Cidades
Corpo de alagoano permanece há um ano no IML de São Paulo
Passado mais de um ano do assassinato do alagoano Jeferson de Souza, 24 anos, morto em São Paulo, depois de uma abordagem policial, a família do rapaz ainda aguarda – sem prazo estimado – o translado do corpo do jovem para Alagoas. Na verdade, os parentes seguem sem detalhes sobre como, quando ou até mesmo se o corpo será trazido para que eles possam providenciar um enterro digno.
No mês passado, a irmã de Jeferson, Micaeli Soares, enviou mensagem, via WhatsApp, à Defensoria Pública daquele estado perguntando sobre os trâmites para que o corpo seja enviado. Até a tarde de ontem, a mensagem sequer havia sido respondida.
Micaeli Soares afirmou não entender o porquê de o governo de São Paulo ainda não ter cumprido a decisão de enviar o corpo à família. Já que existe decisão judicial determinando o translado.
Ainda assim, a família segue sem data prevista. A Defensoria Pública de São Paulo ficou de acompanhar a situação, mas há quase um mês não responde mais as indagações da família.
A família espera a chegada do corpo de Jeferson de Souza para poder se despedir, de forma digna, do alagoano. O translado do corpo está avaliado em cerca de R$ 15 mil. No momento, o corpo segue no Instituto Médico Legal (IML) paulista.
Segundo Micaeli Santos, a demora foi por conta da realização do exame de DNA. No entanto, o resultado do exame saiu em dezembro de 2025. “Falta agora, o estado de São Paulo efetuar o pagamento e fazer o translado do corpo do meu irmão. A família quer muito que ele seja enterrado aqui, onde ele cresceu. Nós não aceitamos que ele seja enterrado lá”, explicou a irmã do jovem.
Natural de Craíbas, interior de Alagoas, Jeferson de Souza estava morando em São Paulo desde 2019, e foi no executado por policiais militares da Força Tática daquele estado, com tiros de fuzil. O crime foi registrado pela câmera corporal de um policial.
Os policiais envolvidos na execução, Alan Wallace e Danilo Gehring, foram presos no dia 22 de julho pela própria corporação e levados ao Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Leste de São Paulo, onde permanecem detidos. Ambos responderão por homicídio qualificado.
Alan foi denunciado pelo Ministério Público de São Paulo à Justiça Comum por homicídio doloso duplamente qualificado (motivo torpe e mediante recurso que impossibilitou a defesa da vítima). Já Danilo responderá, na medida de sua culpa, por ter contribuído para a execução do crime.
O crime aconteceu no dia 13 de junho no Viaduto 25 de Março. As imagens obtidas mostram que os militares mentiram ao dizer que o alagoano reagiu à abordagem. Jeferson teve ferimentos de fuzil na cabeça, no tórax e no braço.
Micaeli Soares contou que o irmão se mudou para capital paulista com o objetivo de melhorar de vida. Nos primeiros anos, trabalhou em uma pizzaria, mas começou a usar drogas e passou a morar na rua. Órfão após a morte da mãe, vítima de câncer, e o assassinato do pai, Jeferson foi tentar a sorte na cidade mais movimentada do país.
“O sonho dele era ser jogador de futebol. Muitas vezes ele me falou que queria voltar [para Alagoas], que queria sair dessa vida. Ele era um menino tranquilo. É uma dor muito forte que eu não desejo para ninguém. Já me perguntei mil vezes o que ele fez para chegar ao ponto de tirarem a vida dele?”À época, o porta-voz da Polícia Militar de São Paulo classificou a morte do morador em situação de rua como “inaceitável” e “vergonhosa” a conduta dos policiais.
A Justiça de São Paulo responsabilizou o estado de São Paulo pela morte do alagoano. A decisão 11ª Vara de Fazenda Pública da Comarca de São Paulo, assinada no último dia 29 de agosto, é considerada inédita e determina que o estado providencie ou arque com o translado do corpo para o município de Craíbas.
Os policiais militares alegaram que o jovem teria tentado tomar a arma de um dos agentes, justificando os disparos. No entanto, os vídeos mostram que a vítima estava desarmada, acuada e chorando, com as mãos para trás, quando foi morta com tiros na cabeça, no tórax e no braço.
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