Cidades

Profissionais do Hospital Veredas e o impacto na saúde mental

Relatos na unidade hospitalar apontam meses sem pagamento, adoecimento e saída de trabalhadores

Por Ana Paula Omena / Tribuna Independente 01/05/2026 08h05 - Atualizado em 01/05/2026 08h07
Profissionais do Hospital Veredas e o impacto na saúde mental
Psiquiatra Igor de Oliveira: 'em um ambiente hospitalar, quando se soma falta de salário, o estresse aumenta' - Foto: Edilson Omena

Profissionais da saúde que atuam no Hospital Veredas, em Maceió, relatam atrasos salariais, dificuldade para arcar com despesas básicas e incerteza quanto ao pagamento. Parte da equipe deixou a função em busca de renda, enquanto outros permanecem trabalhando sem previsão de receber.

O cenário ultrapassa a questão financeira e alcança a saúde mental dos trabalhadores. Em entrevista ao TH, canal Tribuna Hoje no YouTube, o psiquiatra Igor de Oliveira afirmou que o ambiente hospitalar já impõe carga elevada de trabalho, contato com casos graves e cobrança contínua.

“Quando se soma a ausência de salário, o nível de estresse aumenta e atinge várias áreas da vida”, frisou.

Segundo o especialista, profissionais da saúde que atuam em hospitais estão expostos a rotinas intensas, com alta demanda e responsabilidade constante. Esse contexto, por si só, já exige equilíbrio emocional, que passa a ser comprometido diante da falta de remuneração.

De acordo com o médico, o atraso compromete o pagamento de contas e pode gerar acúmulo de dívidas. O impacto também se estende às famílias, principalmente quando o profissional depende de uma única fonte de renda.

Ansiedade e depressão

O psiquiatra salientou que os quadros mais comuns nesse contexto são ansiedade e depressão. “A preocupação constante com a falta de recursos intensifica o sofrimento e interfere na rotina”, explicou. Segundo ele, o profissional pode apresentar dificuldade de concentração, queda no desempenho e aumento de faltas. O cenário também influencia a tomada de decisões no ambiente de trabalho.

Ainda conforme o especialista, o estresse contínuo compromete o sono, a alimentação e as relações pessoais, fatores que refletem diretamente na atuação profissional.

“O trabalhador fica mais vulnerável, mais lento e sujeito a erros”, pontuou. A situação pode impactar a qualidade da assistência prestada aos pacientes.

O acúmulo de frustração pode levar ao esgotamento. O médico destacou que a combinação entre cobrança e falta de remuneração favorece o desenvolvimento da síndrome de burnout.

Em alguns casos, segundo ele, o sofrimento leva à desistência da carreira. “Há profissionais que preferem sair, mesmo sem receber, diante do nível de desgaste”, afirmou.

Sinais de alerta

Entre os principais sinais, o especialista cita: tristeza persistente, ansiedade intensa antes do trabalho, crises de pânico, sensação de esgotamento, perda de interesse pelas atividades. A presença desses sintomas indica a necessidade de buscar atendimento.

Igor de Oliveira garantiu que existem vários atendimentos que podem ser iniciados na rede pública, por meio dos Centros de Atenção Psicossocial, unidades básicas de saúde e ambulatórios especializados. Também é possível recorrer a psicólogos, psiquiatras e médicos do trabalho.

O psiquiatra observou também que transtornos de ansiedade podem atingir entre 20% e 50% da população. “Mesmo no menor índice, é um número significativo”, disse.

Para o especialista, o acompanhamento em saúde mental é necessário diante de sinais de sofrimento. Ele voltou a defender a busca por atendimento e apontou que o cuidado deve ocorrer sem barreiras para os profissionais.

A entrevista completa está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube, no site do Tribuna Hoje e na programação do canal 12 – TV COM da Net/Claro, com exibição às 10h, 16h e 20h.

Confira no link abaixo: