Cidades
Menino Petrúcio e a devoção popular
Padre Sérgio Ricardo detalha relatos de caridade, premonição da morte e pedidos atendidos que sustentam adoração
A história de Petrúcio Correia, conhecido como Menino Petrúcio, começa em 1927, em uma família com sete filhos. Filho de Maria Menezes Correia e Francisco Aprígio Correia, ele enfrentou dificuldades ainda na infância.
Após a morte do pai e das irmãs, a família foi acolhida, em 1935, na instituição que hoje é a Casa do Pobre, em Maceió. Na época, o local funcionava como abrigo para pessoas em situação de vulnerabilidade. Ao TH Entrevista, canal da Tribuna no Youtube, o padre Sérgio Ricardo Soares de Oliveira, vice-diretor da instituição, detalhou que a mudança marcou o início de uma trajetória observada por quem convivia com o menino.
“No ambiente da instituição, Petrúcio passou a chamar atenção pelo comportamento e pela rotina religiosa. Participava de missas, auxiliava nas atividades e mantinha uma postura voltada à oração”, contou o sacerdote.
De acordo com o padre, ainda criança ele já liderava ações religiosas, como o Apostolado da Oração, aos 10 anos. Também realizava gestos de ajuda sem orientação direta.

Em algumas ocasiões, ao receber dinheiro para deslocamentos, optava por caminhar e utilizava o valor economizado para comprar itens necessários para a casa.
O episódio que mais marcou os relatos sobre o menino ocorreu pouco antes de sua morte, em 1938. Segundo registros, ele afirmou ter visto uma mulher vestida de branco que teria anunciado o horário de sua morte.
Dias depois, adoeceu com febre e pediu assistência religiosa. Durante o período, foi questionado se desejava ser curado ou ir para o céu. A resposta indicava duas possibilidades: permanecer para ajudar a família e a instituição ou partir e interceder por eles.
Ele morreu aos 11 anos. Após a confissão, o sacerdote que o atendeu teria declarado: “confessei um santo”.

Antes de morrer, Petrúcio afirmou que, no céu, rezaria para que não faltasse alimento para sua família e para a Casa do Pobre.
Segundo a administração da instituição, o local sempre conseguiu manter o atendimento, sem nunca faltar o pão, mesmo com dificuldades.
Após o falecimento, começaram os relatos de graças atribuídas à intercessão do menino. Visitantes passaram a frequentar o túmulo, localizado no Cemitério São José, no bairro Trapiche. No local, há registros de placas e objetos deixados por pessoas que afirmam ter recebido ajuda após orações. Entre os relatos, estão curas e mudanças de vida atribuídas à intercessão do menino Petrúcio.

RECONHECIMENTO
Apesar da devoção popular, não há processo formal em andamento para reconhecimento oficial pela Igreja. Um levantamento inicial de relatos chegou a ser iniciado por um sacerdote, mas não avançou para etapas formais como a beatificação.
A memória de Petrúcio segue mantida por celebrações religiosas. Neste ano, a missa em homenagem será realizada no próximo sábado, dia 25, às 10h, na capela de Santo Antônio, no complexo da Casa do Pobre, presidida pelo arcebispo de Maceió, Dom Carlos Alberto.
A entrevista completa está disponível no canal Tribuna Hoje no YouTube e na programação do canal 12 – TV COM da Net/Claro, com exibição às 10h, 16h e 20h.
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