Cidades

Alagoas em alerta por aumento de internações por doenças respiratórias

Por Tribuna Hoje com Fiocruz 11/06/2026 12h47
Alagoas em alerta por aumento de internações por doenças respiratórias
Se não for possível fazer o isolamento, a recomendação é sair de casa usando uma boa máscara - Foto: Edilson Omena/ArquivoTH

Alagoas está entre os estados brasileiros que apresentam crescimento nos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo a nova edição do Boletim InfoGripe, divulgada nesta quinta-feira (11) pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

O levantamento, referente à Semana Epidemiológica 22, compreendida entre os dias 31 de maio e 6 de junho, coloca Alagoas entre as 11 unidades federativas que registram incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco, com tendência de crescimento nas últimas semanas.

Os dados mostram que o avanço das hospitalizações está relacionado principalmente à circulação do vírus sincicial respiratório (VSR), agente que tem impulsionado o aumento dos casos em diversos estados do Nordeste.

Além de Alagoas, também aparecem na lista Acre, Amapá, Pará, Paraná, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.

Vírus sincicial lidera aumento das internações

De acordo com a Fiocruz, os casos de SRAG associados ao vírus sincicial respiratório continuam em crescimento em grande parte do Nordeste. O cenário inclui Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

A análise aponta que o VSR permanece como um dos principais responsáveis pelas internações por doenças respiratórias, especialmente entre crianças e grupos mais vulneráveis.

Enquanto isso, os registros de hospitalizações por influenza A seguem em expansão em estados do Sul do país, além de Roraima e Rio Grande do Norte. Já os casos graves relacionados à influenza B apresentam crescimento principalmente em São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul.

Capital alagoana também aparece em alerta

O boletim também chama atenção para a situação de Maceió. A capital alagoana integra a lista das dez capitais brasileiras que apresentam nível de atividade de SRAG em alerta, risco ou alto risco, além de sinal de crescimento na tendência de longo prazo.

Ao lado de Maceió, aparecem Aracaju, Belém, Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Macapá, Porto Alegre, Rio Branco e Salvador.

Os dados reforçam o monitoramento das doenças respiratórias no estado, especialmente neste período de maior circulação de vírus respiratórios e aumento da procura por atendimento nas unidades de saúde. 

“É importante que a população tome alguns cuidados, como lavar sempre as mãos, usar máscaras dentro unidades de saúde e em ambientes aglomerados com pouca circulação de ar. Também é importante fazer isolamento em caso de aparecimento de sintomas de gripe ou resfriado para evitar transmitir o vírus para outras pessoas. Se não for possível fazer o isolamento, recomendamos que a pessoa saia de casa usando uma boa máscara como a N95 ou PFF2. E o mais importante, é fundamental que as pessoas dos grupos prioritários e elegíveis tomem a vacina contra a influenza e o VSR, para diminuírem as chances de desenvolverem a forma mais grave da doença ou irem a óbito, caso se infectem por esses vírus”, orienta a pesquisadora Tatiana Portella, do Boletim InfoGripe e do Programa de Computação Científica da Fiocruz. 

Dados epidemiológicos

Em relação aos casos positivos do ano corrente, verificou-se que 24,4% de influenza A, 3,1% de influenza B, 33,1% de vírus sincicial respiratório, 32,5% de rinovírus e 5,7% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a prevalência entre os casos positivos foi de 20,7% de influenza A, 5,7% de influenza B, 49,6% de vírus sincicial respiratório, 24,5% de rinovírus e 2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Nas quatro últimas semanas epidemiológicas, a proporção entre os casos positivos foi de 20,7% de influenza A, 5,7% de influenza B, 49,6% de vírus sincicial respiratório, 24,5% de rinovírus e 2% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Referente ao ano epidemiológico 2026, já foram notificados 82.544 casos de SRAG, sendo 40.259 (48,8%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 29.404 (35,6%) negativos, e ao menos 7.319 (8,9%) aguardando resultado laboratorial. Entre os óbitos, a presença destes mesmos vírus entre os positivos e no mesmo recorte temporal foi de 46,5% de influenza A, 9,9% de influenza B, 17% de vírus sincicial respiratório, 18,4% de rinovírus e 6,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).

Incidência e mortalidade

Os dados de resultados laboratoriais por faixa etária mostram que a alta de SRAG em crianças de até 4 anos de idade tem sido impulsionada principalmente pelo VSR, enquanto o rinovírus tem predominado entre crianças e adolescentes de 5 a 14 anos. Nas últimas semanas, também tem sido observado um predomínio de casos de SRAG associados à influenza A entre jovens, adultos e idosos. A influenza B vem apresentando aumento, especialmente nas faixas etárias de 5 a 14 anos e de 15 a 49 anos.

Em 2026 já foram registrados 3.591 óbitos de SRAG, sendo 1.641 (45,7%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 1.575 (43,9%) negativos e ao menos 76 (2,1%) aguardando resultado laboratorial.

Dentre os óbitos positivos do ano corrente observou-se 41,9% de influenza A, 4,9% de influenza B, 9,1% de vírus sincicial respiratório, 20,4% de rinovírus e 21% de Sars-CoV-2 (Covid-19). Nas quatro últimas semanas epidemiológicas a prevalência entre os óbitos positivos foi de 46,5% de influenza A, 9,9% de influenza B, 17% de vírus sincicial respiratório, 18,4% de rinovírus e 6,8% de Sars-CoV-2 (Covid-19).