monitoramento de casos de SRAG no país. A iniciativa oferece suporte às vigilâncias em saúde na identificação de locais prioritários para ações, preparações e resposta a eventos em saúde pública.
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