Cidades

Pesquisa da USP com Ufal testa bromélia em Arapiraca

Espécie barba-de-velho está sendo testada como bioindicador natural da qualidade do ar

Por Davi Salsa / Sucursal Arapiraca 18/06/2026 08h45
Pesquisa da USP com Ufal testa bromélia em Arapiraca
Bioindicadores estão instalados em diversos bairros de Arapiraca, município que se destaca como cidade verde e já recebeu títulos nacioais - Foto: Seduma

A bromélia Barba-de-velho (Tillandsia usneoides) é uma epífita que vive apoiada em outras árvores sem parasitá-las. Ela não possui raízes verdadeiras e retira todos os seus nutrientes e umidade diretamente da atmosfera, funcionando como um bioindicador natural da qualidade do ar.

Por conta disso, a Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Campus da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), em Arapiraca, no Agreste alagoano, está fazendo pesquisas com a planta em diversos bairros da cidade.

A pesquisa de doutorado é do Instituto de Energia e Meio Ambiente da USP junto à UFAL Campus Arapiraca. A pesquisa visa a instalação de bioindicadores ambientais com o uso da planta, que atua como filtro da poluição nas cidades, coletando dados de material particulado, metais e outras emissões.

Segundo o superintendente de Meio Ambiente de Arapiraca, Fellipe Barbosa, o propósito da pesquisa é mostrar como a arborização urbana pode contribuir com a saúde pública, atenuando impactos urbanos como doenças respiratórias.

Os bioindicadores foram instalados em diferentes bairros de Arapiraca, com condições climáticas e arborização distinta para que sejam colhidos resultados e depois direcionar as políticas públicas necessárias para a arborização como estratégia climática e de saúde pública para a cidade.

Ele adianta que a pesquisa leva em consideração os avanços no desenvolvimento do Plano Estadual de Arborização Urbana de Alagoas e que está sendo construído pela USP e pela Ufal, campus de Arapiraca, junto aos municípios.

A equipe trabalha como a aplicação de regra 3 30 300. Fellipe Barbosa explica que o 3 se refere à necessidade de ter três árvores à vista de cada residência, e o 30 se refere ao percentual de arborização que um bairro deve ter. Já o 300 é a distância em metros que cada morador deve estar de uma área verde.

A Capital do Agreste tem se destacado como uma cidade verde e já recebeu títulos nacionais, por conta do avanço das áreas verdes, tendo plantado mais de 60 mil árvores nos últimos cinco anos.

“Arapiraca tem avançado nessa agenda climática, estando presente em programas como o Cidades Verdes Resilientes, o Adapta Cidades e participado das oficinas do Plano Estadual de Arborização Urbana de Alagoas. Temos avançado na agenda climática aumentando nossa cobertura de infraestrutura verde com a arborização urbana e com ações de conservação e recuperação de áreas degradadas em nascentes urbanas e na Apa Jurema”, acrescenta o superintendente.