Cidades
Vivarte e o modernismo em Alagoas
Ricardo Maia relembra ao TH Entrevista caminhos que marcaram atuação nas artes e ligação com o movimento
Autor de ensaios, textos autobiográficos e do livro Maceyorkinos, o artista visual Ricardo Maia teve sua trajetória retratada na obra O Anatomista das Artes em Alagoas, organizada por ele.
Ricardo contou que iniciou no teatro aos 11 anos, após incentivo da atriz Naná Magalhães, participando de montagens ligadas ao Teatro de Arena e a grupos conduzidos por nomes como Bráulio Leite. Antes disso, já mantinha contato com artistas e intelectuais que viviam na Rua Barão de Maceió, onde cresceu.
Segundo ele, o ambiente cultural da região influenciou diretamente sua formação artística, especialmente por meio do convívio com professores, pintores e críticos de arte.
Ao comentar o surgimento do Vivarte, Ricardo Maia afirmou que o grupo representou uma tentativa de modernização das artes visuais em Alagoas. Ele definiu o “vivartismo” como um modernismo tardio e ligado às características locais.
De acordo com o pesquisador, o movimento surgiu em um contexto no qual a produção artística do estado ainda mantinha forte influência acadêmica e pouca circulação de referências da arte moderna e abstrata.
Ricardo citou nomes como Maria Amélia Vieira, Dalton Costa, Edgard Barbosa, Lula Nogueira e Sales entre os integrantes ligados ao núcleo do grupo. Segundo ele, a proposta era romper com modelos tradicionais de ensino artístico e ampliar o debate sobre arte contemporânea em Alagoas.
Durante a entrevista, Ricardo Maia afirmou que ainda percebe resistência ao reconhecimento histórico do Vivarte dentro de setores ligados às artes e à academia.
Segundo ele, pesquisas sobre o movimento teriam enfrentado dificuldades dentro da universidade, incluindo desistências de projetos acadêmicos relacionados ao grupo. O pesquisador defendeu que preservar a memória do Vivarte se tornou uma responsabilidade pessoal diante do que considera um processo de apagamento histórico.
Ele ressaltou também que trocou parte da produção artística pela pesquisa e pela documentação da cena cultural alagoana, especialmente após aprofundar estudos em Psicologia Social e História da Arte.
“O grupo é parte da minha história. Eu não apenas ajudei a criar o Vivarte, mas também fui formado por ele”, declarou.
Ao analisar a produção artística atual em Alagoas, Ricardo Maia salientou que parte do cenário cultural ainda apresenta distanciamento da pesquisa histórica e da reflexão crítica.
O pesquisador também questionou a organização de grandes exposições coletivas sem recorte conceitual definido e criticou o que classificou como ausência de consciência histórica dentro do campo das artes visuais.
Para ele, muitos artistas deixam de compreender os processos históricos que influenciam suas produções e acabam repetindo referências sem reconhecer conexões com movimentos anteriores.
Apesar das críticas, Ricardo destacou acreditar em mudanças futuras a partir do fortalecimento da memória, da pesquisa e da valorização da história cultural do estado.
A entrevista completa está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube, no site do Tribuna Hoje e na programação do canal 12 da TV COM na Net/Claro, com exibições às 10h, 16h e 20h.
Confira no link abaixo:
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